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"textContent": "\nO risco de sofrer alguma complicação cardíaca é até 16% maior para quem acompanha um jogo do Brasil em Copa do Mundo, relatam cientistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O estudo, publicado em 2014, considerou o número de internações por problemas do coração nos hospitais do país nos Mundiais de 1998 a 2010. Ainda segundo a instituição, internações do tipo sobem 9% em média no período de Copa do Mundo. Ver a seleção de seu país perder ou vencer, naturalmente, faz a diferença. Em 2002, estudiosos ingleses da Universidade de Bristol se debruçaram sobre a campanha da Inglaterra na Copa do Mundo de 1998, incluindo a tétrica derrota nos pênaltis contra a Argentina nas oitavas-de-final, e cruzaram os resultados com informações colhidas de hospitais no país. A equipe não encontrou alterações no número de internações por infarto do miocárdio na ocasião dos jogos da seleção inglesa (que até então havia amargado apenas uma derrota por 1 a 0 contra a Romênia na fase de grupos). A exceção, no entanto, foi a partida de oitavas contra a Argentina: notou-se uma alta de casos na ordem de 25% entre a data da disputa e dois dias depois (um total de 270 internações neste período). Houve uma ligeira maioria masculina entre esses pacientes. Outro estudo, realizado em 2000 nos Países Baixos e considerando dados de 22 de junho de 1996, notou uma relação similar. Esse era o dia em que o time dos Países Baixos foi eliminado do Campeonato Europeu nas quartas-de-final em jogo contra a França (decidido por pênaltis, inclusive). Também foi uma data em que pesquisadores observaram 14 fatalidades a mais por complicações cardíacas que um comparativo com a média dos cinco dias posteriores e anteriores, assim como o mesmo período dos anos 1995 e 1997. No ano passado, uma equipe da Universidade de Bielefield, na Alemanha, coletou dados de smartwatches de 229 fãs do clube DSC Arminia Bielefeld, assistindo partidas em casa ou no campo. O resultado aponta que estar presente nas arquibancadas pode ser um evento mais estressante no comparativo: o batimento cardíaco médio de quem assistiu in loco foi de 94 batidas por minuto (bpm), contra 79 bpm dos torcedores assistindo pela TV. Por que o risco cresce nos jogos? \"Há mesmo um aumento de eventos cardiovasculares durante as partidas de futebol do Brasil na Copa do Mundo\", reforça à GQ Brasil Jorge Koroishi, cardiologista do Hcor. \"Isso ocorre principalmente naquelas que geram maior estresse, como disputas com rivais tradicionais, decisões por pênaltis ou partidas com prorrogação.\" \"Em momentos de grande emoção, há uma liberação de substâncias como a adrenalina na corrente sanguínea, o que eleva o trabalho cardíaco. Isso causa taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e vasoconstrição (aumento da pressão arterial). Em pessoas que já possuem doença coronariana, essas alterações súbitas podem levar a um episódio agudo, como o infarto\", comenta o especialista. Mas um jogo da seleção não acontece num vácuo. Parte das pesquisas científicas que abordam o tema levam em consideração fatores que mudam de dia a dia, especialmente o calor e a umidade do ar. Quando o dia está muito quente e muito seco, há maior risco de desidratação do organismo, que pode levar a eventos trombóticos relacionados ao infarto. Outro ponto digno de nota? O álcool. \"O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também pode contribuir diretamente para o surgimento de arritmias cardíacas\", alerta Koroishi. O que prestar atenção na hora do jogo? “O principal sinal de alerta é quando a pessoa está vivenciando um processo emocional muito grande durante uma partida de futebol e ela começa a ter palpitação no coração, sente que o coração está batendo mais forte do que habitualmente\", diz ao Jornal da USP Janieire Nunes, professora do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da USP. \"Outro alerta é se ela começa a sentir uma pressão aumentada na cabeça, como uma dor na nuca, é um aumento da pressão arterial ocasionado pela descarga adrenérgica. É importante atentar também à dor e pressão no peito ou nas costas não habituais, sintomas gastrointestinais, mal-estar, náusea ou angústia durante o processo de euforia do futebol”, conclui. Revistas Newsletter Principais fatores responsáveis pelo infarto no Brasil Quando o assunto é a saúde do coração ao longo da vida, é importante controlar fatores que, juntos, respondem por 90% dos casos de infarto no país: pressão arterial elevada, colesterol alto, obesidade abdominal, estresse, depressão, sedentarismo, tabagismo, diabetes e alimentação não saudável. “Se conseguíssemos normalizar e controlar os níveis de colesterol, poderíamos reduzir em 57% a ocorrência de infartos. Se a circunferência abdominal masculina estivesse abaixo de 90 cm, aproximadamente metade dos casos poderia ser evitada”, disse à GQ Brasil o cardiologista Álvaro Avezum, diretor do centro internacional de pesquisa e head de cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.",
"title": "Internações por problemas do coração aumentam em dias de jogo do Brasil na Copa, alertam especialistas da USP e Hcor"
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