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"textContent": "\nOs 30 e 40 anos são considerados por muita gente como a melhor fase da vida. Você já não está mais “tentando se encontrar”, mas também ainda não é vista como “velha” pelos padrões etaristas da sociedade. Em teoria, seria o equilíbrio perfeito. Mas, apesar da aparente estabilidade e segurança, também é comum que a ansiedade e a insegurança aumentem justamente nessas décadas em que tudo parece estar “sob controle”, segundo pesquisas. “Existe uma expectativa social de que, nessa altura da vida, você já tenha uma carreira definida. Se case. Tenha filhos”, explica Kristen Jacobsen, proprietária da clínica Cathartic Space Counseling, em Chicago, e autora do livro \"Unpacked: How to Detach From the Subconscious Beliefs That Are Sabotaging Your Life\", em entrevista à SELF. Mesmo quem já cumpriu todas essas etapas pode sofrer com a ansiedade nos 30 anos, diz Kristen. Nessa fase da vida, cada decisão parece ter consequências definitivas, como se houvesse menos espaço para experimentar, correr riscos, errar ou mudar de direção. Embora o roteiro da vida adulta seja hoje menos rígido, com pessoas se casando mais tarde, trocando de carreira com mais frequência e redefinindo o que significa “estabilidade”, a pressão não desapareceu. Segundo Jacobsen, ela apenas se tornou mais internalizada. E isso não provoca apenas pensamentos catastróficos: também aumenta a sensibilidade em relação à forma como os outros enxergam você. Por que as críticas pesam mais aos 30 e 40 anos? Quando você era mais jovem, provavelmente imaginava que, aos 30 ou 40 anos, já estaria madura o suficiente para ignorar julgamentos alheios. Mas Kristen observa justamente o contrário em seu consultório. “Atendo muitas clientes nessa faixa etária”, conta. “E, quando elas sentem que ainda não alcançaram determinados ‘marcos’, entram em espiral até com perguntas simples como: ‘Você está namorando?’ ou ‘Pretende ter filhos em breve?’” Parte disso vem da internalização dessas cobranças. Se você acredita que ainda não “se estabeleceu”, até comentários bem-intencionados sobre trabalho, família ou escolhas pessoais podem soar como confirmação de que você não está à altura. Essa sensibilidade pode ser ainda mais intensa para mães de primeira viagem, muitas delas justamente na faixa dos 30 e 40 anos. “Elas passam por algo chamado ‘matrescência’, uma mudança profunda de identidade semelhante à puberdade”, explica Kristen. “Quando alguém se torna mãe pela primeira vez, perde aquela base sólida de quem acreditava ser”, o que faz com que opiniões externas tenham um peso ainda maior. Por isso, comentários aparentemente inocentes sobre amamentação, rotina de sono do bebê ou retorno ao trabalho podem soar menos como ajuda e mais como críticas à forma de maternar. Além das circunstâncias individuais, a pressão externa também cria o cenário ideal para a chamada sensibilidade à rejeição, quando comentários que antes passariam despercebidos passam a ficar na cabeça. A cultura da produtividade, por exemplo, ensina que sempre existe uma nova meta a alcançar: uma promoção maior, um apartamento melhor, um parceiro mais bem-sucedido, um bebê e depois talvez outro. “Cada pessoa tem seu próprio tempo, mas as redes sociais dificultam muito enxergar isso”, acrescenta Kristen. A exposição constante aos melhores momentos da vida alheia, fotos de noivado, compras luxuosas, conquistas profissionais, cria a ilusão de que todo mundo está prosperando sem esforço algum… e lembra você de que talvez não esteja. Embora seja ingênuo esperar que você simplesmente pare de pensar no pior cenário possível, o objetivo não é eliminar completamente as dúvidas. A ideia é aliviar esse tipo de pressão tão comum nos 30 e 40 anos. Algumas estratégias também podem fazer diferença: Separe o que você realmente deseja daquilo que apenas “soa” impressionante. “Muitas pessoas ficam presas a uma linha do tempo imaginária sobre quando as coisas deveriam acontecer”, explica Kristen. “Mas eu incentivo meus pacientes a olharem para dentro e entenderem o que realmente traz propósito e realização.” Talvez você perceba que não quer se casar às pressas, apenas odeia sentir que ficou para trás. Ou descubra que sucesso, para você, não significa subir na hierarquia corporativa, mas ter liberdade para viajar o mundo enquanto ainda tem disposição e saúde. Acompanhe seu próprio progresso. A ansiedade é naturalmente voltada para o futuro, o que faz com que seja fácil ignorar o quanto você evoluiu desde o ensino médio, a faculdade ou os 20 e poucos anos. Por isso, vale reconhecer cada avanço, seja sair de um relacionamento frustrante, mesmo que isso signifique estar solteira aos 35, construir novas amizades depois de mudar de cidade ou pedir demissão de um emprego estável, porém tóxico. Limite os gatilhos de comparação. Observe quais perfis nas redes sociais, conversas ou ambientes despertam aquela ansiedade silenciosa. Isso pode significar deixar de seguir influenciadores de família perfeita, sugere Kristen, ou até evitar compartilhar novidades amorosas com aquela tia invasiva que nunca perde a oportunidade de insinuar que você vai “acabar sozinha”. Aceite que talvez você nunca se sinta “bem-sucedida o suficiente”. Pode soar duro, mas, por mais que você se esforce ou planeje cada detalhe, não há como controlar quando encontrará a pessoa certa ou como os próximos anos da vida adulta vão se desenrolar. Abrir mão dessa necessidade de controle ajuda a diminuir a tendência de interpretar as incertezas da vida como fracassos pessoais, diz Kristen, e também reduz o poder que a ansiedade exerce sobre você nessa fase da vida. *Reportagem originalmente publicada na revista SELF e editada para melhor compreensão do público brasileiro. Revistas Newsletter",
"title": "Por que a ansiedade parece pior para mulheres na faixa dos 30 anos? Experts explicam"
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