França: Saint-Tropez tem um segredo com sessenta anos de história
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June 28, 2026
Venho a Saint-Tropez desde criança. Não sei dizer quantos verões passei naquela estrada sinuosa que desce da Provence em direção à península, minha família parando na praia de Pampelonne quando havia menos de tudo : menos marcas, menos música, menos gente tentando provar que estava se divertindo. As dunas ainda existiam de verdade. O rosé chegava sem cerimônia, numa garrafa sem rótulo fancy, e era o melhor do mundo. O ambiente externo do Épi Elia Kuhn Antes dos anos 1950, Saint-Tropez era um pequeno porto de pesca no sul da França, com uma reputação artística construída pela luz excepcional do Mediterrâneo que havia atraído Signac e Matisse, um vilarejo quase secreto onde o tempo passava de outro jeito. Tudo mudou quando Roger Vadim filmou Et Dieu créa la femme em 1956 na praia de Pampelonne, transformando Saint-Tropez de simples vilarejo em destino do turismo internacional. Brigitte Bardot tinha 22 anos e seu coração já vibrava por Saint-Tropez há muito tempo. Ela vinha de férias em família desde a infância, e o lugar se tornaria para sempre o seu reino. No rastro do filme, Saint-Tropez se tornou nos anos 1960 o lugar onde se exibiam os novos estilos copiados no mundo inteiro, uma fonte de inspiração de que Bardot, como verdadeiro sex symbol, era o ícone absoluto. O mundo inteiro quis chegar perto, e é aí que o Épi Club entra na história e nela permanece. O serviço de motorista do Épi Elia Kuhn No verão de 1959, o empresário Albert Debarge e o noctâmbulo parisiense Jean Castel escolheram um canto de dunas em Pampelonne para criar este lugar. A atmosfera descontraída do clube diurno captou instantaneamente uma clientela privilegiada, seduzida pela festa e pelo caráter intimista do lugar. Não era um hotel, era um refúgio para quem já tinha tudo e precisava, acima de tudo, de discrição. Brigitte Bardot, Johnny Hallyday, Catherine Deneuve, Serge Gainsbourg, Audrey Hepburn, Alain Delon, Georges Pompidou: todos passaram por aqui. Propriedade da mesma família desde 1972, o Épi Club foi adquirido em 2018 pela família McCourt, que o reformou com inteligência e mão leve, confiando o projeto à designer Monica Damonte e ao paisagista californiano Madison Cox. O resultado é mesmo raro: um lugar que evoluiu sem se trair. O quarto do Épi Club Elia Kuhn Hoje o Épi continua não parecendo um hotel, porque não é mesmo. É um clube com alguns quartos: nove bungalows dispostos entre pinheiros e vegetação mediterrânea, ao redor de duas piscinas de 21 metros, com acesso direto à praia de Pampelonne. É justamente essa escala quase irracional que torna o serviço literalmente inalcançável para qualquer grande hotel: te chamam pelo nome desde a chegada, o chef prepara o que você quiser, há hóspedes suficientes para que cada prato seja uma conversa. Uma das piscinas do Épi em Saint-Tropez Elia Kuhn O conforto é impecável sem nunca virar ostentação. Madeiras claras, materiais naturais, chuveiro aberto ao céu no pátio privativo. Uma das duas imensas piscinas carrega décadas de histórias: foi ela que inspirou Jacques Deray a filmar La Piscine com Alain Delon e Romy Schneider, aquele filme de tensão e desejo numa villa de verão que todo francês conhece. Há duas quadras de tênis de saibro, spa com Biologique Recherche, deck de yoga, academia com Technogym, seabobs, bikes elétricas para percorrer os caminhos da costa. À noite, um chauffeur privativo leva até o vilarejo e você volta quando quiser, com o Épi esperando quieto, sem música alta, sem performance. É a diferença que o separa de tudo que foi se instalando ao redor, e tomara que os beach clubs vizinhos aprendam um dia a baixar o volume, porque o chique verdadeiro não grita. As duas quadras de tênis do Épi Elia Kuhn Há raros lugares no mundo onde quase três gerações construíram um mito sem destruí-lo. Voltei a Pampelonne olhando para aquele caminho de areia entre os pinheiros e entendendo que Saint-Tropez ainda existe exatamente ali, atrás daqueles portões brancos, com nove quartos e sessenta anos de história guardados como se guardam as coisas que importam: com cuidado e com a convicção de que o luxo verdadeiro é, acima de tudo, discreto.
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