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"textContent": "\nO ápice da carreira de qualquer futebolista é disputar uma Copa do Mundo. Além do desempe nho técnico, que justifica a tão sonhada convocação, deve-se estar em plena forma física para viver o grande momento. Afinal, podem ser até oito partidas em menos de quarenta dias — a edição de 2026 acontece de 11 de junho a 19 de julho no Canadá, EUA e México —, e contra equipes de alto nível. Nesse contexto, a preparação da seleção brasileira antevê cenários. O contato com os clubes para monitorar a condição dos atletas torna-se constante. “Conseguimos coletar informações que direcionam o treinamento quando chegam aqui. A integração de dados como carga de treinos, minutos de jogo e histórico recente de desempenho e lesões nos permite realizar, desde o início, uma adaptação mais precisa dos exercícios”, explica Cristiano Nunes, coordenador de preparação física da seleção brasileira. Depois de uma bateria de exames, os convocados passam por avaliações centradas na manutenção dos níveis físicos e na identificação de possíveis pontos de ajuste. “Em competições de curta duração, como a Copa do Mundo, a prioridade é essencialmente técnica, pois o tempo é limitado quando comparado à rotina de um clube ao longo de uma temporada”, enfatiza Cristiano. Ele salienta que todas as abordagens são individualizadas. “O futebol apresenta demandas físicas distintas, influenciadas por fatores como a posição do atleta, o modelo de jogo adotado e o comportamento do adversário.” Um dia de treino passa por uma sessão na academia, seguida de uma atividade preliminar no gramado, conduzida pelos preparadores físicos. “O objetivo é elevar progressivamente o nível de prontidão do atleta e prepará-lo para a sessão principal, de caráter técnico-tático, organizada pela comissão técnica”, detalha o coordenador da seleção. Como funciona o preparo de um jogador de futebol para a Copa do Mundo Jazz Hradec Rotina dos clubes Se esse momento pré-Copa envolve uma revisão fina da bagagem construída ao longo dos últimos meses, cabe compreender como funciona a rotina de um futebolista de elite em seu clube. E o trabalho começa logo ao acordar. O preparador físico Jaelson Ortiz, com recente passagem pela Chapecoense (no retorno do time catarinense à Série A do Campeonato Brasileiro), conta que os atletas respondem a um questionário sobre suas condições: nível de dor e cansaço, qualidade do sono na noite anterior e humor. Os dados são avaliados pela comissão técnica, que decide quem treina forte e quem precisa de adaptações. “Se um dos pilares analisados não estiver satisfatório, o rendimento do atleta não será adequado. Por isso esse direcionamento individualizado”, comenta Jaelson. Um estudo da Universidade Rey Juan Carlos, de Madri, publicado em 2025, acompanhou 54 profissionais da liga espanhola ao longo de três temporadas e concluiu que a adição de um programa de treinamento físico personalizado pode virar uma estratégia eficaz para melhorar o desempenho. Suporte extra O acompanhamento não se restringe ao clube. Muitos jogadores têm suporte próprio. André Ramalho, zagueiro do Corinthians, conta com um estafe formado por um nutricionista, um analista de desempenho e o gestor de performance Diego Brito, ao lado do atleta há quatro anos. “É como se fosse uma segunda opinião, cujo objetivo é cuidar de todos os parâmetros e variáveis possíveis”, explica Diego, que atua em sintonia com o time, trocando informações e programas de treinamento para propor ajustes. Além disso, o zagueiro gosta de realizar treinos extras; por isso a importância do diálogo, a fim de evitar excessos. “Quando se trata de alto nível, precisamos cuidar dos mínimos detalhes”, afirma o camisa 5 corintiano, de 34 anos, que se preocupa com o seu condicionamento até nas férias. Depois de no máximo dez dias de descanso total, mantém a forma com exercícios de força e corrida. André conversa diariamente com o trio de profissionais, que tem acesso a um rastreador que monitora dados fisiológicos, como frequência cardíaca, sono e esforço físico. Além desse aparelho (que não é um smartwatch), os futebolistas usam um dispositivo GPS em todas as atividades que exigem deslocamento. Ele mede a distância transitada e variáveis como velocidade máxima. Quem joga os noventa minutos de uma partida pode cruzar de 10 a 12 quilômetros. “Uma das métricas mais importantes é o porcentual dessa distância que o atleta percorre acima de 20 quilômetros por hora. Estudos indicam que essas ações de potência antecedem a maioria dos gols”, explica Diego. A rotina de atividades nos times se baseia em volume (tempo de treino e distância percorrida), carga (intensidade do esforço) e recuperação, para aguentar a quantidade de jogos. O Corinthians, de André Ramalho, disputou 74 em 2025. A academia está presente diariamente. Membros superiores e o core (conjunto muscular do abdômen ao quadril) são trabalhados até três vezes por semana — é fundamental que a região do tronco esteja forte para absorver os impactos dos embates físicos. Para as pernas, o plano varia. Mais carga quando o treinamento exige explosão muscular nos movimentos em campo reduzido; mais volume quando simula situações de campo. Na véspera de um confronto, há mais pausas, e corre-se menos. “Não podemos levar um resíduo de fadiga do treino para o jogo”, resume Jaelson. Quando a disputa é noturna, recomenda-se uma dinâmica de movimentos leves no período da manhã. Assim, os atletas não ficam muito tempo inativos. No primeiro treino depois da partida, mais leve, costumam-se realizar exercícios de força isométricos (contração muscular sem movimento), com função analgésica, e uma corrida leve, de até 15 minutos. Depois, para restabelecer o corpo, tem vez a fisioterapia, usando recursos como massagem, botas pneumáticas, crioterapia e fotobiomodulação, aplicada com uma manta de LED. “A recuperação é mais rápida e a qualidade da cicatrização, maior”, avalia o angiologista Álvaro Pereira. Como funciona o preparo de um jogador de futebol para a Copa do Mundo Jazz Hradec Carboidratos liberados Se a preparação física impressiona pela complexidade, a alimentação também traz suas particularidades. A começar pelo alto consumo de carboidratos. “Para o futebol, eles são a principal fonte de energia, pois abastecem os músculos. A redução excessiva, um mito, pode causar fadiga precoce, queda de rendimento, dificuldade de recuperação e até aumento no risco de lesões”, esclarece Maycon Alves, coordenador de nutrição do Coritiba. O consumo diário de um futebolista varia de 3 mil a 4.500 calorias, divididas entre quatro e seis refeições. Os principais grupos alimentares, além dos carboidratos (arroz, massas, batata e frutas), são proteínas (carne vermelha, frango, peixe e ovos) e boas gorduras (abacate, castanhas e azeite). O trunfo da nutrição esportiva não é cortar — pois o gasto energético é elevado —, mas acertar quantidades e o momento de consumo. Carboidratos antes e depois do esforço; proteínas ao longo do dia. Revistas Newsletter O nutricionista Maycon aponta outro mito: que suplementos equivalem a refeições. “Eles podem ser úteis em situações específicas, quando bem indicados, mas nunca substituem uma alimentação equilibrada. Um profissional consome comidas presentes na rotina de todas as pessoas. Então, a linha é a mesma para atletas recreativos: dieta variada, boa hidratação e regularidade nas refeições.” Nesse quesito, o jogador André Ramalho conta com uma colaboração extra do Corinthians em relação ao planejamento particular. “O clube ajuda muito. O pessoal da cozinha prepara as receitas que eu envio”, conta. Outro fator importante na preparação: a qualidade do sono. Além da quantidade ideal, no mínimo oito horas, a prática envolve o que Diego Brito chama de higiene. “Sem luzes, sem tela e com colchão adequado. Dormir mal dificulta a tomada de decisão na partida”, diz o gestor de performance. André explica: “Quando jogo à noite, vou dormir às 4 da manhã, porque a adrenalina está lá em cima. Fora isso, tento dormir no mesmo horário. Quanto mais consistente, melhor o sono”. Disciplinado — e considerado curioso e questionador por seu estafe —, o zagueiro do Corinthians não acha a rotina sacrificante. “Tanta gente queria estar aqui. Vivo um sonho todos os dias. Então, quero poder atuar no alto nível mais tempo quanto possível. Para isso, preciso me cuidar”, analisa. A lógica que rege essa dedicação pode ser aplicada por amadores que queiram melhorar a performance e prevenir lesões durante o futebol de toda semana. Segundo Diego, a base está na musculação, mas com três ressalvas: não fazer repetições até falhar, nem um elevado número de séries, e não executar os movimentos de forma muito lenta. E uma máxima que não é mito: evite treinar pernas na véspera do jogo.",
"title": "Dieta, exames e treinos intensos: como os jogadores se preparam para a Copa do Mundo"
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