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"textContent": "\nO nome do paulista José Odorico Rolim consta em 10 recordes nacionais segundo o ranking da Associação Brasileira de Atletismo Master, atualizado em março. São categorias como marcha atlética, lançamento de peso, martelo e o pentatlo, que reúne cinco disciplinas do atletismo. As marcas (a mais recente em 2025) descrevem um passeio pela América Latina: esteve em Concepción, no Chile, Mar Del Plata, na Argentina e Santiago, no Chile. O recorde mais duradouro do atleta, antecedendo até o Plano Real de 94, foi alcançado em 1990 nos 10 mil metros de marcha atlética na categoria Master (de atletas 35+) em São Paulo. O corredor já tinha seus 45 anos, e cruzou o trecho em 52 minutos e 52 segundos. \"Até hoje ninguém bateu\", conta Rolim, 82, à GQ Brasil. \"Imagine, faz 35 anos...\" Nascido em dezembro de 1944 em Piracicaba, interior de São Paulo, e aposentado do extinto Banespa, o paulista começou na natação aos 14 anos em 1958, como sócio do Clube de Campo de Piracicaba. O amor pela água era tal que, quando serviu no exército aos 19 anos no Rio de Janeiro, levava a piscina como atividade extracurricular - eram ao menos 2 km de nado diários no Botafogo de Regatas e posteriormente no Vasco da Gama. Na memória de Rolim, ficou da época de farda a memória de uma prova em águas abertas entre o Leme e o Forte de Copacabana. Dividiu o mar com centenas de participantes e descolou um sétimo lugar. \"O pessoal do quartel jogava confete para mim quando cheguei com a medalha\", conta. Já o ânimo com a marcha atlética, sua outra especialidade, foi de teor menos olímpico. Veio da cena de um filme do comediante estadunidense Jerry Lewis. \"Ele está no Central Park, em Nova York, quando passa uma uma moça marchando. Ele vai atrás dela e, cômico como era, vai requebrando, extrapolando os gestos\", diz. Rolim, que já tinha assistido à modalidade em transmissões olímpicas, foi então à caça de livros, alguns emprestados de colegas do banco, para entender melhor o que o cativou na telona. Assim fez das duas práticas, o nado e a marcha, seu estilo de vida por mais de meio século. Em sua casa no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, diz ter guardado mais de mil medalhas, embora possa ser difícil precisar esse número (ele parou de contar há uns três anos, por volta da 1050ª recebida), e seja impossível usá-lo para englobar toda sua carreira. \"Atualmente, se me der medalha depois da prova deu, se não der, não fico nem esperando, vou embora\", diz, desprendido. Rolim posa ao lado de sua marca no lançamento de peso em competição recente Acervo pessoal A carreira de atleta passou por desafios nos anos 2000, após uma série de sustos. Começou em 2001, quando tentou perseguir um recorde nos 1.500 livres na piscina do clube onde treinava em SP. \"A hora que eu virei do 350 para 400 metros, dei três braçadas e a água tremeu. Parei, olhei, nada. Dei mais duas braçada e tudo começou a virar\", retirado da piscina e levado ao hospital, descobriu o primeiro dos três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) que viriam em seguida. Além deste, foram dois em 2008, em um espaço de alguns meses. A cada vez, relata a mesma impressão de ter visto o mundo girar na sua frente. Aconselhado por médicos, passou a evitar provas longas para não arriscar o desgaste vascular de exercícios físicos continuados. Todos seus recordes cravados desde então surgem em provas de arremesso, aos quais passou a se dedicar com maior afinco após a recuperação e onde é a explosão de força, e não a resistência, que conta. Esta semana está na Praia Grande para os 28º Jogos Olímpicos da Melhor Idade (Jomi), onde disputa no peso, e também nos 25 metros de nado livre e nos 25 metros costas, percursos mais curtos que os do passado. Rolim no topo do pódio no Troféu Brasil de Atletismo Master em 2024 Acervo pessoal O treino do atleta octogenário Rolim segue um esquema fixo, planejado especificamente para as modalidades em que compete - portanto, é um regime bem pessoal. Nas segundas, faz natação. São entre 1 mil a 1,3 mil metros concentrados em treinos de crawl e costas. Nas terças e quintas, se dedica pelas manhãs ao arremesso. Quartas e sextas são os dias de academia, duas horas por sessão. Seu plano, desenhado por ele mesmo e combinado com treinadores, consiste em poucas séries, mas muita força. José Odorico Rolim em ação Acervo pessoal \"É uma religião minha fazer 15 minutos de aquecimento antes de qualquer treino. Não deixo de fazer. Até hoje ainda gozam de mim, falam que perco mais tempo fazendo aquecimento do que treinando\", ri. O resultado do hábito é uma vida sem grandes lesões. \"Ocasionalmente, tenho alguma coisa que vem da rotina: doeu o ombro, doeu a panturrilha, hoje foi mal aqui ou ali.\" Revistas Newsletter O atleta faz acompanhamento semestral com uma médica geriatra, acompanha a pressão arterial e segue rigorosamente as três refeições do dia. Além de desviar da carne de porco, seu ponto fraco (\"Lombo é um horror para mim\"), não segue uma dieta muito específica e come o que dá na telha. Com 1,73 metros de altura, pesa 72 kg. Hoje com quatro netos, uma menina e três rapazes, Rolim também leva uma vida social ativa, marcador importante da saúde longeva de acordo com especialistas. \"Tenho quatro casais de amigos que encontro há mais de 50 anos. Quase todos os meses, a gente janta junto. Nós oito vimos nascer todos nossos filhos e todos os netos\", celebra. \"A vida que tenho é excelente\", garante. E se mantém firme mesmo quando tenta mexer no passado atrás de arrependimentos. \"Imagine se eu mudasse alguma coisa? Teria a vida que eu tenho?\", ri.",
"title": "Atleta de 82 anos compete no atletismo após sobreviver a três AVCs e tem recorde invicto desde 1990"
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