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"textContent": "\nMesmo com o cenário de incerteza internacional acentuado pelos conflitos no Oriente Médio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25%, chegando a 14,75% ao ano. A decisão foi divulgada no início da noite desta quarta-feira (28/1), após a segunda reunião de 2026. A ata divulgada pela autarquia diz que as incertezas no ambiente externo, decorrentes dos conflitos no Oriente Médio, exigem \"cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.\" \"Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação\", diz o texto. A medida havia sido sinalizada na ata do último encontro e já era esperada por economistas e especialistas do mercado financeiro. A expectativa também foi sinalizada no boletim Focus de segunda-feira (16), pesquisa semanal realizada pelo BC com projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. A redução ocorre após a taxa ter sido mantida em 15% na reunião de janeiro — maior patamar desde 2006. Especialistas ouvidos por PEGN avaliam que o juro real brasileiro extremamente elevado (por volta de 10,60% ao ano) garantiu a margem necessária para o início deste ciclo de cortes, priorizando o controle da desaceleração econômica interna. Contudo, a instabilidade externa tem sido levantada como um ponto de cautela. O conflito no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo e gera volatilidade no câmbio, o que impacta diretamente a inflação por meio dos repasses cambiais. No entanto, Bolivar Godinho, economista e professor de Finanças da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pontua que o Brasil, como exportador de petróleo, acaba sendo beneficiado pelo aumento de preços, embora o repasse para os combustíveis domésticos pela Petrobras seja um fator de risco inflacionário. De acordo com Clara Brenck, professora na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora no Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), a tendência de queda da Selic deve se manter, ainda que em um ritmo possivelmente mais lento do que o esperado anteriormente devido a essas incertezas. \"Por mais que tenha esse conflito, que aumentou o preço do petróleo e também o câmbio, que também afeta a inflação, acho que o patamar de juros está bem alto e já permite um primeiro corte\", afirma. Crédito para PMEs: Por que o alívio não é imediato? Para o micro e pequeno empresário, a queda da Selic é um sinal positivo, mas o efeito prático no custo dos empréstimos pode demorar. Renan Pieri, economista e professor de economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV), explica que os efeitos da política monetária sobre a economia e a oferta de crédito podem levar até 18 meses para serem plenamente sentidos. \"É natural de se esperar alguns meses para começar a observar um aumento do crédito, quando você tem uma adição da Selic e juros um pouquinho menores\", pondera. Enquanto a Selic cai em frações de ponto percentual, o spread para PMEs (a diferença entre o que o banco paga e o que cobra) gira em torno de 20% ao ano, reforça Godinho. \"A redução de 0,5% na Selic é pequena comparada com esse spread\", aponta, destacando que a alta inadimplência atual torna os bancos mais cautelosos. Dados da Serasa Experian mostram que o avanço da inadimplência atingiu o recorde de 8,7 milhões de empresas em outubro de 2025, conforme o último levantamento divulgado em dezembro do mesmo ano. Ao todo, os negócios somaram R$ 204,8 bilhões em contas com atraso. Estratégia para o empreendedor: momento de investir ou aguardar? Com a economia em fase de desaceleração e o Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 apresentando crescimento modesto em serviços (1,8%) e indústria (1,4%), a recomendação dos especialistas é de análise criteriosa. Brenck, por exemplo, sugere que o empresário avalie a natureza do seu negócio. \"Se você tem um negócio que depende muito da taxa de câmbio, talvez tenha mais incerteza envolvida. Mas se o negócio é dependente do mercado interno, não acho que precise de tanta cautela. A economia nacional está saudável e avançando\", afirma Por outro lado, Pieri lembra que o cenário para o restante do ano ainda guarda desafios, como as eleições presidenciais e a discussão sobre o déficit público. O que monitorar? Oscilação do dólar: Uma desvalorização excessiva do real pode forçar o Banco Central a encurtar o ciclo de cortes para evitar fugas de capital. Cenário fiscal: A plataforma econômica das campanhas eleitorais será decisiva para as expectativas de juros a longo prazo. Decisões dos bancos comerciais: O alívio real para as PMEs virá quando a percepção de risco dos bancos privados diminuir, permitindo a redução dos spreads. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar! Leia também",
"title": "Copom reduz Selic para 14,75%; entenda impactos para PMEs"
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