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"publishedAt": "2026-04-29T21:38:25.000Z",
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"textContent": "\nO Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central oficializou, em sua terceira reunião de 2026 finalizada nesta quarta-feira (29/4), uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), que agora passa a ser de 14,50% ao ano. Essa é a segunda baixa seguida do indicador, que havia atingido o pico de 15% após um ciclo de sete elevações consecutivas. Em ata divulgada após encontro, a autarquia diz que a decisão levou em consideração as incertezas no ambiente externo, decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. \" Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.\" \"O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária\", diz o texto. Embora o movimento sinalize uma flexibilização, economistas ouvidos por PEGN alertam que o patamar ainda restritivo e o cenário inflacionário impõem desafios significativos para o setor produtivo, especialmente para as pequenas e médias empresas (PMEs). Para Ricardo Summa, economista, pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Banco Central poderia ter sido mais incisivo neste terceiro encontro. \"Acho que haveria espaço para cair mais, meio por cento, por exemplo\", afirma o especialista, ressaltando que a valorização do câmbio e o efeito do preço do petróleo poderiam aliviar a necessidade de manutenção de uma taxa elevada para segurar a inflação. Por outro lado, Alexandre Gaino, economista e professor do curso de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), enfatiza que a postura do comitê reflete tanto as incertezas externas quanto as expectativas domésticas desancoradas. Segundo o especialista, o comitê tem agido com prudência diante do panorama global. \"O Copom tem mostrado cautela em relação ao cenário internacional, em especial os efeitos dos conflitos geopolíticos\", pontua. Contudo, o custo de capital deve permanecer como um entrave para o setor produtivo. De acordo com Summa, mesmo com a projeção da Selic em 13% para o fechamento do ano, o patamar seguirá elevado, dificultando um alívio financeiro real nas contas das empresas. Gaino reforça que a manutenção dos juros em níveis restritivos limita o acesso das PMEs a recursos de mercado e sustenta o encarecimento do crédito por, pelo menos, mais dois anos. Impactos nas PMEs e setores resilientes As PMEs enfrentam um cenário de desaceleração econômica, com o PIB projetado em 1,85% para 2026. Nesse contexto, os especialistas apontam que nem todos os setores sentirão o mesmo impacto. Summa avalia que os setores ligados ao consumo popular e bens não duráveis devem ser mais resistentes, como serviços e supermercados. Já Gaino sugere que os negócios dependentes de crédito precisarão de estratégias agressivas. \"Setores tradicionalmente associados ao consumo a prazo e demandantes de crédito, deverão focar mais na redução de custos e na realização de promoções para não estagnar nesse contexto\", frisa. Ele também recomenda que as PMEs mantenham fundos de capital de giro e busquem renegociar dívidas. \"A inadimplência das empresas e famílias nesse cenário é ainda um desafio a ser enfrentado\", reitera. Sobre o câmbio, que o mercado projeta em R$ 5,25 para o fim do ano, o docente da ESPM acredita que a trajetória de queda no curto prazo \"pode favorecer o setor importador, que demanda matéria-prima ou máquinas e equipamentos importados\". Planejamento e transmissão do crédito Renan Pieri, economista e professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV), explica que o efeito dessa redução não é imediato para o caixa das empresas. \"De 3 a 6 meses é o que se espera para chegar na ponta dos juros. Mas, para a PMEs, têm outros critérios, por exemplo, a própria percepção de risco\", afirma. A partir disso, ele alerta que a desaceleração do setor de serviços pode aumentar o risco percebido pelos bancos, tornando-se um \"gargalo importante para as PMEs\". Quanto ao futuro, Pieri ressalta que, embora as projeções para 2027 e 2028 (11% e 10%, respectivamente) indiquem um cenário melhor, as empresas que precisam renovar dívidas agora podem não sentir grande diferença. \"De fato, é um cenário melhor de taxa de juros. Então, por um lado, isso já diz que é um bom momento para o planejamento. Talvez já seja o momento de começar a se planejar\", pontua. No entanto, Pieri ressalta a necessidade de cautela no endividamento no curto prazo, pois \"essa redução de juros não é de uma magnitude tão grande para reduzir o risco\" de inadimplência das PMEs. Leia também Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar!",
"title": "Copom reduz Selic para 14,50% em segunda queda consecutiva; veja os impactos para as PMEs"
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