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  "textContent": "\nAntes mesmo de embarcar para Parintins, eu já estava imersa naquele universo. Passei semanas lendo sobre a história do festival, estudando suas tradições e entrevistando pessoas para a edição especial da Glamour, estrelada pelas cunhãs Isabelle Nogueira e Marcielle Albuquerque. Aprendi sobre a rivalidade entre Caprichoso e Garantido, sobre a importância das toadas, das alegorias, dos itens e das lendas amazônicas. Achei que chegaria à ilha preparada para entender tudo o que veria, mas não. Nenhuma reportagem, nenhum documentário e nenhum vídeo nas redes sociais chegou perto da experiência de viver o Festival de Parintins de perto. Passei poucos dias na Ilha Tupinambarana para acompanhar a 59ª edição da festa, mas voltei com a sensação de que conheci um Brasil completamente novo. Veja também Em poucos minutos na cidade, percebi que o festival não acontece apenas dentro do Bumbódromo. Ele está nas fachadas das casas pintadas de azul ou vermelho, nas bandeiras espalhadas pelas ruas, nas músicas que tocam a todo momento, nas conversas entre vizinhos e no orgulho com que cada morador fala da própria história. Mais do que uma festa, o Festival de Parintins é uma forma de afirmar quem eles são. Initial plugin text Foi impossível não me emocionar ao perceber o orgulho que aquele povo sente da própria cultura. Um orgulho de ser amazônida. De ser o povo da floresta. De contar suas histórias a partir das próprias referências, exaltando os povos originários, os rios, os animais, as lendas e a riqueza da Amazônia. Parintins foi uma das experiências culturais mais bonitas que já vivi. Também demorei pouco para perceber que existe uma pergunta obrigatória em Parintins. Na sexta-feira, meu primeiro dia na cidade, praticamente toda pessoa que cruzava o meu caminho queria saber a mesma coisa: \"Você já tem seu boi?\" Eu respondia que ainda não. Que estava ali para conhecer os dois. No sábado, depois da primeira noite de apresentações, a pergunta mudou completamente. \"E aí... qual boi te escolheu?\" Veja também É curioso o verbo. Ninguém pergunta qual boi eu havia escolhido. Perguntavam qual boi havia me escolhido. E eles têm razão. Existe alguma coisa naquela arena que escapa à lógica. Em algum momento, as cores, as toadas, as histórias e a energia de uma das apresentações encontram um jeito de conquistar cada visitante. Initial plugin text Quando as luzes do Bumbódromo se apagam, tudo ganha outra dimensão. Eu já sabia que as alegorias eram gigantes. Já tinha visto fotos, vídeos e inúmeras reportagens. Mas nenhuma imagem foi capaz de traduzir a escala do que acontece ali. Uma das cenas mais marcantes da viagem foi a abertura do Caprichoso na primeira noite. O boi surgiu do alto do Bumbódromo, suspenso por um guindaste, descendo lentamente até o centro da arena enquanto milhares de vozes cantavam a mesma toada em uníssono. Foi uma das imagens mais bonitas que já vi. As alegorias parecem desafiar qualquer lógica. Os módulos se transformam diante dos nossos olhos, revelando novos cenários, personagens e criaturas gigantescas. Ao mesmo tempo, centenas de artistas ocupam a arena com uma precisão impressionante. Cada passo é sincronizado. Cada movimento parece ensaiado à exaustão. E, nas arquibancadas, as galeras fazem muito mais do que torcer. Elas conhecem cada verso, respondem aos comandos dos apresentadores, executam coreografias coletivas e transformam o público em parte fundamental do espetáculo. Nunca tinha visto algo parecido. Foi justamente ali que entendi que o Festival de Parintins não é apenas um show. É uma manifestação artística construída por uma comunidade inteira. Initial plugin text Enquanto assistia às apresentações, comecei a perceber que o que mais me emocionava não era apenas a grandiosidade do espetáculo. Era o significado de tudo aquilo. Cada alegoria, cada ritual encenado, cada referência aos povos indígenas e à floresta carregava uma mensagem de valorização da cultura amazônica. Não havia qualquer tentativa de adaptar aquelas histórias para agradar quem vinha de fora. Pelo contrário. O festival convida o visitante a entrar naquele universo exatamente como ele é. E talvez seja isso que torne a experiência tão poderosa. Viajar até a ilha foi, acima de tudo, um exercício de ampliar o olhar. Voltei para São Paulo com fotos incríveis, vídeos que jamais conseguirão reproduzir a energia do Bumbódromo e algumas toadas que continuam tocando na minha cabeça dias depois da viagem. Mas trouxe, principalmente, uma admiração profunda pelo povo amazônida e pelo orgulho com que ele preserva e celebra sua própria cultura. Muito além da disputa entre Garantido e Caprichoso, o Festival de Parintins mistura lenda, música, arte, emoção e cultura amazônica em uma vivência capaz de transformar uma ilha inteira. Eu já havia escrito isso na minha reportagem, mas hoje tenho consciência que transforma também quem passa por ela. Eu desembarquei em Parintins acreditando que conheceria um dos maiores espetáculos culturais do Brasil. Voltei entendendo um pouco mais sobre o meu país — e diferente da pessoa que chegou ali dois dias antes. Revistas Newsletter A jornalista Malu Pinheiro fez a viagem para Parintins, que inspirou esta reportagem, a convite da Amazonastur.",
  "title": "Festival de Parintins: como foi a minha primeira vez por lá e o que aprendi com o povo da floresta"
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