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Com 'O Agente Secreto' no Oscar, Pitombeira vende 18 mil camisetas e cria e-commerce próprio

Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial] March 14, 2026
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A camiseta da Pitombeira dos Quatro Cantos, troça carnavalesca de Olinda (PE) fundada em 1947, tornou-se um fenômeno comercial depois de aparecer no filme 'O Agente Secreto'. A peça, usada pelo ator Wagner Moura, impulsionou as vendas da agremiação, abriu espaço para uma collab licenciada com a marca AMP – A Mulher do Padre e impulsionou a criação de um e-comerce próprio. Segundo o presidente da troça, Hermes Neto, a repercussão levou a Pitombeira a vender mais de 18 mil camisetas, um volume mais de dez vezes maior do que o habitual. A explosão de interesse transformou uma peça originalmente ligada ao Carnaval pernambucano em um produto cultural com alcance nacional, movimentando tanto a própria agremiação quanto marcas que passaram a produzir versões licenciadas da camiseta. A história da Pitombeira dos Quatro Cantos remonta a 1947, quando um grupo de amigos que se reunia em um bar chamado Senado decidiu sair pelas ruas de Olinda cantando e balançando galhos de pitomba pouco antes do Carnaval. Hermes Neto conta que o bloco nasceu de maneira espontânea e irreverente, quando um dos integrantes, já animado pela bebida, quebrou galhos da árvore que ficava atrás do bar e convidou os demais para desfilar. “Eles tiraram as camisas e foram cantando pelas ruas o frevo do Carnaval daquela época”, relata. Initial plugin text Ao longo das décadas, a troça se consolidou como uma das mais tradicionais de Olinda e também como um polo de formação cultural ligado ao frevo. Hermes Neto afirma que a agremiação atua há décadas formando passistas e músicos e mantendo atividades culturais ao longo de todo o ano. “A importância para o Carnaval pernambucano é justamente a vanguarda e o patrimônio cultural. A Pitombeira vem fazendo esse trabalho desde 1979, formando passistas e músicos. Hoje já foram formados quatro grupos de passistas e temos duas orquestras que tocam nos desfiles. É um trabalho que fortalece esse patrimônio cultural que é o frevo”, afirma. A camiseta dos anos 1970 que voltou ao centro das atenções Entre os inúmeros figurinos que aparecem nas quase três horas do filme 'O Agente Secreto', uma peça chamou a atenção do público: a camiseta da Pitombeira usada por Wagner Moura em duas cenas do longa. A peça reproduz um modelo histórico criado no fim dos anos 1970 e acabou se tornando objeto de desejo entre fãs do filme e foliões. Hermes Neto afirma que a própria agremiação foi surpreendida quando percebeu a dimensão da repercussão da peça. “A gente já tinha uma conversa de que a camisa da Pitombeira ia aparecer no filme. Temos um diretor que tem amigos que trabalham no cinema e essa notícia chegou para a gente. Achamos fantástico, porque é uma época em que a Pitombeira foi muito forte, na década de 70”, conta. Segundo ele, o impacto começou ainda nas primeiras exibições do filme em Pernambuco. “Quando teve o pré-lançamento no cinema São Luiz, os amigos começaram a fazer prints de Wagner Moura naquela primeira cena em que ele aparece com a camisa. Depois veio uma segunda cena e todo mundo ficou enlouquecido. Foi uma coisa muito boa para nós”, lembra. A repercussão levou a diretoria da agremiação a produzir novas camisetas quase imediatamente, com o objetivo de homenagear o filme. O impacto comercial foi imediato. A procura pela camiseta cresceu de forma acelerada, superando em poucos meses o volume que normalmente seria vendido ao longo de vários anos. Neto explica que o aumento foi contínuo desde o lançamento do filme, em novembro de 2025. “Ainda estamos fechando números porque existem alguns pontos de venda espalhados, mas acreditamos que vamos passar de 18 mil camisetas vendidas tranquilamente”, afirma. Para efeito de comparação, o presidente explica que a Pitombeira normalmente vende entre 1.200 e 1.600 camisetas por ano. “Em um ano muito bom a gente vende 1.600 camisas, mas a média é 1.200 ou 1.300. A repercussão do filme fez a gente crescer cerca de 200%. Foi um recorde na história da Pitombeira e acredito que seja um recorde na história de uma agremiação carnavalesca”, afirma. A visibilidade também levou a troça a dar um passo que até então não havia sido considerado prioritário: criar uma loja virtual própria. “O filme nos proporcionou abrir um site que a gente não tinha. Hoje encaramos como nossa loja virtual. A Pitombeira já era consolidada no Carnaval, mas agora a marca ganhou mais força e começou a ter vendas no Brasil todo”, diz. Com o aumento da procura, a agremiação passou a planejar novas linhas de produtos para aproveitar o interesse do público e gerar receita ao longo do ano. “A gente entende que não pode parar. Já que o site está tendo acesso do Brasil todo, estamos confeccionando novos produtos para trabalhar isso o ano inteiro e ter uma receita que ajude a manter a Pitombeira”, explica Neto. Entre os itens que estão sendo preparados estão produtos de lifestyle e vestuário. “Estamos produzindo canga, toalha, meia e roupas fit. A ideia é partir para uma loja onde a Pitombeira possa se sustentar também o ano inteiro com a venda desses produtos”, afirma. Para o presidente, a visibilidade proporcionada pelo filme também mostra como manifestações culturais podem ganhar nova força quando encontram canais de divulgação mais amplos. “Eu acredito que isso ajuda muito. Gostaria que outras agremiações culturais também se vissem nesse movimento. Muitas vezes existe trabalho e tradição, mas falta divulgação. Quando aparece um ator que tem carisma com o público e uma produção que mostra isso para o país, abre portas para que essas agremiações tenham mais independência”, afirma. Collab licenciada x pirataria A repercussão da peça também chamou a atenção de marcas que trabalham com cultura pop e colaborações com cinema. Uma delas foi a AMP – A Mulher do Padre, marca dos empresários Vinicius Caggiano Campion e Paula Ferrali. Initial plugin text m Segundo Campion, a camiseta da Pitombeira faz parte de uma coleção inspirada no filme e criada em parceria com diferentes participantes da produção. “Pitombeira é uma das camisetas que desenvolvemos na collab com o filme. São sete ou oito modelos e ainda vão entrar mais alguns. Todas elas têm percentuais de royalties distribuídos entre todos os envolvidos: o filme, a distribuidora Vitrine Filmes, a turma da Pitombeira, a figurinista e os atores que têm suas imagens desenhadas nas camisetas feitas a lápis grafite”, explica. A negociação para viabilizar a parceria começou ainda antes do lançamento do longa. “Estamos em negociação com a Vitrine Filmes, com a equipe do filme e com a turma da Pitombeira desde meados de 2025”, afirma. Assim como ocorreu com a própria Pitombeira, a marca também registrou aumento nas vendas após o lançamento do filme. “Houve aumento nas vendas e entrada de um novo público impulsionado principalmente pelo digital. Ao mesmo tempo, surgiram suspeitas de que fôssemos um dos muitos fabricantes não licenciados que começaram a piratear a camiseta. Depois do lançamento apareceu todo tipo de pirataria, em bancas de rua e em marketplaces”, relata Campion. Apesar da concorrência informal, a peça se tornou rapidamente a mais procurada do catálogo da marca. “Temos uma linha razoavelmente extensa e a Pitombeira está há cerca de três meses como a peça mais vendida. O apelo de ter Wagner Moura usando a camiseta como objeto de cena é muito grande”, afirma. Segundo o empresário, o principal canal de vendas é o online. “Nossa maior venda acontece pela internet. Estamos preparados para atender a qualquer demanda”, diz. A marca também recebeu pedidos internacionais, embora ainda não exporte os produtos. “Temos pedidos de fora do Brasil, mas não enviamos para outros países”, afirma. Um dos pontos centrais da collab foi manter fidelidade à estética do filme e à peça histórica usada nas gravações. “A figurinista fez um trabalho minucioso para recriar a camiseta com características da época. Ela trouxe detalhes de desgaste, encolhimento e alterações na lavagem da tinta da estampa. Tentamos ser o mais fiéis possível à camiseta usada no filme”, explica Campion. Cultura, cinema e empreendedorismo Para o presidente da troça carnavalesca, Hermes Neto, o momento vivido pela Pitombeira representa mais do que um pico de vendas. É também um reconhecimento de décadas de trabalho cultural. “Hoje a Pitombeira vive um momento de reconhecimento por todo o trabalho feito ao longo de seus 79 anos. Muitas pessoas passaram a conhecer a história da Pitombeira agora, e descobriram que é uma história rica e cheia de emoções”, afirma. A agremiação já discute estratégias para manter a marca ativa no mercado e transformar a visibilidade atual em uma fonte constante de receita. “Estamos traçando estratégias para manter essa chama viva e fortalecer a marca Pitombeira no Brasil inteiro. Isso pode ajudar a manter nossa sede, que é um espaço cultural importante, e continuar esse trabalho que fazemos há tantos anos”, diz. Segundo o presidente, a repercussão ainda não diminuiu. “A adrenalina continua alta. O que vem acontecendo com a gente, com o filme e com as pessoas comprando nossas camisas, ainda está em pleno êxito”, conclui. Saiba mais

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