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Monge budista indica 4 hábitos da sabedoria shaolin para desacelerar a mente e reduzir o estresse

GQ | Seu Guia de Moda Masculina, Cultura e Lifestyle [Unofficia… May 5, 2026
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Shi Heng Yi passou a vida inteira tentando manter a mente tranquila. Mestre de artes marciais shaolin e fundador do Templo Shaolin Europa, em Otterberg (Alemanha), Yi ensina alunos no mosteiro desde 2011, especializando-se tanto no treinamento físico quanto no mental. Com conhecimentos em kung fu e, em combinação com o cultivo mental do zen, ele incentiva a abraçar uma vida mais serena, com a mente livre de ruído. Como diz a descrição de seu livro "Espírito Shaolin" os antigos ensinamentos da sabedoria shaolin buscam “unir mente e corpo, cultivar a resistência e desenvolver uma perspectiva equilibrada em um mundo caótico”. Yi incorpora esses ensinamentos com uma postura paciente e pacífica, e compartilha quatro hábitos que podem ajudar no dia a dia — e que, segundo ele, até os mais ansiosos deveriam adotar para desacelerar e estar mais presentes. “Essa tradição pela qual, de certa forma, fiquei conhecido vem da tradição Shaolin”, explica. E acrescenta que, embora não viva mais em um templo, “ainda existem alguns hábitos vindos dessa estrutura que considero muito, muito benéficos”. Dedique os primeiros 30 minutos do dia a não fazer nada Shi Heng Yi: “Normalmente, assim que acordamos, pegamos o celular ou checamos o e-mail. Ou, se você tem família, alguém já pode estar acordado e precisar da sua atenção. Mesmo que seja difícil no começo, vale a pena tentar acordar, digamos, meia hora antes do habitual. Use esse tempo para se tornar muito consciente. Nesse momento, tudo gira em torno de você. As crianças não estão acordadas, o parceiro não está acordado. Ninguém está acordado tão cedo.” “Se virar um hábito levantar meia hora antes e dizer conscientemente: ‘Ok, este é o meu momento agora, eu estou literalmente comigo mesmo’. Não use essa meia hora, por exemplo, para pensar no que vai fazer ao longo do dia. É como se você voltasse ao seu centro. Um grande problema hoje é que, assim que as pessoas acordam, já começam a correr. A mente está sempre perguntando: o que vem depois? O mundo acorda, você acorda e começa a corrida. Uma prática de equilíbrio muito boa — que hoje muitos chamam de meditação — pode ser simples: você não precisa sentar de pernas cruzadas nem nada disso. Trata-se apenas de começar a se entender. Como hábito diário, isso é essencial. Eu realmente sugiro integrar essa rotina matinal como se fosse escovar os dentes.” “Por isso se chama prática. Se alguém não está acostumado, ao acordar os pensamentos surgem automaticamente. Exige esforço permanecer literalmente vazio. É por isso que se chama prática de meditação — no começo, não vai funcionar. Mesmo nesses 30 minutos, você provavelmente vai estar pensando: ‘Ok, depois preciso fazer isso, aquilo’. É aí que entram os chamados objetos de meditação, como a respiração. Inspire, expire, e foque apenas na sensação da respiração. Você pode até usar um cronômetro: por quantos minutos consegue manter o foco sem que a mente divague?” O monge budista Shi Heng Yi Reprodução/Instagram Pense em si mesmo como uma folha em branco “Tudo o que tentamos conquistar neste mundo — carro, casa, dinheiro, trabalho, parceiro, família — nunca pode ser ‘você’. As pessoas se identificam com o que fazem e com o que têm. Essa identidade é uma ilusão. Não é literalmente quem você é.” “Qual é o objetivo desse aprendizado? Perceber e lembrar sempre disso. Não se trata de ter um carro, ganhar dinheiro, abrir um negócio ou fazer viagens incríveis. Não é sobre isso. É sobre, independentemente do que você faça na vida, lembrar que, na essência, você está vazio.” “Toda ansiedade, sofrimento, problemas e estresse não existem se você permanece nesse estado. Eles surgem quando você se apega a coisas externas, tenta mantê-las, acumula elementos artificiais ao seu redor. É aí que nasce o estresse. É difícil de entender racionalmente. Cada um é livre para fazer o que quiser.” “Lembre-se de que nascemos como uma folha em branco e vamos deixar o mundo da mesma forma. Tudo o que acontece no meio é onde escrevemos nossas histórias. Você pode fazer o que quiser. Mas, se realmente entender quem você é no início e no fim, isso estará com você a vida toda. Apenas não se identifique demais com essas histórias, porque é isso que gera ansiedade e sofrimento.” Observe seus padrões de comportamento “As pessoas deveriam observar os padrões que já viveram ao longo da vida para perceber se estão repetindo ciclos. O padrão de estabelecer uma meta, se esforçar ao máximo para alcançá-la, sentir satisfação por uma semana e partir para a próxima. A verdade é que, com dedicação, muitas metas são possíveis. Mas há sinais de que, não importa o que você desejava aos 20, 25, 30, 40 anos — você conseguia, mas a sensação nunca era tão boa quanto esperava. Ela simplesmente se dissipa.” “Se você começa a perceber esses padrões, entende muita coisa. Começou com o telefone: há 20 anos, usávamos aqueles Nokias grandes. Depois, queríamos o primeiro iPhone, e assim por diante. Seja o iPhone 1, o 17 ou o 27 no futuro, não importa. É sempre a mesma coisa. Quando você analisa seus padrões com lógica, já consegue tirar muitas respostas para a própria vida.” Pratique Qigong “Qi significa respiração. Gong significa habilidade ou esforço. Então Qigong é aplicar esforço à respiração — exercícios respiratórios. Por que isso é importante? Porque a respiração é uma grande fonte de energia. Qi pode ser entendido como energia, mas, de forma simples, é respiração.” “Minha sugestão é integrar alguma prática que melhore a forma como você respira. Isso significa ir além da respiração curta e superficial do peito e praticar uma respiração profunda, expandindo o abdômen.” “Assim, você começa a perceber quantas coisas existem para roubar sua atenção e energia. Luzes piscando, cheiros de comida, marketing, publicidade — tudo é feito para capturar sua atenção. E quando sua atenção é capturada, ela já não está com você. Você está sendo puxado para fora. E qual o resultado? É fácil se perder no mundo — o que torna ainda mais difícil manter a mente tranquila.”

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