Ela transformou um laboratório de 35 m² em uma fábrica de cosméticos com receita anual de R$ 230 milhões
Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial]
April 20, 2026
Em 2012, quando começou a criar cosméticos em um laboratório de 35 metros quadrados, em Fortaleza (CE), a farmacêutica Raquel Carvalho sabia que seu rigor de pesquisadora seria um diferencial para a qualidade dos produtos. A meta era desenvolver linhas de dermocosméticos com o mesmo nível de exigência do setor farmacêutico, o ‘DNA Farma’, como define a empreendedora. Desde 2013, quando fez as primeiras vendas da sua marca, Labotrat, o negócio não parou de crescer. Nos últimos três anos, a empresa de médio porte registrou crescimento acumulado de 500%, com faturamento de R$ 230 milhões em 2025. Atualmente presente em 100 mil pontos de venda em todo o território nacional, a Labotrat produz cerca de 200 mil unidades de produtos por dia na fábrica em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza. Com cerca de 13 mil m² de área, a fábrica pode chegar a 320 milhões de unidades mensais após expansões estruturadas. Apesar do crescimento contínuo, Carvalho mantém os pés no chão sem reduzir ambições. As principais são atingir o faturamento de R$ 1 bilhão até 2030 e consolidar a Labotrat como a referência global de marca brasileira em dermocosméticos. Hoje, a companhia é líder na categoria de esfoliantes, detendo 70% desse segmento no Brasil, diz a fundadora e CEO da Laborat. Depois de se estabelecer no varejo físico, a nova aposta está no digital, com o desenvolvimento do e-commerce e a estratégia omnichannel. O engajamento orgânico já mostra resultados. Segundo a farmacêutica, as buscas pela marca cresceram 160% sem investimento publicitário direto, atraindo o interesse espontâneo de mais de 2,5 mil criadores de conteúdo em um ano. Entre os sucessos viralizados, estão os dermocosméticos de alta eficácia (como a linha Dermo Skin para clareamento), os protetores solares e os itens voltados à Geração Z. Nos últimos dois anos, a Labotrat também expandiu fronteiras e começou a exportar para toda a América Latina. Em 2026, o foco é o mercado europeu: o primeiro contêiner foi enviado neste mês de abril, e o segundo já está sendo preparado para sair do Brasil. Carvalho diz que a marca possui pontos de venda fechados, e os produtos já estão sendo distribuídos por todo o continente europeu, onde a empresa obteve registro para comercialização em 2025. “A expansão internacional não era uma coisa que eu imaginava, mas, quando fui pra Argentina há dois anos, vi que poderia acontecer. Começamos a plantar a sementinha, e aí fomos estudando e moldando, por isso a América Latina foi o primeiro destino das exportações”, conta a empreendedora. Animada com os resultados alcançados no mercado europeu, Carvalho não para de fazer planos. “Este mês foi brilhante, absurdo com a Europa. Estou muito feliz com esse novo momento", celebra a CEO. “Quero a companhia capilarizada no Brasil todo. Que a Labotrat na necessaire de cada brasileiro", afirma. Inscrições abertas! Investimento em pesquisa A trajetória de Carvalho não foi por acaso. Todas as conquistas profissionais vieram a partir de muito estudo (acadêmico e de mercado), consistência e visão de longo prazo. Filha de engenheiros donos de negócios próprios e criada em um ambiente de forte estímulo ao empreendedorismo, ela optou estudar farmácia Industrial com foco em ativos e cosmetologia. Já formada, em 2004, entrou em uma empresa da indústria farmacêutica, voltada a injetáveis de alto risco. Ali começava a garantia pela qualidade da Labotrat, segundo ela mesma diz. “Não havia setor de pesquisa e desenvolvimento, que eu construí lá dentro. Tive muitas oportunidades também acadêmicas patrocinadas por eles. Entreguei a curva a deles, que são antibióticos, a maior rentabilidade para a companhia hoje. Fui responsável pela criação, validação, escalamento industrial, dossiês regulatórios para colocar o produto no mercado, treinamentos, preparação também do time comercial para aquele tipo de produto”, conta a empresária. O rigor técnico se traduziu em processos de qualidade farmacêutica aplicados aos cosméticos da Labotrat, como o tratamento de água de alta pureza para garantir estabilidade química e microbiológica. "Eu queria o tratamento de água do setor farmacêutico, porque sabia que já iria começar com um nível de qualidade melhor. É o que eu chamo de DNA Farma", ressalta a CEO. Antes de consolidar a própria indústria, Carvalho comandou por dez anos (2009-2019) a Rouge Cosméticos, uma loja de rua no centro da capital cearense. O negócio serviu como seu laboratório comercial, diz a empresária. No empreendimento, Carvalho aprendeu a vender, negociar e, principalmente, a identificar o que o consumidor buscava e não encontrava nas prateleiras. Initial plugin text Portfólio para demanda do cliente Com a experiência varejista, a farmacêutica começou a desenhar o portfólio da Labotrat, que iniciou as atividades em 2012 em um pequeno módulo alugado de apenas 35 m², localizado em um corredor industrial da capital cearense. Após o início nesse espaço reduzido, Carvalho começou a comprar os primeiros equipamentos, como reatores, envasadoras, rotuladoras e datadoras. A visão da operação no varejo permitiu à Labotrat nascer com um portfólio voltado às necessidades do cliente. O pequeno negócio cresceu rápido e levou a produção farmacêutica para a fábrica em Eusébio. A expansão da marca trouxe o marido de Carvalho, o arquiteto André Rios, para assumir a área comercial e o marketing da empresa, em 2020. Com experiência em startups, Rios foi responsável pela mudança do logotipo e de toda a parte artística das embalagens para profissionalizar a imagem da empresa e de seus produtos. “Foi uma figura central no processo de rebranding da marca", afirma Carvalho. O modelo de negócio da Labotrat desafia a lógica tradicional de captação de empresas, que buscam financiamento externo. Todo o crescimento foi financiado com recursos próprios dos donos. Esse resultado é decorrente de um estilo de gestão financeira que a CEO não abre mão: conservadora, realista e voltada para a governança, preferindo a sustentabilidade ao endividamento. "Sempre crescemos assim, sem capital externo, com planejamento e muito pé no chão. Não nos fechamos para oportunidades, mas hoje a companhia consegue alavancar. É uma empresa muito saudável", afirma. Leia também
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