5 livros para quem quer entrar no universo de Guimarães Rosa
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June 5, 2026
"Grande Sertão: Veredas” completa 70 anos. Apontado como uma das maiores obras da literatura brasileira pela revista “Bravo!”, o principal livro de Guimarães Rosa é um radical experimento de linguagem com mais de 500 páginas. Quer entrar nesse sertão infinito? Listamos títulos que funcionam como porta de acesso. “Manuelzão e Miguilim”, João Guimarães Rosa Reprodução “Manuelzão e Miguilim”, João Guimarães Rosa “Campo Geral” originalmente fazia parte de um volume maior, “Corpo de Baile” (1956). Na terceira edição, a novela foi publicada apenas com o conto “Uma Estória de Amor” e depois ganhou vida própria. O protagonista de “Uma Estória de Amor” é Manuelzão, vaqueiro inspirado em Manuel Nardi, famoso por sua simplicidade e sabedoria. Foi Manuel quem guiou Rosa em sua expedição pelo sertão das Gerais. Essa aventura inspirou tanto as novelas de “Manuelzão e Miguilim” quanto a epopeia de “Grande Sertão: Veredas”. “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, João Guimarães Rosa Reprodução “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, João Guimarães Rosa Misturando western e oralidade mineira, esta curta narrativa antecipa as aventuras de Riobaldo e Diadorim em “Grande Sertão”. Originalmente uma novela de “Sagarana” (1946) — o primeiro livro de prosa de Rosa —, “A Hora e Vez de Augusto Matraga” ganhou edição própria pela Nova Fronteira. A trajetória de Nhô Augusto, da queda à violenta busca por redenção, deu origem a duas adaptações cinematográficas. A de Roberto Santos, lançada em 1965, é considerada um dos melhores filmes nacionais pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema. “Campo Geral”, João Guimarães Rosa Reprodução “Campo Geral”, João Guimarães Rosa Nesta prosa poética riquíssima, talvez o texto de Rosa que mais se aproxime do estilo de “Grande Sertão: Veredas”, nos emocionamos com a infância de Miguilim, um menino de fazenda atormentado pelo discreto triângulo amoroso entre sua mãe, seu pai e seu Tio Terêz. Em apenas 136 páginas, Rosa constrói uma novela envolvente, em que Miguilim ainda precisa lidar com o tétano do irmão Dito, convalescente na cama. No mundo de “Campo Geral”, vagalumes são “mija-fogo”, e o sensível menino, alter ego do autor, “queria avistar o mar, só para não ter uma tristeza”. Sublime! “Estas Estórias”, João Guimarães Rosa Reprodução “Estas Estórias”, João Guimarães Rosa Este livro reúne oito narrativas longas e a reportagem literária “Com o Vaqueiro Mariano”. Mariano, homem que Rosa conheceu e entrevistou em 1947 numa viagem pelo Pantanal, era um poeta natural e “conhecia a alma dos bois”; ele inspirou a construção de uma linguagem poético-cabocla. “Estas Estórias” inclui uma das mais impressionantes novelas do autor, “Meu Tio o Iauaretê” — escrita em 1949 e publicada pela primeira vez em 1961 na revista “Senhor”. Essa obra-prima sobre um onceiro é narrada em primeira pessoa, na forma de um diálogo-monólogo, como “Grande Sertão”. “Água Funda”, Ruth Guimarães Reprodução “Água Funda”, Ruth Guimarães Para além de Rosa, vale explorar autores que dialogam com seu universo. Duas boas pedidas são os poemas com cheiro de fazenda de Manoel de Barros — que Rosa conheceu em sua viagem pelo Pantanal — e “Água Funda” (1946), de Ruth Guimarães. Lançado no mesmo ano que “Sagarana”, “Água Funda” narra a paixão de Joca e Curiango, ambientada na Fazenda Olhos D'Água, no sul de Minas Gerais. De leitura fluida, compartilha com Rosa as paisagens do interior de Minas, o carinho pela oralidade caipira e o rico trabalho de linguagem, combinando narrador onisciente com provérbios e ditos.
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