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  "textContent": "---\nAnvisa vem tomando uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização - Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde\n\n\n\nA diretoria-colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute esta semana uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos relacionados a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.\n\n\n\n\nA popularização das canetas emagrecedoras, que podem ter diferentes princípios ativos, incluindo a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida, ampliou o uso indiscriminado e o mercado ilegal desse tipo de medicamento que, atualmente, só pode ser adquirido por meio de receita médica.\n\n\n\n\nEm razão dos riscos à saúde da população, a Anvisa vem tomando uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização. A agência também criou grupos de trabalho para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes.\n\n\n\n\nTambém este mês, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), junto à própria Anvisa, assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro de canetas emagrecedoras.\n\n\n\n\nA proposta é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, além de zelar pela saúde da população brasileira.\n\n\n\n\n“A Anvisa e os conselhos propõem uma atuação conjunta baseada em troca de informações, no alinhamento técnico e em ações educativas”, informou a agência.\n\n\n\n\nEm entrevista à Agência Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Neuton Dornelas, avaliou que o uso de canetas emagrecedoras para tratar a obesidade e o diabetes figura como uma espécie de revolução, mas que o uso indiscriminado do medicamento preocupa.\n\n\n\n\n“São medicamentos muito bons, eficazes, potentes, que abriram realmente um grande horizonte para o tratamento, sobretudo para pessoas que vivem com obesidade. São medicamentos que revolucionaram sob essa perspectiva. Tudo o que a gente já teve pra tratar obesidade tinha resultado menos potente, menos eficaz e eu diria até menos seguro.”\n\n\n\n\n“Pra quem vive com uma doença que é crônica, ter a promessa, a expectativa, a esperança de um tratamento, a longo prazo que seja, mas que funcione abriu um horizonte. Esses medicamentos são importantes, ajudam muito não apenas na perda de peso e no controle da glicose, mas, sobretudo, para diminuir o risco cardiovascular”, completou.\n\n\n\n\nDornelas destacou levantamento recente feito pela Anvisa, segundo o qual a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação de canetas emagrecedoras tem sido incompatível com o mercado nacional. Os dados mostram que, apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos, quantidade suficiente para a preparação de aproximadamente 20 milhões de doses.\n\n\n\n\n“Quando se fala em 20 milhões de doses, é um número chamativo, mas mais do que isso: eles apreenderam 1,3 milhão de medicamentos por algum grau de ilegalidade ou irregularidade, seja pelo transporte, pelo armazenamento”, lembrou.\n\n\n\n\n“Isso é estarrecedor. É assustador. A Sbem já vem alertando há muito tempo sobre isso. Para que as pessoas não consumam medicamentos de fontes que não são legais, medicamentos que não são registrados. Isso é altamente preocupante. Além disso, ter uma medicação que é aprovada para duas doenças crônicas, diabetes e obesidade, e as pessoas usarem de maneira indiscriminada realmente é condenatório.”\n\n\n\n\n**Bloqueio da manipulação**\n\n\n\n\nDornelas destacou ainda que apoiou, junto a outras entidades, a decisão da Anvisa para que farmácias e drogarias passassem a reter as receitas de canetas emagrecedoras desde junho do ano passado. “O consumo desenfreado, eu diria, vem do mercado paralelo”.\n\n\n\n\n“Hoje, diante desse boom, desse exagero que estamos vendo, talvez valesse a pena a Anvisa bloquear por três meses, por seis meses ou até por um ano qualquer manipulação de qualquer uma dessas drogas injetáveis para o tratamento da obesidade”, defendeu.\n\n\n\n\n“Não se tem estrutura, na agência, suficiente para fiscalizar e fazer tudo isso com um volume de 20 milhões de doses. Então, num ponto crítico como esse, eu defenderia o bloqueio da manipulação, nem que seja por um período transitório, até que se tenha outras medidas mais cabíveis pra isso.”\n\n\n\n\n**Benefícios x riscos**\n\n\n\n\nAo comentar os benefícios das canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade e diabetes, o médico explicou que os medicamentos atuam por meio de três mecanismos de ação: ajudam no controle da glicose; retardam o esvaziamento do estômago ou esvaziamento gástrico, fazendo com que a pessoa mantenha uma plenitude alimentar mais prolongada; e atuam no cérebro, reduzindo o apetite por meio do aumento da saciedade.\n\n\n\n\n“Com isso, eles promovem uma menor ingesta de alimentos e, por meio de mecanismos fisiológicos e da interrelação com outros hormônios, eles promovem uma perda de peso bastante substancial. A semaglutida, por exemplo, tem uma média de 15% de perda de peso e a tirzepatida pode chegar a 22% ou 25%, variando de pessoa para pessoa, dependendo da dose, do acompanhamento de um profissional, além da adesão a outras medidas, como mudança de estilo de vida e melhoras na alimentação.”\n\n\n\n\nDornelas destacou que todo medicamento pode apresentar efeitos colaterais e que, no caso das canetas, os principais efeitos são náuseas, vômitos e demais sintomas gastrointestinais.\n\n\n\n\n“Com o uso indiscriminado, comprando de fontes não seguras medicamentos não bem armazenados ou transportados, esses riscos aumentam muito”.\n\n\n\n\n“A Anvisa começou a registrar efeitos colaterais mais severos, como a pancreatite. A gente que é médico, que avalia, sabe que a pancreatite já é uma doença, infelizmente, muito frequente. No Brasil, são em torno de 40 mil internações por ano. Mas ela habitualmente é causada por dois grandes fatores: bebida alcoólica em exagero ou pedras na vesícula.”\n\n\n\n\n“Esses medicamentos, por si só, quando se faz o retardo do esvaziamento gástrico, eles promovem uma maior parada do líquido que fica dentro da vesícula biliar. E o fato desse líquido, utilizado no processo da digestão, ficar mais tempo parado dentro vesícula pode facilitar a formação de cálculos. Isso poderia aumentar o risco, para algumas pessoas, de pancreatite. Esse é o maior risco hoje.”\n\n\n\n\n**Pilares da segurança**\n\n\n\n\nO presidente da Sbem descreveu ainda o que os médicos chamam de quatro pilares da segurança e da responsabilidade em meio ao uso de medicamentos:\n\n\n\n\n- Utilizar um produtor seguro e legal, com registro no Brasil;\n\n- Ter a prescrição de um médico com registro e que faça, inclusive, o acompanhamento adequado, desde o diagnóstico;\n\n- Saber quem está vendendo, preferencialmente farmácias e drogarias em que a compra possa ser feita com segurança;\n\n- Usar doses corretas, seguindo a orientação médica, além de nunca comprar em mercados paralelos.\n\n\n\n\n“Quando a gente fala de efeitos colaterais, não significa que é pra pessoa sentir isso. Náuseas, por exemplo, podem ocorrer entre 30% e 40% dos casos, mas, em tese, não é para acontecer. Então, se a pessoa está usando a medicação e não há efeito colateral, isso é muito bom. Não significa que a medicação não esteja atuando. Entre 60% e 70% das pessoas não sentem nada.”\n\n\n\n\n“Mas náuseas mais intensas, vômitos e, principalmente, dor abdominal importante que não melhora – a dor é o sinal de alerta. Se há dor importante na parte superior do abdômen, temos que pensar na possibilidade, ainda que rara, de uma pancreatite. A dor é o mais preocupante”, concluiu.\n\n\n\n\n _Com informações da Agência Brasil_",
  "title": "Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde",
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