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  "textContent": "Chimpanzés promovem ataque em 2019 no Parque Nacional de Kibale - Foto: Aaron Sandel\n\n\n\nPrimatólogos mapearam, pela primeira vez, o equivalente a uma guerra civil entre chimpanzés-comuns (Pan troglodytes), os parentes vivos mais próximos dos seres humanos. O conflito já produziu dezenas de mortos de ambos os sexos e de diferentes idades em cerca de uma década, ceifando, portanto, uma parcela significativa da população desses grupos. As informações são da Folha de São Paulo.\n\n\n\n\nConforme a Folha, os dados sobre a matança, publicados na última quinta- feira (9), no periódico Science, são mais uma evidência de como a violência letal entre esses grandes símios ecoa situações que estão presentes entre o Homo sapiens.\n\n\n\n\nDe fato, a equipe de cientistas, liderada por Aaron Sandel, do Departamento de Antropologia da Universidade do Texas, em Austin, argumenta que os combates entre os primatas não humanos podem ajudar a entender como coisas parecidas são desencadeadas na nossa espécie.\n\n\n\n\nConforme a Folha, os confrontos relatados pelos pesquisadores, ocorrem na comunidade de Ngogo, acompanhada de perto desde 1995, no Parque Nacional de Kibale, em Uganda, na África Oriental.\n\n\n\n\nDurante o período considerado de “paz”, que durou até 2014, o grupo se tornou o maior já registrado da espécie, reunindo cerca de 200 chimpanzés, incluindo, mais de 30 machos adultos.\n\n\n\n\nAinda de acordo com a Folha, assim como ocorre em diversas outras espécies de mamíferos sociais, esse grande bando era caracterizado pelas chamadas dinâmicas de fissão-fusão. Ou seja, era comum que, ao longo de atividades como busca de alimento, acasalamento, cuidado com os filhotes e interações sociais, o grupo se dividisse em subgrupos menores, cujos membros passavam mais tempo juntos.\n\n\n\n\nEsses subgrupos, porém, mantinham vínculo com o conjunto maior, reunindo-se novamente em diferentes momentos. Também era bem definida a separação entre a grande comunidade e grupos externos da espécie, com os quais não há qualquer possibilidade de convivência pacífica. Ao contrário, encontros entre chimpanzés de grupos distintos costumam terminar em confronto ou fuga.\n\n\n\n\nConforme a Folha, a única possibilidade de contato é quando uma fêmea chega à maturidade sexual e se transfere para outro grupo. Já os machos, por sua vez, permanecem a vida inteira no grupo em que nasceram, o que facilita a formação de alianças \"políticas\" e a ascensão dos machos à posição de alfa, o mais dominante do bando.\n\n\n\n\nSegundo as observações da equipe, a situação começou a mudar em 24 de junho de 2015. Nesse dia, integrantes de dois subgrupos, chamados de “central” e “ocidental”, conforme as áreas que ocupavam em Ngogo, se aproximavam quando, de forma repentina, os chimpanzés do grupo ocidental recuaram e fugiram.\n\n\n\n\nEm seguida, o subgrupo central iniciou uma perseguição. Após o episódio, os dois lados passaram cerca de seis semanas se evitando. O processo evoluiu para o que os cientistas chamam de “polarização”, com uma separação cada vez mais rígida e definitiva entre os subgrupos.\n\n\n\n\nConforme a Folha, em 2017, os bichos já tinham passado a usar territórios praticamente separados na floresta, em vez de se encontrar em áreas comuns. Pior ainda, começaram as chamadas patrulhas.\n\n\n\n\nSão momentos em que machos adultos se reúnem e vão para a \"fronteira\", tentando pegar desprevenidos os membros de um grupo rival. Ou seja, para todos os efeitos, cada subgrupo já estava tratando o outro como pertencente a um bando diferente.\n\n\n\n\nCom a formação das patrulhas, as mortes tornaram-se inevitáveis, já que, nesse tipo de situação, chimpanzés atacam e matam indivíduos do grupo rival quando os encontram. Entre 2018 e 2024, ao menos sete machos adultos do grupo central foram mortos por integrantes do subgrupo ocidental.\n\n\n\n\nAlém disso, desde 2021, foram registrados 14 casos de infanticídio, também atribuídos ao grupo ocidental. O número de mortes de machos adultos e adolescentes do grupo central pode ser ainda maior, já que outras 14 ocorrências no período não tiveram causa definida.",
  "title": "Primatólogos detectam a primeira guerra civil entre chimpanzés",
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