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Copacabana Palace: o hotel mais icônico do Brasil nunca envelhece

GQ | Seu Guia de Moda Masculina, Cultura e Lifestyle [Unofficia… June 7, 2026
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Sou fã do Copa. Quem não é? Existe um momento na vida de todo estrangeiro que chega ao Brasil em que o Copacabana Palace deixa de ser uma foto e vira uma promessa. Para mim, aconteceu antes mesmo de eu pisar no Rio. O hotel existia na minha imaginação, como o Ritz em Paris ou o Cipriani em Veneza. São lugares que carregam o peso de um século inteiro antes mesmo de você visitá-los. São verdadeiros monumentos históricos. Quando cheguei ao Brasil da França, jovem, sem muito dinheiro e cheio de ambição, trabalhava em um restaurante em São Paulo e mal conhecia o Rio. Me endividei para levar minha mãe lá quando ela me visitou pela primeira vez no Brasil. Foram quatro dias que pareceram muito mais. Ficamos horas na piscina (aquela piscina) tomando água de coco, nadando sem pressa, conversando sobre tudo e sobre nada. Ela nunca tinha visto o Atlântico de tão perto e eu nunca tinha me sentido tão carioca. Em outubro de 2025, o Copa entrou na lista do The World's 50 Best Hotels no 11º lugar do mundo e foi decretado o melhor hotel da América do Sul. O reconhecimento veio tarde, se me perguntar, mas chegou com o peso que merecia. Para quem o ama há anos, não foi uma surpresa, apenas a confirmação que os brasileiros já sabiam há mais de 100 anos. Reuni aqui dez razões para o Copacabana Palace ser o que é. 1. O Brasil cresceu ao redor dele Inaugurado em 1923, no ano do centenário da Independência, ele foi fruto do desejo do suíço Octávio Guinle. Ele queria construir um manifesto de elegância tropical, algo que trouxesse o rigor europeu para a beira do Atlântico. Quando abriu as portas, Copacabana era considerada periferia. O hotel chegou antes da reputação do bairro e com o tempo a orla foi tomando forma ao redor dele. A vista do quarto do Copa Belmond 2. O Zé Carioca nasceu aqui Walt Disney esteve hospedado no Copa nos anos 1940, durante uma visita ao Brasil. É nessa casa que um dos personagens mais amados da Disney no país foi esboçado pela primeira vez, num guardanapo. Zé Carioca, o papagaio malandro e cheio de ginga, nasceu assim: numa tarde no Copa, entre uma caipirinha e a vista do Atlântico. Zé Carioca nasceu no Rio Reprodução / Walt Disney 3. O Baile que não parou mais Mais de cem edições. O Baile de Carnaval do Copacabana Palace é, provavelmente, a festa privada mais longeva do mundo. Brigitte Bardot foi rainha. Mick Jagger dançou. Personalidades de todo o planeta já passaram por aquele salão de máscaras e purpurina. Em 2026, o tema foi ".Br", uma leitura plural da identidade brasileira, com Camila Pitanga como rainha. O baile do Copa 2026 Belmond 4. O berço da Bossa Nova Tom Jobim, Vinícius, João Gilberto. A Bossa Nova não nasceu em uma gravadora nem em um estúdio. Ela nasceu nessa parte do Rio, entre apartamentos com vista para o mar e bares com ar-condicionado. O Copa foi um dos seus salões de batismo, e a elegância contida que define o estilo da casa e a elegância contida que define o gênero não são coincidência. O berço da Bossa Nova Arquivos / Domínio Público 5. O reduto das estrelas mundiais Em 1991, a Princesa Diana nadou aqui enquanto o mundo inteiro tentava fotografá-la. Em 2006, os Rolling Stones saíram do sexto andar por uma passarela construída especialmente para ligar o hotel ao palco na areia. Em 2024, Madonna fez o mesmo: hospedada no Copa com sua equipe de 200 pessoas em 90 quartos, tocou para 1,6 milhão de fãs na maior plateia de toda a sua carreira. Madonna em show na praia de Copacabana Getty Images 6. Um teatro que virou homenagem O Teatro Copacabana Palace foi inaugurado em 1949. Pegou fogo em 1953, foi reinaugurado em 1954, fechou em 1994 e voltou completamente restaurado em 2021. Em abril de 2026, recebeu o nome que deveria ter tido há décadas: Teatro Fernanda Montenegro. A grande dama do teatro brasileiro estreou nesse palco em 1950, aos 21 anos, e detém o recorde de mais temporadas na casa. Aos 96 anos, voltou para leituras de Nelson Rodrigues e Simone de Beauvoir. Fernanda Montenegro Bob Wolfenson Revistas Newsletter 7. Gastronomia com estrelas O Cipriani é uma instituição carioca. Estrelado Michelin, eleito o melhor italiano fora da Itália, assinado pelo chef Nello Cassese, é uma das mesas mais cobiçadas do Rio. Mas o Copa foi além: o Mee, restaurante pan-asiático inaugurado em 2014 acumula também estrelas Michelin. Ter dois restaurantes estrelados no mesmo endereço, no Rio de Janeiro, não é trivial. Nello Cassese, chef do Cipriani Divulgação 8. A piscina mais famosa do Brasil Não é exagero, é a piscina onde a Princesa Diana foi fotografada. Onde Walt Disney certamente tomou sol. Onde a minha mãe e eu ficamos uma tarde inteira bebendo água de coco sem dizer muita coisa. Há algo naquela piscina, talvez a luz da manhã, talvez o barulho do calçadão logo ali, talvez a sensação de que tantas histórias aconteceram naquelas espreguiçadeiras. Uma piscina que carrega a memória. A famosa piscina do Copacabana Palace Belmond 9. A maior reforma da história Em 2025 começou a maior obra na história do Copa. O prédio “anexo”, construído em 1948, está sendo completamente transformado. O projeto é do arquiteto Ivan Rezende, o mesmo que redesenhou o teatro. O novo edifício terá 68 suítes amplas, quatro andares dedicados ao bem-estar e um Cipriani completamente reinventado, mantendo a alma italiana de Cassese. A previsão de abertura é o segundo semestre de 2026. 10. O segredo do Copa Mais de cem anos de história, e o Copacabana Palace não virou um museu. Reinventou-se a cada década sem jamais perder o fio de quem é: aquela mistura de rigor europeu com leveza carioca, de glamour com simplicidade, de história com o Brasil. O Copa prefere ser presente, e sempre foi assim. Toda vez que volto lá, me lembro da minha mãe na piscina, do sol de fevereiro e da água de coco gelada. Quero repetir isso, sempre. E com o que está por vir, parece que o Copa também quer. A fachada do Copa Belmond

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