Vítima de violência sexual, Gisèle Pelicot revela padrão entre os 51 agressores: “Todos usaram a mesma desculpa"
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April 7, 2026
Gisèle Pelicot voltou a falar publicamente sobre o caso que chocou a França e expôs anos de violência vividos dentro de casa. Durante uma palestra realizada em março, no 92NY, em Nova York, a francesa refletiu sobre o julgamento que levou dezenas de homens ao banco dos réus e revelou o que mais a marcou ao encarar cada um deles. Segundo ela, os envolvidos não correspondiam a uma imagem específica ou facilmente identificável. “Eles eram o tipo de cara que era, sabe, seu irmão, seu primo, seu vizinho”, explicou. “Se seu irmão, seu primo ou seu vizinho fosse o tipo de homem que estupraria conscientemente uma mulher inconsciente.” Leia também: Durante cerca de uma década, Gisèle foi dopada pelo então marido, Dominique Pelicot, que organizava e permitia que diversos homens a violentassem enquanto ela estava inconsciente. Segundo as investigações, os abusos começaram em 2011 e somam ao menos 92 episódios, cometidos por 72 homens diferentes, com idades entre 21 e 68 anos. A acusação formal incluiu 50 réus, além do marido, enquanto outros 22 suspeitos não foram identificados ou localizados. Hoje, aos 73 anos, a francesa tem transformado sua história em um alerta público — mas revisitar o julgamento ainda expõe a dimensão do que enfrentou dentro da sala de audiência. Ela destacou que o peso não estava apenas nos depoimentos ou nos crimes em si, mas também na estrutura que se formava ao redor dos acusados. “Não eram apenas os 51 homens que eu estava confrontando, mas também a multidão de seus advogados”. Gisèle Pelicot Getty Images “O que surgiu várias vezes no tribunal foi a banalização do estupro”, recordou. “E isso foi algo que realmente me irritou, porque era uma forma de tentar evitar assumir a responsabilidade dizendo: 'Ah, não, o Sr. Pelicot disse que estava tudo bem'.” “Todos disseram a mesma coisa. Todos usaram a mesma desculpa para não assumir total responsabilidade pelo que fizeram." Gisele também afirma que, sem as provas reunidas ao longo da investigação — incluindo registros feitos pelo próprio agressor —, dificilmente o caso teria avançado, já que foi justamente esse material que permitiu confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos e sustentar as acusações no tribunal. Revistas Newsletter Canal da Glamour Quer saber tudo o que rola de mais quente na beleza, na moda, no entretenimento e na cultura sem precisar se mexer? Conheça e siga o novo canal da Glamour no WhatsApp.
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