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  "textContent": "\nQuando Ster viu um violino pela primeira vez, aos 8 anos, teve a sensação de que aquele instrumento faria parte da sua vida. Filha de uma professora de música, já cantava desde os 3 anos e estudava piano e flauta doce quando decidiu que queria aprender a tocar o instrumento que, anos depois, se tornaria sua marca registrada. O que ela ainda não sabia era que seu caminho passaria longe dos trajetos tradicionalmente reservados aos músicos de formação clássica. Hoje, aos 25 anos, a carioca da Penha é reconhecida por criar o conceito de \"funk erudito\", linguagem artística que une o violino ao ritmo mais popular das periferias brasileiras. A combinação, que inicialmente chamou atenção nas redes sociais, acabou se transformando em uma assinatura criativa capaz de levar Ster para alguns dos principais palcos do país. Nos últimos anos, a artista se apresentou em eventos como Rock in Rio, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Circo Voador e Global Citizen Festival, além de participar recentemente da Fête de la Musique, tradicional celebração cultural francesa realizada em Paris, onde representou a música brasileira a convite da FARM Rio. Em comum entre todas essas experiências está a defesa de uma ideia que se tornou central em sua carreira: a de que a música clássica e o funk não pertencem a universos opostos. Leia também \"Eu sou do clássico, assim como sou do funk. Sou do Brasil, assim como sou carioca\", resume. Para Ster, a mistura não é apenas uma escolha estética, mas um reflexo de sua própria história. Depois de anos estudando violino e sonhando em seguir uma carreira tradicional como musicista, ela percebeu que seu interesse ia além da execução técnica. Queria cantar, compor, produzir e explorar novas possibilidades sonoras. \"Ser artista vai muito além de reproduzir, criar e estudar maneiras de executar uma técnica perfeita. Tem a ver com usar essa técnica de maneiras diferentes\", afirma. Essa visão também se conecta à forma como a artista enxerga a cultura brasileira. Em vez de separar referências consideradas populares e eruditas, Ster aposta justamente no encontro entre elas. \"O Brasil é uma mistura, e eu quero mostrar para as pessoas o quanto essa nossa mistura é potente\", diz. Para ela, o diálogo entre diferentes tradições musicais é capaz de aproximar públicos que historicamente não costumavam ocupar os mesmos espaços. Não por acaso, algumas das mensagens que mais a emocionam vêm de pessoas que passaram a ouvir música clássica ou a se interessar por instrumentos após conhecer seu trabalho. Ster do Violino Henrique Alqualo Agora, essa pesquisa artística ganha um novo capítulo com o lançamento de Prelúdio, EP que funciona como uma introdução ao primeiro álbum da cantora, previsto para 2027. O projeto marca uma fase mais autoral e madura de sua trajetória, mas também reforça outro aspecto importante de sua presença no cenário musical: a representatividade. Como mulher negra ocupando espaços historicamente dominados por homens brancos, Ster sabe que sua visibilidade pode abrir caminhos para outras pessoas. \"Quando uma mulher preta está no topo, todas nós estamos, porque somos reflexo umas das outras\", afirma. A seguir, ela fala sobre sua trajetória, o novo trabalho e os significados por trás do movimento que criou. Você criou o conceito de \"funk erudito\" em um momento em que muita gente ainda enxergava esses universos como opostos. Primeiro, eu queria saber como o violino entrou na sua vida? O violino entrou na minha vida quando eu tinha 8 anos. Antes disso, eu já tocava piano e flauta doce e cantava desde os 3 anos de idade. Minha mãe sempre quis que eu e minha irmã escolhêssemos nossos próprios instrumentos e, quando vi um violino pela primeira vez, fiquei completamente encantada. Sabia que seria um desafio, mas sempre gostei de me desafiar e provar para mim mesma que era capaz. Ster do Violino Suzanna Tierie/Farm Você já contou que sonhava em tocar em uma orquestra e até pensou em se mudar para os Estados Unidos para seguir carreira. Em que momento percebeu que seu caminho seria criar algo novo, em vez de seguir uma trajetória mais tradicional na música clássica? Ser violinista profissional era meu sonho, mas hoje entendo o quanto isso me limitaria. Eu sou artista. Amo tocar, mas também amo cantar, produzir e compor. Quando compreendi isso, ficou muito claro que esse era o meu propósito. Passei a entender que podia usar toda a técnica que desenvolvi ao longo dos anos para criar algo novo, abrir caminhos e mostrar possibilidades para pessoas que, assim como eu, nem sempre se encaixam nos padrões. O Brasil é uma mistura, e quero mostrar o quanto essa mistura é potente. Minha música reflete quem eu sou. Eu sou do clássico, assim como sou do funk. Sou do Brasil, assim como sou carioca. E não, eu nunca vou seguir padrões. O violino costuma ser associado a ambientes muito específicos, enquanto o funk nasce das ruas e das periferias. Como foi, para uma menina da Penha, ocupar esses dois espaços ao mesmo tempo e transformar isso na sua identidade artística? Eu sempre tive dificuldade de aceitar um \"não\" como resposta. Na verdade, isso costuma funcionar como combustível para mim. A música está em todos os lugares e meu propósito é encontrar formas de fazer as pessoas sentirem coisas que talvez não imaginassem ser possível. Eu enxergo a união do funk com a música clássica como uma revolução. Ter pessoas de mundos diferentes escutando e apreciando algo que historicamente parecia impossível é revolucionário. Ouvir alguém da periferia dizer que começou a ouvir música clássica ou que passou a sonhar em tocar um instrumento por causa da minha arte me emociona muito. Da mesma forma, ver pessoas que nunca ouviram funk passarem a se interessar pelo gênero através do meu trabalho me mostra que estou no caminho certo. Leia também O EP Prelúdio marca uma fase mais madura e autoral da sua carreira. O que a Ster de 25 anos quer contar agora que talvez a Ster dos primeiros vídeos ainda não tivesse conseguido expressar? Um prelúdio, literalmente. Assim como acontecia nas obras de Bach, Mozart ou Villa-Lobos, eu queria experimentar algumas ideias antes de apresentar a obra principal. Prelúdio tem esse significado tanto conceitual quanto musical. Passei meses buscando um funk que permitisse diferentes experiências: uma música que desse para fechar os olhos e sentir profundamente, mas que também fizesse as pessoas quererem dançar ao som de um violino. É um experimento muito importante para o projeto que acredito que será o mais importante da minha carreira, que é o meu álbum. O público pode esperar exatamente isso: um prelúdio para algo maior. Você cresceu vendo poucas mulheres, e menos ainda mulheres negras, ocupando determinados espaços da música de concerto. Que impacto tem para você saber que hoje muitas meninas podem olhar para o seu trabalho e se enxergar ali pela primeira vez? É uma das maiores alegrias da minha vida. Não é fácil crescer sem se sentir pertencente a determinados espaços. Eu sempre fui minoria, mas aprendi a me fortalecer observando mulheres como a minha mãe e artistas como Beyoncé e Elza Soares. A música salva. Saber que outras mulheres podem se enxergar através da minha trajetória é uma responsabilidade enorme, mas também uma das maiores honras que eu poderia ter. Como mulher negra, sei que muitas vezes precisamos trabalhar o dobro para sermos reconhecidas. Por isso, acredito profundamente que quando uma mulher preta está no topo, todas nós estamos, porque somos reflexo umas das outras. Vai ter, sim, mulher ocupando espaço no funk. E vai ter mulher preta tocando violino e balançando a raba. Revistas Newsletter",
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