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Carnaval de Salvador: Blocos afro produzem milhares de fantasias e movimentam economia

Pequenas Empresas & Grandes Negócios [Unofficial] February 14, 2026
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Nos circuitos do Carnaval de Salvador (BA), os blocos afro percorrem às ruas com indumentárias e trajes que refletem tradição, ancestralidade e valorização da cultura afro-brasileira. Para além da força cultural, as instituições impactam a economia local por meio das diferentes cadeias de produção que envolvem a confecção das vestimentas. Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA), os setores de comércio e turismo devem movimentar R$ 12,4 bilhões neste mês de fevereiro, representando um aumento real de 6% na comparação com o mesmo período do ano passado. A expectativa é que a capital baiana receba mais de 1,2 milhão de turistas durante o período carnavalesco, conforme projeção da Superintendência de Fomento ao Turismo. Só o Ilê Aiyê – primeiro bloco afro do Brasil fundado no bairro da Liberdade –, por exemplo, produziu mais de 3 mil fantasias. Neste ano, são celebrados 52 anos de desfiles com o tema "Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá". Além das cores do bloco (vermelho, amarelo, branco e preto), as peças carregam a simbologia de estampas criadas especialmente para o período. Dete Lima, artista plástica, diretora e estilista do Ilê Aiyê, é a responsável pelo processo de criação dos figurinos. Ela conta que as peças são produzidas na Senzala do Barro Preto, sede do bloco afro. "Toda a etapa de corte e confecção acontece aqui. Montamos o ateliê e ainda fazemos a distribuição", conta. Sobre a escolha do tema, Lima diz que o processo é compartilhado com o artista e designer Raimundo Souza dos Santos, conhecido como Mundão, e os compositores da banda. Os modelos são pensados tanto para as mulheres quanto para os homens que desfilam nos cortejos. "Mundão faz a estamparia dos tecidos e eu crio os modelos das roupas. Esse processo acontece depois de uma pesquisa e da minha espiritualidade", conta ela, reforçando que os estudos começam por volta de abril do ano anterior ao Carnaval. Ela ainda pontua que o mistério é algo que acompanha as fantasias, já que as peças só podem ser vistas durante a entrega realizada na sede do bloco. Os modelos custam R$ 1 mil. "Gostamos muito de fazer surpresa porque mexe com a expectativa do associado. O básico é a bata e calça para os homens, mas sempre estamos mudando alguma coisa nas peças para mulheres", diz. Para a confecção das peças deste ano, a artista conta que é necessário quase 30 mil metros de tecido, considerando as variedades de tamanhos das peças que contemplam diversos biotipos. A equipe conta com cerca de 30 pessoas. "Contratamos pessoas da própria comunidade e alunos que fizeram o curso do nosso instituto. É um momento importante também para gerar emprego e renda", afirma. Initial plugin text O Ilê Aiyê vai desfilar nos três dias de desfile no Carnaval de Salvador. A tradicional saída do bloco será realizada neste sábado (14/2), a partir das 20h, no Terreiro Ilê Axé Jitolu. O local escolhido tem ligação direta com a história da instituição e com a ialorixá Mãe Hilda, que é matriarca dos fundadores do Ilê Aiyê. O cronograma de desfiles segue na segunda e na terça-feira (16 e 17 de fevereiro), no Circuito Osmar, no bairro do Campo Grande. Leia também O Cortejo Afro é outro exemplo. Fundado no ano de 1998, nasceu no bairro de Pirajá, em Salvador. Assim como o Ilê Aiyê, o bloco possui forte ligação com o candomblé por meio do Terreiro Ilê Axé Oyá, sob orientação de Mãe Santinha e idealizado pelo artista plástico Alberto Pitta. Com o tema Bahia Benin - Reino de Daomé, o Cortejo Afro estreou seu primeiro desfile do Carnaval deste ano nesta sexta-feira (13/2), no Circuito Osmar, no bairro do Campo Grande. Alberto Pitta, artista plástico e fundador do bloco, ressalta que a ideia surgiu do trabalho de pesquisa e constatação da forte conexão cultural e histórica do país da África Ocidental com a Bahia. "São vários motivos para ter escolhido esse tema, sobretudo pela relação do Benin com a Bahia, pelo fato de ter vindo muitas pessoas escravizadas para cá, pela questão religiosa e estética", diz. Pitta relata que dá início ao processo criativo antes de o Carnaval acabar. "Começo a pensar no próximo. Esse é o primeiro ano em que o cortejo Afro homenageia um país africano", ressalta. Initial plugin text Um dos destaques das peças do bloco é a estampa desenvolvida com base no tema escolhido. Pitta reforça que a história é contada por meio dos tecidos. "As fantasias do Cortejo Afro vem com esses emblemas, com o tecido escrito falando de forma mais didática", pontua. A produção das peças é feita no ateliê do artista plástico e conta com a atuação da equipe de cerca de 20 pessoas, considerando corte, costura e montagem das alegorias. "A produção é concentrada aqui em Pirajá. Temos costureiras do bairro, mães dos nossos alunos do Instituto Oyá, onde temos mais de 90 crianças", afirma ele, explicando a abordagem social do bloco afro. Neste ano, Cortejo Afro produziu cerca de 2,5 mil fantasias. São mais de 10 mil metros de tecido utilizados na confecção. Os figurinos custam R$ 350. Ele ainda acrescenta que a produção envolve as peças usadas pelos foliões e pela banda, que conta com 100 integrantes. O bloco ainda desfilará no domingo (15/2), no Circuito Osmar, no Campo Grande; e na segunda-feira (16/2), no Circuito Dodô, nos bairros da Barra e Ondina, em Salvador. Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar!

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