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Como salão de beleza que nasceu em um supermercado no Pará virou rede de R$ 23 milhões

Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial] February 20, 2026
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Na galeria de um supermercado em Belém (PA), Jéssica Hasegawa se esforçava para chamar a atenção do público. Ela não apenas distribuía panfletos e fazia promoções especiais, como também vestia fantasia de personagens como Batman para convidar possíveis clientes a conhecer seu salão de beleza. Segundo o marido e sócio, Helyezer Hasegawa, foi justamente esse jeito descontraído que fez o Hasegawa Studio de Beleza sair de um pequeno espaço na galeria para se tornar a marca que é hoje: uma rede com 10 salões multisserviços — um próprio e nove franqueados — além de um spa e uma barbearia, ambos próprios. Curiosamente, esse mesmo jeito de Jéssica não trouxe bons resultados quando, anos antes da abertura do primeiro salão, em 2018, ela tentou trabalhar com o marido. Hoje, eles lembram da história em tom de brincadeira: ele chegou a demiti-la de seu escritório de contabilidade por ela conversar demais com os colegas. Atualmente, porém, é justamente essa característica que faz com que os clientes se sintam acolhidos e voltem ao salão. Em 2025, a franqueadora abriu sua primeira unidade fora de São Paulo e iniciou uma expansão nacional a partir da capital paulista, utilizando a unidade própria do Shopping Plaza Sul como vitrine e modelo de gestão para novos franqueados. No ano passado, o faturamento da rede Hasegawa atingiu R$ 23 milhões. De um salão em más condições a um negócio de sucesso Em janeiro de 2018, o casal adquiriu o primeiro salão em uma galeria do Supermercado Formosa, em Belém. “O negócio estava em péssimas condições de higiene e gestão”, conta Helyezer. A compra aconteceu de forma inesperada, por meio de uma cliente do escritório de contabilidade dele. Ela enfrentava dificuldades para administrar o negócio e decidiu vendê-lo. Inicialmente, Helyezer recusou a oferta, já que a proprietária pedia R$ 80 mil — valor que ele não tinha. Meses depois, porém, ela voltou com uma proposta facilitada: venda parcelada, sem entrada e com o primeiro pagamento apenas após um mês de operação. “Quase não apareciam clientes. Quando assumimos, o salão era sujo, cheio de baratinhas e em péssimas condições”, lembra o empresário. Após assumirem o negócio e melhorarem a estética do local, Jéssica trouxe inovações, como servir chá e bolo aos frequentadores e promover ações de marketing com cosplays e bandas de carnaval para atrair o público do supermercado. O faturamento saltou de R$ 25 mil para R$ 32 mil já no primeiro mês e continuou crescendo. Leia também O sucesso levou o casal a entrar de vez no ramo da beleza. Em 2019, eles compraram mais um salão, desta vez no Parque Shopping Belém. Para garantir o ponto, assumiram as dívidas de aluguel da antiga proprietária. Expansão mesmo durante a pandemia A pandemia de covid-19 trouxe grandes desafios para o casal, mas também exigiu decisões estratégicas que garantiram não apenas a sobrevivência, como a expansão do negócio. Com o crescimento dos salões, Helyezer cogitava abandonar o escritório de contabilidade, mas foi desencorajado por Jéssica. A decisão se mostrou essencial: quando os shoppings fecharam e o faturamento dos salões zerou, a família se sustentou com a renda do escritório. O conhecimento financeiro também foi fundamental. O salão conseguiu manter as contas em dia e pagar fornecedores à vista, o que deu fôlego para quitar as últimas obrigações antes do fechamento total. Helyezer destaca ainda que a redução do aluguel pelos shoppings — para quase um quarto do valor original — e as políticas de crédito do governo federal ajudaram a aliviar os custos. Nesse período, a criatividade de Jéssica voltou a fazer diferença. Uma das estratégias mais inusitadas foi a venda de máscaras de proteção. Helyezer tinha um cliente no escritório de contabilidade que era representante comercial e lhe devia dinheiro; ele aceitou quitar a dívida com máscaras. O casal montou um grande estoque, e as vendas ajudaram a pagar as obrigações com o shopping. Após cerca de quatro meses, o salão reabriu com restrições, mas o fluxo de clientes voltou com tanta força que o espaço logo ficou pequeno. Em vez de recuar diante da incerteza da pandemia, o casal decidiu ampliar o salão no Parque Shopping. A aposta deu certo e resultou em faturamento ainda maior. Assim, em 2021, a rede já estava pronta para inaugurar a terceira unidade, no Shopping Metrópole. O volume de trabalho se tornou tão grande que Helyezer decidiu se dedicar integralmente ao negócio. “Resolvi deixar a contabilidade para focar apenas no salão de beleza, porque percebi que havia algo muito promissor ali”, afirma. A empresa familiar que passou a ser rede de franquias Para Helyezer, 2023 foi o “ano de ouro” do Hasegawa Studio de Beleza. A rede inaugurou quatro novas unidades, e uma delas — no Shopping Boulevard — teve sucesso imediato, faturando R$ 300 mil já no primeiro mês. Não demorou para que o casal começasse a considerar o modelo de franquias. “As pessoas perguntavam se os salões eram franquias, porque estávamos presentes em vários shoppings. Eu respondia que não, que ainda era uma empresa familiar”, conta Helyezer. O primeiro passo nesse modelo ocorreu quando o Shopping Castanheira convidou a marca para abrir uma unidade. Como o casal já estava sobrecarregado com as inaugurações, uma cabeleireira de uma das unidades decidiu empreender com eles. Para viabilizar o projeto, Helyezer buscou ajuda técnica. “Fui ao Sebrae e contratei uma consultoria para estruturar o modelo de franquia”, lembra. Enquanto a obra da nova unidade avançava, a consultoria desenvolvia o formato do negócio. Assim, em 2023, o Castanheira se tornou a primeira unidade franqueada da rede. A unidade do Shopping Metrópole, que inicialmente era própria, também foi convertida em franquia. Os compradores foram um casal de clientes que acompanhava o crescimento da marca e morava no mesmo condomínio que Helyezer e Jéssica. A expansão por franquias permitiu que a rede praticamente ocupasse todos os grandes shoppings de Belém, chegando ao último que faltava: o Grão-Pará. A unidade foi inaugurada no último dia de 2024 por um novo franqueado interessado. O investimento inicial para se tornar um franqueado da Hasegawa é a partir de R$ 380 mil, com retorno previsto a partir de 18 meses. Apesar da alta procura, o casal adotou critérios rigorosos para selecionar parceiros, priorizando perfil e engajamento — o “brilho nos olhos” — mais do que o capital financeiro. Jéssica afirma que já recusou vários candidatos. “Muita gente tem dinheiro e quer abrir o salão, mas a gente diz não quando percebe que a pessoa não tem o perfil. 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