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"textContent": "\nA necessidade de evolução da governança corporativa no Brasil e a adoção de práticas mais maduras pelas organizações têm elevado, de forma consistente, o nível de exigência sobre os órgãos estatutários e, sobretudo, sobre a qualidade da interação desses colegiados com as funções de fiscalização e controle. Conselhos de administração, conselhos fiscais e comitês de assessoramento, principalmente o comitê de auditoria, passaram a demandar informações técnicas independentes, consistentes e tempestivas, de forma a sustentar decisões cada vez mais complexas, estratégicas e sensíveis ao risco. Nesse contexto, a auditoria interna exerce um papel fundamental na prevenção de riscos e fraudes e no fortalecimento da governança corporativa. Sua atuação não se confunde com a de outros mecanismos de defesa nem se sobrepõe às responsabilidades da gestão. Ao contrário, sua efetividade está diretamente associada à capacidade de identificar riscos relevantes e atuar de forma colaborativa para reduzir a probabilidade de ocorrência e o impacto desses riscos, sempre respeitando os limites institucionais entre governança, controle e gestão. A auditoria interna agrega valor quando vai além da verificação formal de conformidade e passa a identificar oportunidades de aprimoramento dos controles internos, apoiando a administração, de maneira independente, na construção de planos de ação mitigadores e com caráter educativo. Recente pesquisa sobre o papel da auditoria interna divulgada por uma importante empresa de asseguração no começo deste ano corrobora esse cenário. Temas como a disrupção tecnológica, o uso da inteligência artificial, as regulações cada vez mais complexas sobre a governança de dados, a cibersegurança, as questões climáticas e o ativismo crescente dos stakeholders estão entre as principais demandas apresentadas pelos executivos que participaram do estudo. Ao avaliar evidências de forma objetiva e estruturada, a auditoria interna pode fornecer opiniões e conclusões qualificadas sobre entidades, funções, operações, processos ou sistemas, mantendo alinhamento com os objetivos estratégicos da organização e com o apetite a riscos definido pelo conselho. A efetividade de sua contribuição está diretamente associada à capacidade de compreender a lógica institucional dos órgãos de governança e de estruturar sua comunicação de modo compatível com o ambiente decisório desses colegiados. Esse papel se amplia à medida que a auditoria interna contribui para a avaliação de riscos menos tangíveis, mas igualmente relevantes, como os riscos reputacionais. Ao buscar compreender a cultura ética dos colaboradores e da cadeia de valor e ao dar ênfase à eficácia dos processos organizacionais, a auditoria interna oferece aos órgãos estatutários uma visão integrada sobre a solidez dos fundamentos que sustentam a tomada de decisão, a credibilidade institucional e a perenidade dos negócios. A boa governança se apoia na articulação equilibrada entre diferentes funções de controle. Auditoria interna, auditoria independente e órgãos estatutários não atuam de forma isolada, mas como componentes complementares de um sistema integrado de supervisão. Suas responsabilidades vêm sendo ampliadas à medida que os desafios e riscos crescem no mundo corporativo. Para a auditoria interna, desenvolver a capacidade de dialogar tecnicamente com conselhos e comitês não representa uma ampliação indevida de escopo, mas uma condição necessária para o cumprimento de sua missão institucional. Quando suas avaliações e comunicações estão alinhadas às responsabilidades da liderança estatutária, a auditoria interna contribui para decisões mais robustas, reforça a integridade organizacional e amplia a confiança das partes interessadas na sustentabilidade das organizações. Esse amadurecimento da governança e das funções de controle, no entanto, não ocorre de forma isolada dentro das organizações. Ele é impulsionado também pela atuação de organizações da sociedade civil que produzem conhecimento, promovem o intercâmbio de experiências e contribuem para a formação contínua dos profissionais que atuam nos órgãos de fiscalização e controle. Nesse contexto, destacam-se instituições como o IBGC, que atua para fortalecer a governança corporativa em prol de organizações mais responsáveis e de uma sociedade melhor; o Ibracon, que valoriza a confiança na auditoria independente e promove padrões elevados de excelência técnica; e o IIA Brasil, que desenvolve e valoriza a profissão de auditoria interna no país. Ao integrar profissionais, difundir boas práticas e elevar o nível do debate técnico, essas instituições contribuem de forma decisiva para o aprimoramento dos processos organizacionais e para a evolução do ambiente de negócios no Brasil. Paulo Roberto Gomes é Diretor-Geral do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA) Valeria Café é Diretora-Geral do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)",
"title": "Auditoria interna: além do controle, um pilar da governança"
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