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"textContent": "\nEm um mundo globalizado, a distância geográfica não é suficiente para impedir a repercussão mundial de conflitos locais. A escalada militar no Oriente Médio, com o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, pode causar impactos à economia brasileira. Segundo especialistas ouvidos por PEGN, os efeitos tendem a ser macroeconômicos, mas podem atingir de forma direta e indireta os pequenos e médios negócios (PMEs). Para João Alfredo Lopes Nyegray, mestre e doutor em internacionalização e estratégia e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o empreendedor não precisa “prever a guerra”, mas deve reduzir sua exposição, o que inclui mapear dolarização escondida, entender onde o frete é dominante no custo e itens nos quais a margem não suporta um período de aumento sem repasse. \"Isso, mais do que qualquer palpite geopolítico, é o que separa quem atravessa o choque de quem vira refém dele\", afirma. A seguir, veja quatro possíveis implicações da guerra no Oriente Médio para PMEs brasileiras. 1. Petróleo mais caro contamina custos O Brasil produz petróleo. Mesmo assim, os impactos na fabricação e no escoamento da matéria-prima vinda do Oriente Médio podem impactar os preços no mercado nacional. A avaliação é de Rafael Ribeiro, professor de economia do Cedeplar/UFMG e pesquisador do Made/FEA-USP. De acordo com o docente, o efeito nos preços no Brasil ainda é incerto, mas pode haver aumentos em caso da perpetuação do conflito. Terceiro maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o Irã é responsável por cerca de 4,5% do fornecimento global do combustível. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz, a principal rota marítima para o escoamento do insumo produzido no Oriente Médio, segundo informações da imprensa iraniana. De acordo com o G1, na abertura dos mercados internacionais na noite do último domingo (1º/3), o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025. “Sempre que há tensão relevante no Oriente Médio, o mercado reage com prêmio de risco, elevando os preços da commodity. Mesmo sendo produtor relevante, o Brasil segue a dinâmica internacional de preços”, afirma Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais. De acordo com ele, para as PMEs, o impacto aparece principalmente em setores intensivos em combustível e logística, como transporte rodoviário, e-commerce, turismo, mobilidade urbana e indústrias que têm o frete como fator relevante na estrutura de custos. “Empresas que dependem de derivados de petróleo, como plástico, embalagens e insumos petroquímicos, também sentem rapidamente. O efeito não é apenas direto no combustível, mas em cadeia. O aumento de energia e transporte pressiona custos ao longo de toda a estrutura produtiva”, aponta o economista. De forma mais indireta, Nyegray ressalta que comércio e serviços também sofrem consequências. “Com combustível caro, o consumidor reorganiza orçamento e corta itens discricionários; isso atinge varejo, alimentação fora do lar, turismo e pequenos prestadores”, diz o professor da PUC. 2. Dólar mais caro De acordo com Nyegray, choques geopolíticos tendem a fortalecer o dólar como “porto financeiro”. Para PMEs, o docente afirma que o dólar mais alto aparece em três frentes: Insumos e mercadorias importadas (mesmo quando a empresa compra de um distribuidor local, o preço costuma ser indexado ao dólar); Custos de logística internacional; Serviços digitais dolarizados (software, nuvem, publicidade, licenças) Humberto Aillon, mestre em finanças e mercado financeiro e professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), ressalta que, muitas vezes, as PMEs não têm estrutura para contratar operações de hedge cambial, o que pode aumentar o grau de exposição dos negócios frente às oscilações do mercado. “O impacto operacional mais perigoso não é apenas o aumento do custo unitário, mas a combinação entre dólar alto e prazos: o fornecedor antecipa reajuste, o cliente resiste ao repasse, e o caixa fica espremido. Para quem exporta, o câmbio pode ajudar receita, mas só vira ganho líquido se a empresa não estiver ‘comprada’ em dólar nos insumos e se tiver capacidade de cumprir prazos sem ruptura logística”, comenta Nyegray. 3. Taxa de juros Dependendo da intensidade e da duração da guerra, os especialistas avaliam que a conjuntura pode alterar a trajetória da taxa de juros no Brasil. “O Banco Central já anunciou o intuito de começar um pequeno ciclo de redução da taxa de juros a partir da próxima reunião do Copom. Contudo, o cenário de incerteza internacional, de quanto as flutuações do preço do petróleo vão afetar a inflação doméstica e qual vai ser a trajetória da taxa de câmbio são pontos aos quais certamente o BC ficará atento”, diz Ribeiro. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, valor estabelecido desde junho de 2025. A possível redução na taxa básica de juros foi indicada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) após divulgação da ata da última reunião, realizada em janeiro. “Se houver contaminação relevante das expectativas, a autoridade tende a adotar postura mais cautelosa. Para as PMEs, isso significa crédito potencialmente mais caro e maior dificuldade de financiamento no curto prazo”, complementa Lucena. Nesse cenário, Aillon, da Fipecafi, afirma que os empreendedores precisam monitorar como está a evolução da inflação e se os preços dos insumos estão aumentando. De acordo com o professor, o objetivo do acompanhamento é conseguir repassar um eventual aumento de custo no preço final e se antecipar para evitar a necessidade de capital de giro de curto prazo, já que as taxas de juros podem se manter altas. Leia também 4. Importações do Oriente Médio De acordo com os especialistas consultados pela reportagem, apesar de o Brasil não ser amplamente dependente de importações diretas do Oriente Médio, há um papel relevante da região na aquisição de fertilizantes, petroquímicos e derivados do petróleo. Segundo Aillon, além de relevantes para o agronegócio, parte dos materiais compõem as cadeias de embalagens, têxteis, calçados e autopeças, o que pode forçar a um aumento de preços com o aumento dos custos de importação. Na avaliação de Nyegray, mesmo quando o Brasil não compra diretamente de um país afetado, a restrição logística e o redirecionamento global de cargas elevam preços e alongam prazos. Ele ainda ressalta que, em cenários de estresse prolongado, pode haver impacto na disponibilidade de contêineres e exigência de pagamento antecipado por fornecedores internacionais. De modo geral, Lucena indica que o risco maior, neste momento, não é necessariamente uma ruptura abrupta das importações, mas o encarecimento e a imprevisibilidade dos custos, algo que, na avaliação dos especialistas, pesa proporcionalmente mais para empresas de menor porte, que tendem a operar com margens mais ajustadas. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos de PEGN? É só clicar aqui e assinar!",
"title": "4 impactos da guerra no Oriente Médio para pequenos negócios"
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