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“Encontramos materiais permanentes”: como saber o que foi colocado no rosto após uma rinoplastia antiga

GQ | Seu Guia de Moda Masculina, Cultura e Lifestyle [Unofficia… May 26, 2026
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Nos últimas dias, o caso da jornalista Ju Massaoka, repórter do Mais Você, acendeu um alerta para quem passou por rinoplastia ou procedimentos estéticos faciais há anos e não sabe exatamente quais materiais foram usados. Ela relatou em suas redes sociais que descobriu a presença de PMMA no nariz durante uma nova cirurgia, inicialmente indicada para corrigir um desvio de septo. A substância teria sido aplicada sem seu conhecimento em uma rinoplastia antiga. Durante o procedimento recente, foi necessário retirar o material, e a reconstrução de parte do nariz usou enxerto retirado de uma costela da profissional. Ela também passou por tratamento complementar para auxiliar a cicatrização. O PMMA, material citado no caso de Ju Massaoka, é o polimetilmetacrilato. O otorrinolaringologista Edvaldo Reis, especialista em rinoplastia e cirurgia facial avançada, explica que se trata de “um material permanente composto por microesferas sintéticas que ficam indefinidamente no organismo”. Segundo ele, embora tenha indicação médica restrita em algumas áreas da medicina reparadora, o uso estético facial, especialmente no nariz, é contraindicado. Diante de casos como esse, a primeira orientação é reunir o máximo possível de informações sobre o procedimento anterior. Edvaldo afirma que o paciente deve buscar o histórico médico e passar por avaliação com um especialista experiente em complicações e revisões faciais. “Muitas vezes o paciente acredita ter recebido ácido hialurônico, mas, na prática, encontramos materiais permanentes, como PMMA ou silicone líquido”, diz. A dermatologista Rafaella D’Albuquerque também recomenda uma investigação por imagem logo no início. Segundo ela, a conduta é realizar um ultrassom dermatológico para avaliar quais produtos foram aplicados e em quais planos eles se encontram. O exame pode ajudar a orientar os próximos passos, especialmente quando o paciente não tem informações claras sobre o que foi feito. O principal caminho para tentar descobrir o material utilizado é solicitar documentos à clínica, ao hospital ou ao médico responsável pelo procedimento. Reis recomenda pedir prontuário completo, descrição cirúrgica, evolução médica, termo de consentimento e etiquetas de rastreabilidade dos materiais utilizados. Essas etiquetas costumam informar nome comercial do produto, fabricante, número do lote, composição e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para Rafaella, a etiqueta do produto é o documento essencial. É nela que o paciente pode verificar a validade, o material utilizado e se o produto era autorizado pela Anvisa. Sem esse registro, a investigação passa a depender mais da avaliação clínica e dos exames de imagem. Quando o prontuário não existe, está incompleto ou não pode ser recuperado, exames como ultrassonografia de alta frequência, ressonância magnética e tomografia computadorizada podem ajudar a identificar a presença de materiais permanentes, áreas de fibrose, inflamação e deformidades estruturais. Ainda assim, há limites. Segundo Edvaldo, nem sempre é possível determinar com precisão absoluta qual substância foi aplicada apenas pelo exame. Em alguns casos, a equipe médica consegue levantar uma suspeita consistente pelo comportamento radiológico e pelo histórico clínico, mas a confirmação pode depender da correlação com a avaliação presencial e, em situações específicas, de análise cirúrgica. Os especialistas também destacam a importância de procurar profissionais habituados a esse tipo de avaliação. Rafaella cita médicos especializados em ultrassom dermatológico e radiologistas com experiência em exames de pele como profissionais capazes de auxiliar na identificação dos produtos. A região nasal exige cuidado especial por ter vascularização complexa, pele relativamente fina e pouca margem para expansão de volume. Quando uma complicação ocorre, o tratamento pode ser difícil. Reis cita entre os riscos inflamações crônicas, infecções tardias, granulomas, endurecimento, irregularidades, deformidades progressivas, obstrução nasal, sofrimento da pele e necrose. Rafaella afirma que o uso indiscriminado do PMMA fora das indicações previstas pode causar nódulos, rejeições e até alterações renais. Segundo a dermatologista, o material é liberado pela Anvisa para pacientes com lipodistrofia em casos de pessoas portadoras de HIV. Sinais de que usaram PMMA na rinoplastia Entre os sintomas que devem acender o alerta estão dor persistente, vermelhidão recorrente, aumento de volume, endurecimento, alteração de cor da pele, saída de secreção, deformidade progressiva, sensibilidade local, dificuldade respiratória e sinais de sofrimento cutâneo. Rafaella também cita edema, inflamação, infecção e, nos quadros imediatos, dor intensa, alteração da cor no local injetado e necrose. Mesmo quem passou anos sem sintomas deve procurar avaliação médica se perceber qualquer mudança recente no nariz ou na face. Reis lembra que complicações podem aparecer muito tempo depois da aplicação, às vezes após um gatilho inflamatório, trauma local ou tentativa de novos procedimentos na região. A identificação de um material permanente não significa, necessariamente, que ele deve ser retirado. Segundo Rafaella, se o paciente usou PMMA sabendo ou não, o ideal pode ser não mexer na região e observar sinais clínicos de complicação. Reis afirma que a decisão entre remover e acompanhar deve ser individualizada. Em pacientes estáveis, sem inflamação ativa e sem deformidades importantes, uma conduta conservadora pode ser mais segura. A cirurgia pode ser indicada em situações de infecção, dor recorrente, comprometimento estético progressivo, risco funcional ou sofrimento da pele. Ainda assim, a remoção exige cautela. “Em muitos casos não é possível remover 100% do material com segurança”, afirma Reis. O médico explica que o PMMA pode estar infiltrado entre tecidos nobres, aderido à pele, às cartilagens e a estruturas profundas, o que aumenta o risco de cicatrizes, irregularidades, retrações, piora funcional e necessidade de reconstruções delicadas. Assista ao Um Dia de Treino A GQ Brasil estreou um novo programa em vídeo, o GQ Um Dia de Treino. Em cada episódio, vamos acompanhar atores, músicos, atletas e outras personalidades para conhecer suas rotinas de exercícios. Os episódios serão lançados quinzenalmente, e o segundo convidado é o velocista Paulo André, o PA, que nos levou para conferir os treinos de mais de 3 horas para correr 100 metros rasos. Confira:

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