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"textContent": "\nQuando me mudei para a Itália em 2024, uma das primeiras coisas que notei foi o jeito muito particular como vivem as nonne, ou avós italianas. Elas andam para todos os lados, muitas vezes cruzando a cidade inteira, sem ajuda. Estão sempre bem arrumadas, mas não tentam esconder a idade. Por isso, não me surpreendi — e até achei divertido — quando me deparei com uma nova tendência de bem-estar nas redes sociais. O \"nonnamaxxing\" parte da ideia de que qualquer pessoa pode melhorar a própria vida adotando os hábitos das avós italianas. E, ao que tudo indica, faz bastante sentido. Há muito a aprender com essas mulheres. A Itália lidera a expectativa de vida na União Europeia e tem um número crescente de centenários. Um conjunto de vilarejos na Sardenha, inclusive, faz parte das chamadas Blue Zones — regiões do mundo onde as pessoas vivem mais. Leia também Na internet, as dicas vão de abandonar as redes sociais a cozinhar tudo em casa, usar roupas confortáveis e valorizar almoços longos e sem pressa com amigos. Parte disso reflete o que vejo no dia a dia, mas, como jornalista de saúde, percebo que há algo mais profundo do que aquilo que viraliza no Instagram ou TikTok. Na verdade, como diz Licia Fertz, uma nonna italiana de 96 anos, é justamente o contrário. \"Eu passo maquiagem e uso roupas coloridas, mesmo quando não vou sair de casa, porque se apresentar bem é um ato de amor-próprio\", conta. Talvez as avós italianas sejam as verdadeiras gurus de saúde que a gente precisa. A seguir, alguns dos segredos para uma vida mais longa, saudável e feliz. Aceite o envelhecimento Raramente vejo avós italianas tentando parecer mais jovens. Pelo contrário: elas assumem a idade com naturalidade. Em praias e piscinas, não importa quantos anos tenham — muitas usam biquíni sem qualquer preocupação. É libertador e revela uma visão cultural em que envelhecer é parte natural da vida. Para Fertz, esse olhar é essencial para viver bem. \"Nunca pense em si mesma como velha. Você nasce jovem.\" E a ciência parece concordar. Estudos mostram que ter uma visão mais positiva sobre o envelhecimento pode, de fato, contribuir para viver mais. Uma pesquisa recente encontrou relação entre como mulheres enxergam o envelhecimento e a velocidade com que envelhecem. Segundo a psicóloga Sonja Lyubomirsky, professora da Universidade da Califórnia, a mentalidade funciona como uma lente. \"Importa muito como encaramos o envelhecimento. É um presente? Um processo de ganho de sabedoria e maturidade? Ou apenas perda e declínio?\" As duas coisas podem coexistir, mas, como ela diz, \"você pode escolher\". Leia também Esteja presente na vida dos outros Na saída da escola da minha filha, não vejo apenas pais — vejo muitas avós. Isso porque, na Itália, elas participam ativamente da vida dos netos e assumem um papel importante nos cuidados. Pesquisas indicam que cuidar de outras pessoas na maturidade pode trazer benefícios para o envelhecimento e até proteger contra o declínio cognitivo. Um estudo recente mostrou que avós que ajudam nos cuidados com os netos têm melhor desempenho em testes de memória e linguagem. \"Eu moro com meu neto\", conta Fertz. \"Sou bisavó, e cada dia com minha bisneta é um presente.\" Mesmo para quem não tem filhos ou netos, ajudar outras pessoas traz efeitos semelhantes. Um estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine aponta que quem faz trabalho voluntário regularmente tem menor risco de mortalidade, mais otimismo e maior senso de propósito. \"Nonnamaxxinga\": por que o estilo de vida das avós italianas virou tendência de bem-estar Getty Images Caminhe todos os dias Cidades italianas são feitas para caminhar. Andar a pé não é exercício — é parte da rotina. Muitas ruas são estreitas demais para carros, e o custo da gasolina também incentiva esse hábito. E isso faz diferença. \"Caminhar é a forma mais fundamental de atividade física humana, e centenas de estudos mostram que ajuda as pessoas a envelhecer melhor\", afirma Daniel Lieberman, professor de Harvard. Paola Mariotti, pediatra e nonna em Florença, diz que tenta caminhar pelo menos 5 mil passos por dia, chegando a 10 mil sempre que possível. Mesmo em lugares menos caminháveis, a ciência indica que apenas 15 minutos diários de caminhada rápida já reduzem o risco de morte precoce. Viva com mais presença Em cafés italianos, é comum ver avós tomando um café simplesmente observando o movimento — sem celular, sem distrações. Esse hábito está ligado ao conceito de dolce far niente, ou \"a doçura de não fazer nada\". Mais do que um momento de pausa, isso reflete uma cultura que valoriza viver com atenção plena, priorizando qualidade em vez de produtividade constante. Para o psicoterapeuta Jonathan Alpert, o sucesso do \"nonnamaxxing\" tem mais a ver com o desejo das novas gerações de escapar da cultura da produtividade excessiva. \"O apelo está na fantasia de uma vida mais leve, acolhedora e sem pressa\", diz. E há base científica nisso: o multitarefa constante aumenta o estresse e reduz a eficiência. Já estar presente no momento tende a favorecer um envelhecimento mais saudável. Leia também Coma alimentos da estação Na Itália, comer alimentos da estação é regra. Mercados locais indicam quais frutas e vegetais estão no auge em cada mês. Segundo o especialista em nutrição Antonino De Lorenzo, o benefício está na qualidade: alimentos sazonais são mais frescos e menos processados. \"Frescura, variedade e preparo influenciam diretamente o valor nutricional\", explica. \"Uma alimentação de qualidade ao longo do tempo contribui para preservar funções físicas e cognitivas e reduzir doenças crônicas.\" A dieta mediterrânea — rica em azeite, vegetais, frutas, grãos e leguminosas — é um dos pilares dessa longevidade. Mais do que uma dieta, é um estilo de vida. Cultive sua comunidade Avós italianas são conhecidas por serem extremamente conectadas à comunidade — às vezes até demais. Brinca-se que elas funcionam como um sistema de segurança informal dos bairros. Para Fertz, essa conexão é essencial: \"A coisa mais importante para viver bem é não se isolar. Mantenha contato, viaje, faça planos e saia de casa.\" Estudos mostram que ter um propósito e manter vínculos sociais ajuda a preservar a saúde mental e reduz o risco de depressão e solidão. No fim, o segredo parece simples: manter-se ativa, conectada e interessada na vida. Porque, como diz Fertz, o tédio é \"a única coisa que realmente envelhece você\". * Essa matéria foi publicada originalmente em Self e traduzida para melhor compreensão do público brasileiro. Revistas Newsletter",
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