Quem são os fundadores da Anthropic, que desbancou o ChatGPT nos EUA ao desafiar o Pentágono
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March 4, 2026
Os conflitos militares entre Estados Unidos, Israel e Irã também chegaram ao mundo da tecnologia. Nos últimos dias, a plataforma de inteligência artificial Claude, criada pela Anthropic, desbancou o ChatGPT, da OpenAI, e chegou ao topo dos aplicativos mais baixados na App Store nos EUA. A movimentação aconteceu como reflexo do posicionamento da empresa sobre o uso da tecnologia para vigilância da população e desenvolvimento de armas autônomas. Apesar de menos conhecido do que o hypado ChatGPT, o Claude nasceu das experiências que Dario e Daniela Amodei, irmãos fundadores da Anthropic, tiveram na OpenAI. A empresa surgiu em 2021, enquanto o mundo ainda tentava sair da pandemia de covid-19. Eles reuniram um grupo de pesquisadores que se falava por videochamada e, eventualmente, se encontrava em parques para criar uma inteligência artificial mais responsável. Dario sempre defendeu que a IA precisava de restrições por causa de suas falhas incontornáveis e, por isso, conquistou fãs e haters. Nascido em São Francisco (EUA) em 1983, filho de mãe judia e pai italiano, ele cresceu obcecado por matemática e física. Seu pai, Riccardo – artesão sapateiro de formação –, morreu em 2006 após uma longa batalha contra uma doença rara. A perda foi um divisor de águas: Dario, então doutorando em física teórica na universidade de Princeton, mudou sua área de pesquisa para biologia, movido pelo desejo de entender e combater doenças humanas. Em um pós-doutorado na Universidade de Stanford, estudou proteínas ao redor de tumores para detectar células cancerígenas. Foi ali que se deparou com os limites do trabalho humano em problemas de alta complexidade. A inteligência artificial, que vivia então uma explosão de dados e poder computacional, se mostrou como uma saída, como afirmou em entrevista ao jornalista Alex Kantrowitz. Veja também “Seria necessário ter milhares de pesquisadores para entender todos os problemas. A IA me pareceu a única tecnologia capaz de diminuir essa lacuna. Algo que poderia nos levar além da capacidade humana”, afirmou. Dario teve passagens pela Baidu, empresa chinesa de buscas, e pelo Google Brain antes de entrar no time da OpenAI em 2016. Ali, liderou o desenvolvimento dos modelos GPT-2 e GPT-3. Apesar do papel central na empresa, Dario discordava profundamente da liderança da empresa sobre questões de segurança, lançamento de modelos e ética. Em dezembro de 2020, ele, sua irmã Daniela e um grupo de colegas pediram demissão para fundar a Anthropic. A empresa nasceu com três pilares: construir modelos de linguagem de ponta, implementar práticas seguras que pressionassem o setor a seguir o mesmo caminho, e publicar o que aprendesse — exceto os detalhes técnicos centrais dos seus modelos. Daniela Amodei, que cuida da estrutura organizacional e do crescimento da empresa, definiu a divisão de tarefas entre os dois em entrevista à CNBC: "É um prazer comandar a Anthropic com o meu irmão. Ele é ótimo em me empurrar a pensar no quadro geral. Eu ajudo a pensar em como construir uma organização duradoura, sustentável, cheia de pessoas que realmente queiram fazer o trabalho que nos propusemos a fazer há cinco anos." A empresa cresceu rapidamente: sua receita recorrente anualizada saltou de US$ 1,4 bilhão em março de 2025 para cerca de US$ 4,5 bilhões em julho do mesmo ano, e seu valuation chegou a US$ 380 bilhões após a rodada mais recente de investimentos – a Anthropic levantou US$ 30 bilhões em uma Série G, no mês passado. O choque com o Pentágono Poucos dias após anunciar a rodada, a empresa se recusou a permitir que seus modelos fossem utilizados para vigilância em massa de cidadãos norte-americanos ou para o desenvolvimento de armas totalmente autônomas — e comunicou essa posição ao Departamento de Defesa dos EUA durante negociações para um contrato com o governo. Como resposta, o secretário de Defesa Pete Hegseth invocou a Lei de Risco da Cadeia de Abastecimento para classificar a Anthropic como risco à segurança nacional. A medida é raramente aplicada a empresas norte-americanas. Na prática, ela bane a Anthropic do mercado público e proíbe a empresa de firmar negócios com fornecedores do Pentágono, como Amazon e Microsoft. O presidente Donald Trump determinou que todos os órgãos federais cessem o uso dos produtos da Anthropic. Dario Amodei classificou a decisão como "retaliação punitiva" em entrevista à CBS News, e a empresa anunciou que recorrerá à Justiça caso receba notificação formal da classificação. Leia mais No mesmo dia em que a Anthropic foi punida, sua principal concorrente, a OpenAI, anunciou um acordo com o Pentágono para disponibilizar seus modelos na rede sigilosa do Departamento de Defesa — com salvaguardas semelhantes às que a Anthropic havia exigido. O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que o contrato reflete os princípios da empresa, que também proíbem vigilância doméstica em massa e exigem responsabilidade humana sobre sistemas de armas. Altman pediu publicamente que as mesmas condições fossem oferecidas a todas as empresas de IA.
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