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"publishedAt": "2026-06-20T19:13:20.000Z",
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"textContent": "\nDo subúrbio carioca a Kashima, no Japão, o documentário Zico, o Samurai de Quintino chegou aos cinemas no fim de abril com cenas inéditas e íntimas de Zico, 73, um dos maiores nomes da história do futebol e ídolo absoluto do Clube de Regatas do Flamengo, no qual atuou entre as décadas de 1970 e 1980 até partir para o futebol japonês. uteA seleção japonesa volta a jogar pela Copa do Mundo 2026 neste domingo (21) contra a Tunísia em Monterrey, no México, após empatar com a Holanda em Dallas, nos Estados Unidos. Zico conhece bem a trajetória dos japoneses muito antes dos jogadores japoneses ganharem destaque na competição mundial. E também faz questão de desmistificar alguns mitos em relação aos atletas do país, especialmente o da disciplina rígida. \"Os japoneses eram bons de bola, mas sem caráter profissional. Disciplinados, trabalhadores, mas fumavam vários cigarros, bebiam muito, iam para a farra\", relembra sobre a chegada como jogador e diretor técnico no Japão nos anos 90, quando recebeu a missão de elevar o esporte no país. Dirigido por João Wainer, o filme narra a jornada do Galinho da categoria de base ao status de lenda que ajudou a reinventar o futebol nipônico no início dos anos 1990, quando foi jogar no Sumitomo Metals SC, hoje Kashima Antlers. Aposentou-se dos gramados em 1994 para, dois anos depois, virar diretor técnico do time asiático, cargo que, após uma longa pausa, retomou em 2018. A experiência o levou a alcançar a liderança da Seleção Japonesa de Futebol entre 2002 e a Copa do Mundo FIFA de 2006. Leia a entrevista com Zico sobre a aventura no Japão com exclusividade à GQ Brasil na edição junho/julho, com Endrick na capa. ROUPA SUJA Em Kashima, levei a equipe japonesa para uma pré-temporada no Brasil a fim de dar um norte sobre o que era preciso fazer em termos de infraestrutura. Mostrei como funcionava o trabalho de um roupeiro, de um massagista. O departamento médico deles se baseava na acupuntura, bem amador. Todos precisavam lavar o próprio uniforme. Eu lavava o meu sem problema nenhum. Lá existe um respeito grande aos mais velhos, que mandavam os mais novos levarem suas roupas a lavanderias públicas. Só que os jovens nem conseguiam jantar. Os garotos ficavam com medo de reclamar com o treinador, mas falei que todos deveríamos lavar nossos uniformes. Os mais velhos ficaram pau da vida comigo, mas disse: “Pô, eu tenho todo o meu currículo e lavo. Por que vocês não podem?”. FARRA JAPONESA Os japoneses eram bons de bola, mas sem caráter profissional. Disciplinados, trabalhadores, mas fumavam vários cigarros, bebiam muito, iam para a farra. E eles bebem mesmo! Cerveja, uísque, saquê. Há restaurantes e bares onde cada um tem uma garrafa de uísque com o próprio nome e risca em um papelzinho o número de doses. Eles sugam que é uma beleza. Consegui fazê-los entender que cigarro e bebida não combinam com atleta profissional. Hoje, os esportistas mais jovens raramente fumam, mas ainda são chegados em um saquê. ROTINA NIPÔNICA No Japão, eu não morria de fome e nem me perdia: sabia ler nas placas as palavras “saída”, “Tóquio” e “Kashima”. Tudo lá é feito para preservar a vida do ser humano: o transporte, as construções, o dia a dia. Tudo para evitar qualquer situação que provoque um acidente. É uma das razões de os japoneses durarem muito. PONTE AÉREA Minha família já estava um pouquinho acostumada, mas foi ainda pior quando me mudei para o Japão, em 1991. Saía do Brasil na sexta, passava o fim de semana e voltava na segunda. São doze horas de diferença. Eu pousava no mesmo horário em que havia saído. Você fica biruta! Em Kashima, não havia escola internacional para matricular meus filhos. Consegui uma em Tóquio, em 1992. Eu viajava 110 quilômetros todos os dias de Kashima até a capital. Quando o treino era muito cansativo, arrumava um quarto e dormia na concentração. Meu filho mais velho reclama até hoje (Zico é pai de três rapazes), diz que preferia ter sido neto do que filho, com razão. Eu passava praticamente o ano todo fora de casa. Zico: \"Quis parar de jogar e avisei meu pai. Senti nele uma tristeza muito grande. Eu era o único dos filhos no Flamengo, seu time de coração\" Catarina Ribeiro/Divulgação Leia mais na GQ Brasil Zico: \"Não basta nascer com talento\" Catarina Ribeiro/Divulgação Onde adquirir a GQ Brasil de junho/julho - Especial Copa! Endrick é capa da GQ Brasil de junho GQ Brasil A edição de junho da GQ Brasil, com Endrick na capa, chega às bancas nesta sexta (12) e já está disponível no aplicativo Globo+ e na loja virtual, com entrega para a Grande São Paulo e para Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Porto Alegre e Campinas. Você também pode comprá-la pela internet aqui.",
"title": "'Eram chegados num saquê': Zico desmistifica ideia de 'disciplina' de jogadores japoneses e relembra bastidores de ida ao Japão nos anos 90"
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