Anitta: 'Quando mergulhei no autoconhecimento, fui experimentando novas formas de trabalhar e, principalmente, de trabalhar com prazer'
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May 13, 2026
Todos os dias pela manhã, Anitta abre o livro Mitologia dos Orixás (Companhia das Letras), de Reginaldo Prandi, numa página aleatória e lê a história de um orixá contemplada ali. É um hábito que a aterra. É também, de certa forma, o retrato do momento em que se encontra: a maior artista pop do Brasil está em paz. Nos últimos três anos, ela conta, viveu processos profundos e íntimos de autoconhecimento, que a fizeram questionar o ritmo que levava a vida e o peso que dava para cada acontecimento. Dessa revolução pessoal de Larissa de Macedo Machado, carioca de Honório Gurgel, nasceu Equilibrivm, seu novo álbum. Nesse caminho de retorno a si, aos 33 anos, Anitta produziu o que talvez seja seu trabalho mais genuíno até aqui — e digo isso com entusiasmo, já que sou fã absoluta da Anitta do velho testamento (minha alma até volta para o corpo cada vez que ouço os primeiros acordes de "Eu Vou Ficar": "Um love legal, um par ideal"...). Anitta é a estrela da Glamour impressa de outono/inverno 2026 Juliana Rocha/Arquivo Glamour Repleto de brasilidades e referências do candomblé, ele chegou numa fase em que ela estava, pela primeira vez, disposta a deixar o processo guiar o resultado. "Nem tinha como dar ruim, porque fui curtindo os momentos em que fizemos aquilo acontecer. O processo já foi a parte boa", diz. Feito no mesmo lugar onde fotografamos as imagens desta edição, o estúdio montado dentro de sua casa no Rio de Janeiro, o álbum também traz Anitta sendo Anitta: otimizando cada dinâmica e mantendo o controle sobre cada etapa, só que agora com outro estado de espírito, aproveitando o caminho e tendo prazer em fazer arte. Chegar a esse momento teve muito a ver com não se fechar em nenhuma crença específica, e também não se render sem estudar e questionar. Ela transita pelo candomblé, pelo xamanismo, pela neurociência, pela filosofia, e leva de cada um a mensagem intrínseca. "Você molda o seu próprio caminho de acordo com a conclusão que tirou mergulhando em cada ensinamento." O grande inimigo, em sua visão, é a alienação, a hora em que o mensageiro vira mais importante que a mensagem. O discurso é zen, mas a operação segue afiada. Parte dessa segurança veio também de aprender a escutar o próprio corpo — algo que, ela admite, a rotina dos anos anteriores tornava quase impossível. O descanso, portanto, é inegociável. E não é que o autoconhecimento dissipou todas as suas dúvidas, mas deu a ela algo mais útil: a maturidade de não precisar resolver todas de uma vez. Esta edição chega com Anitta num lugar que, talvez pela primeira vez, seja exatamente onde ela quer estar. Para viver em equilíbrio, sua balança recebe muitos pesos, aos quais ela aprendeu a dar a devida importância. Anitta é a estrela da Glamour impressa de outono/inverno 2026 Juliana Rocha/Arquivo Glamour A seguir você confere um trecho da entrevista, que está na íntegra nas páginas da revista: Me conta um pouco sobre a criação de Equilibrivm? Como foi o processo para chegar nesta nova fase com o álbum? Eu já tinha muita vontade de fazer um álbum assim. Funk Generation foi necessário por toda a minha história com o funk. Depois disso, embarquei numa nova jornada de autoconhecimento, aprendendo a equilibrar todos os lados da vida: profissional, sentimental, interior. Por isso queria um disco que trouxesse essa mensagem mais profunda para o público. Construí Equilibrivm na minha casa, numa energia de tranquilidade. Pensei: "Se der bom, deu. Se der ruim, também. Tudo certo." Mas nem tinha como dar ruim, porque fui curtindo os momentos em que fizemos aquilo acontecer. O processo já foi a parte boa. Em que momento da produção você olhou para o álbum e entendeu que já tinha dado certo? Já entrei na confecção do álbum com essa sensação. Quando mergulhei no autoconhecimento, fui experimentando novas formas de trabalhar e, principalmente, de trabalhar com prazer. Antes eu não me permitia, não existia não focar no resultado e só aproveitar, gostar daquilo que estava fazendo, admirar, ter tesão nas músicas e na mensagem. Nesse, foi diferente. Conforme ia fazendo, achava incrível e ele acontecia mais e mais. Por que não se permitia ter prazer no processo criativo? Porque estava sempre muito focada no resultado — em quanto ia dar de play, qual seria o retorno. Você acaba não acessando o prazer, porque o retorno é no futuro, não é palpável. Já acordava tensa porque o resultado ainda não tinha chegado, então não tinha essa alegria no processo. E o que mudou dos outros álbuns para este? O autoconhecimento. Essa falta de permissão vinha de um lugar de falta. Quando você tem muito pouco e nasceu numa realidade pobre, sem estrutura e oportunidades, você fica com muito medo da escassez. Esse medo te dá a sensação de estar sempre no perrengue, sempre difícil. Você sente culpa e quer justificar qualquer momento de alegria ou diversão — tem que ser tudo penoso, porque a vida foi penosa desde sempre, como é que agora vai ser prazerosa? O corpo vicia na química emocional que você mesma cria ao longo do tempo. É difícil, do nada, passar a se sentir diferente. Eu comecei a curar isso com retiros, de tudo um pouco. Tinha dificuldade de me sentir merecedora — e hoje, depois de muito trabalho interno, passei a trabalhar nesse prazer, nessa alegria. Esse é um trecho da entrevista com Anitta para a Glamour impressa de outono/inverno 2026. A edição está disponível na loja do Instagram e chega a partir do dia 15 de maio às bancas de todo o país. A revista também estará no aplicativo Globo Mais e na versão digital.
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