Pabllo Vittar e Urias celebram os 30 anos da Parada LGBT+ de São Paulo: "Não podemos retroceder"
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June 7, 2026
Trinta anos depois de sua primeira edição, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo segue reunindo milhões de pessoas em torno de uma mesma mensagem: existir ainda é um ato político. Mas o evento –maior do tipo do mundo– celebra o aniversário de três décadas em um contexto preocupante: a redução do número de marcas patrocinadoras do evento. Segundo a associação que organiza a Parada, o evento deste ano perdeu 60% de receita e será realizado com o menor patrocínio em três décadas. Pabllo Vittar e Urias celebram os 30 anos da Parada LGBT+ de São Paulo: "Não podemos retroceder" Divulgação "Isso é um reflexo da onda de conservadorismo que a gente vem vivendo e afeta –além do evento– o modo como as pessoas pensam e olham para a nossa comunidade”, afirma Pabllo Vittar, uma das principais artistas a se apresentar neste domingo (7), em entrevista exclusiva à Glamour. Leia também: Essa percepção é compartilhada por Urias, que também sobe ao palco: para a artista, a Parada ganha ainda mais relevância em um período marcado pelo que ela chama de “processo de apagamento". "É muito importante estarmos aqui para reafirmar a nossa existência", afirma, também em conversa com a Glamour. "Apesar do momento que a Parada está vivendo, não podemos nos calar", resume Pabllo. "É importante estarmos nas ruas para lutar pelos nossos direitos. Celebrar a nossa existência". Pabllo Vittar e Urias celebram os 30 anos da Parada LGBT+ de São Paulo: "Não podemos retroceder" Divulgação Muito mais que uma festa Embora reúna milhões de pessoas para uma programação repleta de apresentações musicais, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo é mais do que uma festa, defendem as duas cantoras. "A Parada é um manifesto em que mostramos que estamos vivos e que existimos. É um debate sobre as nossas vivências e a nossa luta por direitos. É uma celebração da diversidade, da liberdade de expressão e do direito de viver a própria identidade", afirma Pabllo. Mais do que uma festa, é um manifesto feito com orgulho e autenticidade. Por isso, não podemos retroceder", diz Pabllo Vittar. Ao refletir sobre representatividade, Urias reconhece os avanços conquistados nos últimos anos, especialmente na ocupação de espaços historicamente negados a esta população. "Hoje vemos mais pessoas LGBTQIAPN+ nos grandes palcos, na arte, na cultura, no mercado de trabalho e em lugares de visibilidade. Isso é importante porque ajuda a mostrar que existimos para além dos estereótipos e das narrativas de medo que muitas vezes são criadas sobre nós", diz. Por isso, celebra a chance de se apresentar neste domingo (7): "Me sinto muito feliz de estar em um espaço tão simbólico e de saber que a minha presença pode fazer diferença na vida de outras pessoas trans e travestis. É uma oportunidade de sermos vistas na nossa humanidade, na nossa arte e na nossa potência criativa". Ao mesmo tempo, pondera: a presença em espaços de destaque não resolve sozinha desigualdades estruturais. "A representatividade por si só não resolve tudo. Ela é importante porque humaniza e abre caminhos, mas não pode ser o ponto final". Para ela, o maior desafio continua sendo o reconhecimento pleno da humanidade das pessoas LGBTQIAPN+: "Enquanto nossa humanidade continuar sendo questionada, ainda haverá muito trabalho a ser feito". O compromisso das marcas em debate Em um momento em que muitas empresas têm reduzido investimentos em iniciativas ligadas à diversidade, a Amstel, patrocinadora do evento há oito anos, afirma buscar um compromisso contínuo com a comunidade LGBTQIAPN+. Segundo Jaqueline Codogno, porta-voz da marca, o apoio vai além da participação na Parada e inclui ações como casamentos homoafetivos coletivos, retificações de nome para pessoas trans e programas de apoio a empreendedores LGBTQIAPN+. "O apoio à comunidade precisa acontecer de forma perene", afirma. "Transformar discurso em ação significa apoiar causas, criar oportunidades e contribuir para avanços concretos para a comunidade". A escolha de Pabllo Vittar e Urias para subir ao trio da marca é parte dessa proposta: "São artistas com grande relevância para a cultura brasileira e para a comunidade LGBTQIAPN+, além de trajetórias que refletem valores importantes para a Amstel, como inclusão, respeito e liberdade", explica. Ao completar três décadas, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo continua sendo um espaço onde celebração e reivindicação caminham juntas. Em um cenário de conquistas importantes, mas também de ameaças persistentes, a ocupação das ruas segue carregando um significado que vai muito além da festa. Revistas Newsletter
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