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  "textContent": "\nApós deixar o comando da fintech a55, especializada em investimentos para empreendedores da nova economia, Hugo Mathecowitsch voltou ao mercado com uma tese pouco convencional: criar zonas econômicas digitais capazes de atrair empreendedores além das fronteiras físicas. A Tools for the Commons acaba de render um pré-seed de R$ 10 milhões. A tese atraiu o fundo 468 Capital; o ecossistema de deep techs Sthorm; a Tanssi, infraestrutura para contratos inteligentes; a Coins, carteira digital multimoedas; o Grupo OSPA, maior holding de cidades inteligentes do Brasil. A startup teve apoio do escritório de advocacia Pinheiro Neto via seu programa de aceleração e também conquistou cheques de investidores-anjo como Stéphane Lopes, sócio do Grupo Mata; e Caetano Lacerda e Raphael Dyxklay, fundadores da Barte. O plano é acelerar a criação de zonas econômicas digitais e físicas capazes de oferecer ambientes regulatórios diferenciados para empreendedores. Na prática, a empresa atua como operadora e distribuidora dessas zonas, estruturando desde a governança jurídica até a infraestrutura tecnológica necessária para atrair residentes e empresas. Initial plugin text Hoje, duas regiões utilizam a tecnologia da startup: Zanzibar, na África, e Honduras, na América Central. O objetivo é transformar esses territórios em polos capazes de competir globalmente pela atração de negócios ligados à nova economia. “Queremos criar Delawares [estado conhecido por ser um paraíso fiscal nos EUA] em mercados emergentes, não apenas com a questão fiscal, mas eventualmente adaptado à nova economia, com centros de inteligência artificial e data centers”, acrescenta. Para a infraestrutura, o fundador afirma que o investimento será feito com o capital de grupos privados, por meio de parcerias. Enquanto buscava um novo desafio após deixar a a55, Mathecowitsch teve contato com o conceito apresentado em “The Network State”, livro escrito por Balaji Srinivasan, ex-CTO da Coinbase, que propõe a criação de comunidades e ambientes econômicos organizados digitalmente, para além das fronteiras físicas. Ele decidiu adaptar a ideia para mercados emergentes, apostando em zonas capazes de atrair empresas e empreendedores com regras próprias e infraestrutura tecnológica. Zonas econômicas especiais existem há décadas, mas tradicionalmente foram voltadas a indústrias da economia tradicional. A diferença agora, segundo o fundador, é que empresas digitais podem operar na nuvem e escolher ambientes regulatórios mais eficientes sem depender de presença física. “A governança é a maior indústria do mundo e muitas vezes não enxergamos assim. É a única que não tem concorrência, se você reside em um CEP, não pode escolher a infraestrutura pública de outros países. Dá para paquerar alguém, aprender com um local, mas abrir uma empresa não é fácil assim”, aponta. Mathecowitsch cita o exemplo da Estônia. O país, com cerca de 1,4 milhão de habitantes, estabeleceu o programa de residência digital que atraiu cerca de 135 mil usuários e 40 mil empresas. “A nossa plataforma oferece mais de um país oferecendo benefícios de residente sem precisar morar lá, com portabilidade entre eles. Temos mais funcionalidades, então acredito que seja factível bater a Estônia”, pontua. Veja também A startup funciona como um marketplace de jurisdições. Governos interessados em atrair empresas procuram a Tools for the Commons para estruturar zonas digitais. Dependendo do caso, a empresa atua desde o início do processo, ajudando a escrever constituições específicas, desenhar órgãos reguladores digitais e estruturar a operação antes da chegada dos primeiros usuários. Em outros cenários, a atuação é mais comercial: a startup apenas promove zonas já existentes que enfrentam dificuldades para atrair residentes ou investimentos internacionais. Segundo o fundador, o ciclo de implantação pode variar entre um e quatro anos, dependendo da legislação local e da negociação com autoridades públicas. “Aprendemos a navegar nesses ciclos e a não opor mercado e governo, mas uni-los. Muitos países querem mais soberania digital e não perder o trem da inteligência artificial e das novas tecnologias”, diz. A Tools for the Commons monetiza de três formas: uma taxa de setup inicial, para montar os primeiros protótipos com advogados e programadores; o pagamento da assinatura por pessoas e empresas para manter a residência; e a cobrança de uma taxa pela infraestrutura, como um imposto pelas transações orquestradas pela startup – o fundador imagina que 90% da receita virá dessa frente. Mathecowitsch conta que, inicialmente, a tese atraiu anjos, mas que fundos com foco em diferentes verticais passaram a apostar na startup – na opinião dele, a confiança em seu background foi determinante. O pré-seed será direcionado para o marketing para atrair usuários interessados no modelo, melhora do produto e atração de novas zonas. O fundador afirma que mais de 20 zonas estão no pipeline. “Ficamos dois anos na caverna, conversando com os governos. Por mais que seja um processo longo, criamos expertise e uma marca forte.” Ele acredita que o Brasil tenha fit com o modelo, do lado de usuários pela mentalidade empreendedora e alta adoção de tecnologia. Do lado da implementação de zonas no país, o fundador destaca o posicionamento geopolítico, sem conflitos. Algumas possibilidades já estão em análise, segundo o fundador, como as zonas de processamento e exportação (ZPE), áreas de livre comércio com o exterior, de Ilhéus (BA), São José dos Campos (SP), Parnaíba (PI) e Complexo do Pecém (CE). “Poucas indústrias do Brasil conseguiram destaque mundial. Temos todos os ingredientes para criar um líder global de categoria nessa nova indústria. Para mim, seria uma continuidade lógica do que já conquistamos com as fintechs”, conclui. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos de PEGN? É só clicar aqui e assinar!",
  "title": "Ex-CEO da a55 volta a empreender com startup que cria zonas econômicas digitais"
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