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  "textContent": "\nAos 45 anos, Fernando Fernandes embarcou em uma viagem de quase três meses pela América do Sul. A aventura começou no dia 13 de abril, a bordo de um trailer, e percorre Argentina, Chile, Bolívia e Peru antes do retorno ao sul do Brasil. \"Depois de estar sentado em uma cadeira de rodas, a forma que eu encontrei de liberdade foi viajando e através do esporte. Acho que posso somar e inspirar sendo um ser humano com limitações, e tendo essa liberdade de ir para qualquer lugar do planeta. Foi o momento de me reencontrar\", diz em papo com a GQ Brasil. A onda mais longa do planeta Um dos destinos pelo qual o apresentador e atleta paralímpico está mais ansioso é Pacasmayo. Trata-se de uma cidade portuária no norte do Peru, mundialmente conhecida entre surfistas e praticantes de kitesurf por abrigar a \"El Faro\", uma das ondas mais longas e consistentes do planeta. Ela pode proporcionar uma descida com mais de um minuto de duração e trechos de até 4 quilômetros de extensão. Fernando pratica kitesurf de maneira adaptada há alguns anos e chegou a morar uma temporada no Ceará, um dos destinos mais procurados do mundo para o esporte. \"O kite transformou a minha vida, me fez conhecer lugares incríveis. Sempre desejei essa onda de Pacasmayo e tinha muita vontade de conhecer o Peru e toda a sua cultura\", afirma. Além das ondas, o Peru também desperta a curiosidade do atleta por suas tradições milenares. No litoral peruano, pescadores utilizam há cerca de 3 mil anos os chamados \"caballitos de totora\", embarcações artesanais feitas com feixes de totora, espécie de junco que cresce em áreas alagadas próximas ao litoral. \"Já tinha essa vontade de estar nesse lugar, nessa cultura milenar, cheia de tradições\", resume. Caballito de totora Divulgação Questionado sobre o que passa pela sua cabeça ao encarar uma das ondas mais longas do planeta, Fernando é direto: medo. \"Só eu sei o que é velejar sentado, todo amarrado, preso a uma prancha, em uma cadeirinha adaptada. Sei as consequências disso. Se eu tomo um caldo, as coisas ficam sérias. Tenho que estar muito bem mentalmente para me colocar numa situação como essa\", analisa. Tetracampeão mundial na canoagem, ele admite que o mar ainda impõe respeito. \"O medo habita em mim o tempo todo, mas aprendi a lidar com ele de uma forma positiva, como uma bússola: algo que não me paralisa, mas que me direciona.\" Fernando Fernandes Divulgação Principais desafios Durante a travessia pelas cordilheiras (parte da viagem viabilizada pela marca de energético Sede), Fernando enfrentou panes mecânicas, postos de fronteira fechados, frio extremo e situações que o obrigaram a improvisar constantemente. \"Eu planejei ter o melhor equipamento, o melhor carro, o melhor trailer, fazer tudo nas datas certas. Mas a estrada e a natureza te dão uma surra de humildade. Você percebe o quanto é pequeno diante daquele mundo desconhecido\", conta. \"O carro quebrou, o trailer quebrou, fiquei preso em aduana, passei um frio extremo que nunca tinha passado na vida. Tudo acontece de outra forma e você precisa aprender a se adaptar rápido. Se não se adapta, a viagem acaba.\" O momento mais difícil aconteceu durante a travessia do Passo San Francisco, entre Argentina e Chile, considerada uma das rotas mais inóspitas da Cordilheira dos Andes. Ao chegar à fronteira chilena, descobriu que o posto já havia fechado e precisou passar a noite estacionado a mais de 4 mil metros de altitude, enfrentando temperaturas de até -8°C. \"O frio entrava por qualquer brecha do trailer. Algumas partes chegaram a congelar por dentro. Foi um dos momentos mais extremos da viagem\", relembra. Fernando Fernandes Divulgação Apesar dos desafios, Fernando afirma que a viagem tem justamente o objetivo de tirá-lo da zona de conforto construída nos últimos anos. Depois de consolidar a carreira como atleta, apresentador e comunicador, ele sentiu necessidade de voltar a se colocar em situações desconhecidas. \"A mente sempre tenta colocar a gente em lugares confortáveis. E foi justamente isso que me fez viajar. Eu criei uma trajetória muito sólida nos últimos 15 anos, mas percebi que aquela zona de conforto fazia bem para o meu corpo, não para a minha mente\", diz. \"Essa viagem é um momento transformador da minha vida. Um jeito de me desafiar novamente aos 45 anos.\" Revistas Newsletter Fernando também reflete sobre os limites impostos pela sociedade a pessoas com deficiência. \"Em algum momento eu achei que tinha chegado no meu limite. Depois entendi que quem cria esse limite sou eu. O mundo tenta limitar a gente o tempo inteiro, colocar rótulos. Quando eu sento numa cadeira, me torno uma pessoa com deficiência. E eu me pergunto: quem não é?\", analisa. \"Entendi que meu papel é justamente romper esses limites, fazer coisas que talvez ninguém tenha visto antes. É isso que tenho buscado nos últimos 15 anos.\"",
  "title": "Em nova viagem, Fernando Fernandes passou perrengue preso em fronteira e encara onda gigante"
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