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Healthtech de maleta inteligente, que começou como trabalho voluntário, capta R$ 5 milhões da Quartzo Capital

Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial] April 8, 2026
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A Lauduz, startup de saúde que desenvolveu o Telekit, uma maleta de telemedicina capaz de realizar exames físicos completos à distância, anunciou o recebimento de um aporte de R$ 5 milhões. O investimento foi liderado pela Quartzo Capital, gestora do Funces (Fundo Soberano do Estado do Espírito Santo), e marca um momento decisivo para a empresa, que agora atinge um valuation de R$ 25 milhões. A história da Lauduz começou em 2020, em Santa Maria (RS), como um projeto voluntário dos médicos Carolina Paim Fernandes Zatt e Wilson Baldin Zatt durante a pandemia de covid-19, que conectava médicos a pacientes em lockdown. Em apenas um ano, a iniciativa realizou 5 mil consultas gratuitas, mas revelou uma limitação crítica: a telemedicina baseada apenas em vídeo e texto era insuficiente para diagnósticos precisos. "Percebemos que muitos pacientes não tinham um celular adequado ou conexão estável, e os médicos não tinham a parte do exame físico, como pressão, oxigênio e ausculta. Mapeamos essas dores e veio o estalo de criar algo portátil que pudesse ser levado à casa do paciente: uma maleta", explica Carolina Zatt, em entrevista a PEGN. Após abrirem CNPJ em março de 2021, a jornada financeira da startup começou com um bootstrapping de cerca de R$ 50 mil do próprio bolso dos fundadores. Após dois anos de desenvolvimento e certificações, a empresa captou uma rodada anjo de R$ 10 milhões em 2023, o que permitiu o início da validação comercial que resultou no aporte atual. O formato básico do Telekit inclui aparelho de Pressão Arterial, balança de bioimpedância, oxímetro de pulso, termômetro digital, câmera de inspeção, medidor de glicose e estetoscópio digital. Há ainda a possibilidade de dispositivos adicionais, como doppler fetal, eletrocardiógrafo de 12 derivações, dermatoscópio e otoscópio. O Telekit da Lauduz Divulgação Todos os dados coletados são processados por uma inteligência artificial proprietária. "A IA gera informações e orientações clínicas, cruzando dados como temperatura, pressão e ausculta para auxiliar o médico", afirma Wilson Zatt, reforçando que a decisão final é sempre do profissional de saúde. A mudança para o ES e a consolidação Atraídos pelo ecossistema de inovação capixaba, os fundadores transferiram a sede para o Espírito Santo após receberem incentivos de programas como o Findeslab (R$ 200 mil em 2021) e o SEEDS (R$ 100 mil em 2023). "O estado comprou a ideia lá no início, quando era só um desenho de uma maleta e um sonho que não funcionava ainda", relembra o empreendedor. Hoje, a startup opera no modelo Hardware as a Service (HaaS), alugando a tecnologia junto ao fornecimento de um corpo clínico treinado internamente, com assinaturas mensais que variam conforme a especialidade e o volume de consultas. Com um NPS de 99, mais de 7 mil clientes já avaliaram o serviço. Leia também: A estratégia para escalar a produção de hardware é baseada em um modelo de integração. A empresa utiliza diversas fábricas parceiras para o fornecimento de componentes específicos — como o estetoscópio e a maleta de design próprio — e realiza internamente a montagem final e a instalação do software. De acordo com os fundadores, isso garante agilidade operacional e reduz a dependência de fornecedores ou colaboradores exclusivos, permitindo que o processo seja distribuído e controlado com flexibilidade. A estrutura da empresa conta com cerca de 20 colaboradores diretos no time interno e uma rede de aproximadamente 80 profissionais de saúde ativos (com mais de 300 cadastrados), permitindo que cada maleta instalada gere até 500 consultas por mês. Paciente recebendo atendimento médico Divulgação O aporte e os planos de expansão Com um crescimento acelerado que elevou o faturamento de R$ 900 mil (2024) para R$ 2,2 milhões (2025), a Lauduz agora projeta atingir R$ 10 milhões em 2026. O plano será impulsionado pelo novo aporte de R$ 5 milhões, focado estrategicamente nas áreas comercial e de marketing. Embora atenda o setor privado e hospitais como o de Base, em São José do Rio Preto (SP), a Lauduz tem como prioridade a saúde pública. "O nosso foco hoje está no SUS devido ao tamanho da dor. São mais de 5 mil municípios no Brasil e quase a totalidade sofre com a falta de médicos. O Telekit aumenta a capacidade de atendimento onde a população mais precisa", afirma Wilson. A empresa já possui capacidade para produzir 100 maletas por mês e pretende utilizar o recurso para escalar essa entrega nacionalmente. Para Marcelo Wolowski, diretor de Venture Capital da Quartzo Capital, o valor do negócio ultrapassa os ganhos financeiros, alcançando uma escala de transformação social. "Na Lauduz o impacto social é enorme. Aumentar a capacidade de atender qualquer lugar do Brasil é revolucionário e impacta a forma como a saúde é prestada", comenta ele. A parceria com a Quartzo vai além do aporte financeiro, se consolidando por meio de três pilares de auxílio estratégico. Wolowski detalha que a contribuição ocorrerá, primeiramente, por meio da "instituição de princípios de governança corporativa e gestão profissional", focando em auditorias e regulamentos. Em segundo lugar, a gestora planeja transferir sua experiência com outras startups para "provocar os empreendedores a pensarem diferente, por meio do conselho de administração". Por fim, a Quartzo utilizará sua rede de influência para "aproximá-los de secretários de saúde municipais, estaduais e da rede privada". Com operação em 15 estados, a empresa já reduz distâncias críticas, como em Rondônia, onde pacientes evitam viagens de 300 km para consultas especializadas. "Esse impacto na qualidade de vida e a redução de distâncias é muito gratificante", finaliza Carolina Zatt. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar

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