Os sinais silenciosos que indicam que você está com deficiência de ferro
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May 15, 2026
Cansaço fora do normal, falta de concentração, queda de cabelo, unhas quebradiças e aquela impressão de que mesmo atividades simples parecem exigir esforço demais. Embora muita gente associe esses sintomas apenas ao estresse ou à rotina corrida, eles também podem ser sinais silenciosos de deficiência de ferro no organismo. O problema é que a falta do mineral costuma se instalar de forma gradual. No início, os sinais são discretos e facilmente ignorados. Com o tempo, porém, a deficiência pode evoluir para anemia ferropriva e afetar disposição física, desempenho cognitivo, imunidade e até a respiração. Para entender como o corpo reage quando os estoques de ferro começam a cair, conversamos com Thainara Gottardi, nutricionista clínica e esportiva. O corpo começa a dar sinais antes da anemia Segundo a especialista, os primeiros sintomas costumam surgir ainda na fase inicial da deficiência, antes mesmo de alterações mais graves aparecerem no hemograma. "São a redução da disposição física e mental, queda de cabelo, unhas fracas, palidez e menor rendimento no exercício físico”, explica. Ela afirma que muitas pessoas também começam a perceber dificuldade de concentração e sensação de esforço aumentado em atividades que antes eram bem toleradas. Getty Images Estoque baixo de ferro não é a mesma coisa que anemia A nutricionista explica que existe diferença entre ambos os problemas, e que a reserva reduzida do mineral ainda não significa anemia instalada. “Estoques baixos de ferro representam uma fase inicial da deficiência, quando há redução da ferritina sem alterações significativas no hemograma”, afirma. Já a anemia ferropriva acontece quando o organismo passa a ter dificuldade no transporte de oxigênio. Segundo Thainara, isso muda diretamente a intensidade dos sintomas. “Nos estoques baixos os sinais costumam ser mais leves, como queda de cabelo, unhas frágeis e cansaço. Já na anemia aparecem fadiga intensa, fraqueza, piora da performance física e até falta de ar em esforços leves”, diz. Queda de cabelo e cansaço podem ser alerta? Sim, principalmente quando os sintomas aparecem juntos e persistem por muito tempo. “Esses sinais sugerem anemia ferropriva quando estão associados a alterações laboratoriais, como ferritina reduzida e hemoglobina baixa”, explica a nutricionista. Ela afirma que, na prática, isso mostra que o corpo já não possui ferro suficiente para manter a produção adequada de hemoglobina. Mulheres em idade fértil têm mais risco Segundo Thainara, mulheres em idade fértil fazem parte do grupo mais vulnerável à deficiência de ferro. “Nessa fase, elas podem ter um desequilíbrio entre maior perda e ingestão insuficiente”, afirma. A perda menstrual recorrente, além das demandas aumentadas na gestação e lactação, ajuda a explicar esse cenário. “Às vezes essa necessidade aumentada não é compensada adequadamente pela alimentação”, alerta. Efeitos da ingestão de carne Getty Images Alimentação moderna também influencia A especialista destaca que alguns hábitos alimentares comuns atualmente favorecem a deficiência. “O que mais contribui é a baixa ingestão de ferro na alimentação e a menor biodisponibilidade do mineral”, explica. Dietas com pouca carne vermelha ou poucos alimentos de origem animal aumentam o risco. Além disso, alguns alimentos podem dificultar a absorção do ferro. “Café, chá preto, chá verde, chocolate e excesso de laticínios podem reduzir significativamente o aproveitamento do ferro ingerido”, afirma. Ela também alerta para dietas muito restritivas e o hábito de pular refeições. “A falta de comida de verdade contribui para um intestino que absorve mal os nutrientes”, diz. O que acontece quando a deficiência é ignorada? Sem tratamento, o quadro tende a piorar progressivamente. “Com o tempo ocorre piora da capacidade de transporte de oxigênio, levando à fadiga intensa, queda importante da performance física e cognitiva e maior sensação de esforço em atividades simples”, explica. Outros sintomas podem aparecer, como: Tontura; Palpitações; Falta de ar; Queda importante da imunidade; Piora da qualidade das unhas e do cabelo. Em casos mais graves, a deficiência pode provocar complicações durante a gestação e queda significativa no rendimento esportivo. Como é feita a reposição de ferro? O tratamento depende da gravidade da deficiência e da tolerância do paciente. “A reposição pode ser oral ou intravenosa”, afirma. Na maior parte dos casos, a primeira escolha costuma ser a suplementação oral. “A absorção é otimizada quando o ferro é tomado longe de café, chá e cálcio, além de associado à vitamina C”, explica. Já o ferro intravenoso costuma ser reservado para situações específicas: “Ele é indicado em casos de intolerância ao ferro oral, má absorção ou quando é preciso corrigir a deficiência mais rapidamente”, explica.
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