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"textContent": "\nCom prêmios recém-conquistados e mudanças programadas para o Golfo, empreendedores brasileiros foram pegos no meio da escalada de tensão no Oriente Médio – e agora aguardam o desfecho do conflito para retomar planos e negociações. Nos últimos dias, países vizinhos ao Irã, como Emirados Árabes Unidos e Catar, foram alvo de bombardeios como retaliação ao ataque dos Estados Unidos e de Israel no último sábado (28/2), que matou o líder supremo do país, Ali Khamenei. Rodrigo Paiva, presidente do LIDE Emirates, aponta que o Irã tem uma relação amistosa com os EAU – onde tem atacado bases norte-americanas – ao mesmo tempo em que os Estados Unidos são parceiros comerciais fortes. Nesta terça-feira (3/3), a embaixada dos EUA em Dubai foi atingida. Initial plugin text Morador de Dubai há 10 anos, onde vive com a esposa e dois filhos, o empresário teme que os conflitos inibam brasileiros de empreender no país. “O brasileiro precisa enxergar a região como alternativa. O mercado norte-americano é forte, mas saturado. Eles buscam por players novos aqui, mas as informações erradas podem danificar a imagem de um parceiro que o Brasil precisa”, opina. Dados do estudo “Brazil Tech Diaspora”, lançado pela Endeavor, indicam que o Oriente Médio foi escolhido por 2% dos brasileiros que deixaram o país para trabalhar. Nos últimos anos, países da região demonstraram interesse por startups brasileiras – empresas entrevistadas por PEGN indicam convites para participar de acelerações e premiações promovidas por órgãos governamentais. 4 impactos da guerra no Oriente Médio para pequenos negócios Esperando a guerra acabar Ronaldo Cohin, CEO e fundador da Jade Autism, estava se preparando para viajar para Abu Dhabi (EAU) na próxima semana para fazer reuniões com potenciais clientes. A startup acaba de receber o prêmio Zayed Sustainability Prize e ele esperava aproveitar a visibilidade da conquista para fechar negócios. “É algo impensável. O país sempre se posicionou como uma terra de diálogo, coexistência. Eu quero acreditar que seja uma situação transitória. O prêmio abriu muitas oportunidades que estão esperando a guerra acabar. O timing é importante porque as conversas diminuem com o passar do tempo”, lamenta. Ronaldo Cohin, CEO e fundador da Jade Autism, após ganhar prêmio nos Emirados Árabes Divulgação Cohin foi pela primeira vez para o país em 2020, em uma missão da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para o GITEX Global, evento anual de tecnologia realizado em Dubai. A Jade Autism, plataforma de educação para crianças neurodivergentes, ganhou a competição de pitch e portas se abriram na região, mas a história mudou quando a startup foi convidada a participar de um programa do governo de Abu Dhabi, que a habilitou para vender no B2G. A startup estabeleceu operação nos EAU e contratou uma pequena equipe local para atender os clientes locais. O fundador viaja com frequência ao país – em 2025, foram seis vezes. Apostando no mercado local, o morador de Vitória (ES) está de mudança programada para Abu Dhabi com a família. “A ideia é ir para lá de mala e cuia em julho. Já tenho toda a parte de documentação, mas agora temos de observar a situação.” Com 200 mil usuários utilizando a tecnologia ao redor do mundo, a Jade Autism cresceu a receita em 2,5x anualmente desde 2021 e vai se apoiar em outros projetos de internacionalização em Portugal e nos Estados Unidos enquanto os conflitos durarem. “Não tem lugar no mundo com dinheiro tão disponível para startups como os Emirados. Nossos principais ovos estão nesta cesta, precisamos que se resolva logo”, conclui. Pego de surpresa Leonardo Braga desembarcou em Doha, capital do Catar, no início de fevereiro para participar de um programa de pré-aceleração promovido pelo banco de fomento local. Depois das atividades, ele esperava descansar no país, mas foi surpreendido pelos ataques do último sábado. Ele conta que estava no shopping quando recebeu um SMS de alerta do governo, orientando para buscar abrigo. Ao retornar para o hotel, ouviu os estrondos dos mísseis sendo interceptados. “Me lembrou o 7 de setembro em Brasília, quando os canhões lançam balas. Senti a mesma reverberação do ar. Vi os riscos no céu, os pássaros voando. Me impactou bastante”, relembra. Os ataques seguiram acontecendo nos dias seguintes, mas ele diz que se sente “relativamente tranquilo” porque a estrutura antimíssil parece estar funcionando. Braga também participou de missões da ApexBrasil para o GITEX Global com a sua startup Indulge Me, que oferece experiências gamificadas com uso de realidade aumentada, visão computacional e recompensas via blockchain para eventos e o setor de turismo, com clientes B2B e B2G. Foi no evento que ele ficou sabendo sobre a oportunidade no Catar: de 120 empresas, a brasileira foi uma das oito selecionadas para o programa, que contempla um pré-seed do banco, com a contrapartida de abrir a empresa em Doha. Leonardo Braga durante uma das participações no GITEX Global, em Dubai (EAU) Acervo pessoal “Agora estou aqui para consolidação da minha residência e prospecção de negócios e fui pego de surpresa”, afirma. Ele prevê permanecer no país até junho. “Eu quero muito abrir portas para outros brasileiros. As oportunidades por aqui não afloram se não tomar a coragem de vir. O Brasil está em um bom momento de visibilidade externa, eles se surpreendem com nossas soluções. Temos tudo para estreitar os laços com os países do Golfo”, opina. Por que os Emirados Árabes entraram no mapa de internacionalização das startups brasileiras Situação de emergência O carioca Shaul Shashoua se mudou para Israel aos 19 anos, onde se formou em engenharia da computação e trabalhou por anos na área de semicondutores. Atuando de perto no ecossistema de tecnologia do país, ele percebeu o potencial das soluções locais para os negócios brasileiros e fundou a IBI-Tech há 10 anos. A empresa atua como representante de grandes companhias brasileiras que querem inovar com as tecnologias desenvolvidas em Israel. Entre as atendidas estão nomes como BRF, Raízen, Ultragaz, Hospital Israelita Albert Einstein, Braskem e Suzano. A empresa também atua no caminho contrário, com empresas tecnológicas israelenses que querem entrar no mercado brasileiro. “Todas as startups que nascem em Israel precisam globalizar rapidamente porque é um país pequeno. O Brasil sempre foi um mercado atrativo”, aponta. Shaul Shashoa (primeiro à esquerda) com convidados do Hospital Albert Einstein em Israel Acervo pessoal O país vive em conflito armado desde outubro de 2023, quando o Hamas fez um atentado na Faixa de Gaza. Shashoua comenta que os desdobramentos atuais não vieram de surpresa: os israelenses acompanharam as forças que os norte-americanos enviaram para a região e se prepararam para a escalada dos ataques. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atacado instalações governamentais e militares israelenses em Tel Aviv. “O país está em situação de emergência desde sábado. Não tem voos, não tem escola, não saímos de casa. É uma situação tensa, mas acreditamos que deve durar entre 15 e 30 dias”, afirma. Com a experiência do lockdown na pandemia e a interrupção de visitas de empresas a Israel para conhecer o ecossistema, o empreendedor fundou outra startup: a CyberGate, de cibersegurança, foi fundada há um ano e opera no Brasil distribuindo soluções israelenses no país e na América Latina. 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"title": "Conflito no Oriente Médio coloca planos de startups brasileiras em compasso de espera"
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