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"textContent": "\nBangkok não se entrega fácil, mesmo. A cidade exige. O trânsito pode parar por horas, o calor úmido pesa como uma segunda camisa, os templos se sucedem até que você perca a conta e os mercados noturnos transbordam em cheiros que não têm nome em nenhuma outra língua. Há uma energia aqui que cansa e seduz em igual medida, que faz o viajante questionar se está descobrindo a cidade ou sendo devorado por ela. E então você fecha a porta do quarto, o ruído some. O rio aparece pela janela, ou o skyline, ou o jardim com a piscina que ninguém vai usar antes das onze da manhã. E Bangkok, de repente, parece outra coisa. Três hotéis, três filosofias completamente distintas, uma única certeza: a maneira como você decide se hospedar aqui muda radicalmente a maneira como você vai viver nesta cidade. Park Hyatt Bangkok O Park Hyatt Bangkok Divulgação Há hotéis que ficam no centro turístico e outros localizados no centro real. O Park Hyatt Bangkok é o segundo tipo. Erguido sobre o Central Embassy, em Phloen Chit, o coração financeiro da capital tailandesa, o hotel não está onde os turistas chegam primeiro. Está onde Bangkok trabalha, negocia e vive sua vida diária de alta altitude. A conexão direta com a estação BTS Skytrain, a dois passos do lobby, resolve de um golpe o problema mais frustrante da cidade: o trânsito que pode transformar sete quilômetros em quarenta minutos ou em duas horas, sem aviso. Charles Piriou no Park Hyatt Bangkok Divulgação O design do hotel conversa com essa vocação urbana sem jamais abrir mão da elegância. Tons neutros, madeiras claras, mármore discreto, estátuas de Buda em posições inesperadas, pinturas que citam a tradição tailandesa sem nunca virar souvenir. Os quartos, com janelas do chão ao teto, entregam vistas sobre o skyline de Bangkok que rivalizam com os melhores endereços de Hong Kong e Tóquio. A piscina no nono andar parece estar suspensa sobre a cidade, e essa ilusão de levitação urbana é exatamente o que você busca depois de um dia que começou às seis da manhã no mercado de flores. O Park Hyatt Bangkok Divulgação No topo do edifício, do 34º ao 36º andar, o Penthouse Bar + Grill divide-se em seis espaços distintos. Salão principal, chef 's table, bar de coquetéis, mezanino, rooftop e o Depth of Blue Room, uma sala íntima de azul profundo que não aparece nos guias. As vistas são o tipo que fazem as pessoas pararem de falar. O serviço, em todo o hotel, é o tipo raro que antecipa sem performar: os funcionários sabem o que você precisa antes de você formular o pedido, e nunca fazem disso um show. O Park Hyatt Bangkok tem algo de confidencial. Menos turístico, mais urbano, completamente adulto. Quem fica aqui não está visitando Bangkok, está habitando a cidade por dentro, sem que a cidade precise saber. parkhyatt.com Capella Bangkok O quarto do Capella Bangkok Divulgação Em 2024, o Capella Bangkok foi eleito o melhor hotel do mundo pelo The World's 50 Best Hotels. Em 2025, voltou ao top 3 da mesma lista. Esses números importam não como credenciais de marketing, mas como dado jornalístico: há algo acontecendo aqui que vale a pena entender. O hotel tem apenas 101 acomodações. Num mercado em que a grandiosidade costuma ser confundida com excelência, essa contenção é uma declaração de princípios. As suítes, entre 95 e mais de 200 metros quadrados, têm salas separadas, banheiros inundados de luz natural e varandas de onde o rio Chao Phraya é o único horizonte possível. As sete vilas no térreo possuem jardim privativo e piscina a centímetros da água do rio, com espreguiçadeiras onde as manhãs tendem a se prolongar além do planejado. O check-in acontece na biblioteca, com uma taça de espumante e, claro, sem pressa. Na Living Room, bebidas e petiscos estão disponíveis gratuitamente ao longo de todo o dia, numa generosidade que os hotéis de luxo raramente praticam e que aqui parece óbvia, como se não pudesse ser de outra forma. O spa do Capella em Bangkok Divulgação O spa Auriga Wellness opera em sete salas de tratamento, duas delas configuradas para casais, num jardim recolhido junto ao rio que parece pertencer a outro tempo. Os terapeutas trabalham com ingredientes tailandeses frescos, feijão mungo, gergelim negro, arroz riceberry, em rituais que não se apressam e são minuciosamenre pensados. Há uma piscina de vitalidade, sauna, banho a vapor e uma área de relaxamento que convida a não fazer absolutamente nada por períodos que você não conseguiria explicar para o seu chefe. No Capella, Davide Garavaglia e Mauro Colagreco Divulgação À mesa, o Côte by Mauro Colagreco carrega duas estrelas Michelin e a filosofia do chef argentino, o primeiro não francês a conquistar três estrelas na França, celebrada no Mirazur, em Menton, número um do mundo em 2019. Interiores luminosos, vista panorâmica para o Chao Phraya, e um menu carte blanche de nove pratos sem roteiro anunciado: você chega, senta, e a cozinha decide. O chef executivo Davide Garavaglia, italiano formado no próprio Mirazur, trabalha com ingredientes locais que chegam do mercado naquele mesmo dia. É uma das experiências gastronômicas mais completas de toda a Ásia. Mas o que torna o Capella verdadeiramente diferente não é nenhuma dessas coisas. É o fato de que, na segunda vez que você passa pela recepção, alguém já sabe seu nome, sua bebida preferida e se você gostou mais do jardim ou da varanda. Num hotel de cem suítes, isso é possível. Num hotel de quinhentos quartos, não é. Essa é a aritmética do Capella: menos espaço, mais atenção. Você não é hóspede aqui, você é cuidado. E há uma diferença enorme entre as duas coisas. capellahotels.com Four Seasons Bangkok at Chao Phraya River O Four Seasons Bangkok Divulgação A menos de dois minutos do Capella, vizinhos num mesmo complexo de 14 hectares às margens do Chao Phraya, o Four Seasons Bangkok é uma proposta completamente diferente. Com 299 quartos e suítes distribuídos por uma série de edifícios em cascata atravessados por pátios internos, jardins tropicais e espelhos d'água, o hotel abraça sem pudor o conceito de resort urbano. Não há nostalgia nem contenção aqui: o Four Seasons decidiu ser grande, vivo, hospitaleiro na acepção mais generosa da palavra, e executa essa decisão com uma precisão notável. A recepção do Four Seasons Bangkok Divulgação O rio está em toda parte. O café da manhã acontece à beira do Chao Phraya, com aquela vista de barcaças lentas e templos que emergem da névoa matinal, num buffet que os hóspedes repetem todos os dias sem se cansar. As piscinas, três ao total, incluem duas infinity pools temperadas e uma de 35 metros para nado, todas voltadas para a água, todas com aquela luz de fim de tarde que faz qualquer foto parecer editada. A academia é tão bem equipada que dá vontade de voltar várias vezes por dia, o que acontece mais do que se esperaria. O spa Urban Wellness Centre embaralha técnicas contemporâneas com rituais tailandeses de séculos, num espaço que não tem pressa. Revistas Newsletter O Four Seasons Bangkok Divulgação À mesa, o chef francês Guillaume Galliot, três estrelas Michelin conquistadas no Caprice do Four Seasons Hong Kong, comanda o Palmier: uma brasserie leve e elegante onde os clássicos franceses ganham precisão sem perder alma, com a varanda sobre o rio como cenário improvável para um terrine de foie gras. Mas o coração noturno do hotel tem outro nome. O BKK Social Club, inspirado na arquitetura Art Nouveau das grandes capitais da América Latina, foi eleito o melhor bar da Ásia pela lista Asia's 50 Best Bars por três anos consecutivos, de 2022 a 2024, e figura entre os doze melhores do mundo. A guacamole preparada na hora, em almofariz de mármore, ao som de música latina numa cidade tailandesa, é um espetáculo pequeno e perfeitamente desnecessário. É completamente irresistível. BKK Social Club em Babgkok Divulgação No Four Seasons Bangkok, você não observa a cidade de dentro de um quarto. Você faz parte dela. Essa sensação de pertencimento, num lugar tão intenso quanto Bangkok, é um luxo que não aparece no preço da diária. fourseasons.com/bangkok",
"title": "Bangkok: três hotéis, uma cidade"
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