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  "textContent": "\nCarol Dieckmmann encara um novo desafio no cinema. Em cartaz com (Des)Controle, dirigido por Rosane Svartman e Carol Minêm, a atriz interpreta Kátia Klein, uma escritora sobrecarregada que volta a beber depois de 15 anos. Com mais de três décadas de carreira, Carol encontra no projeto um ponto de virada. “O que me motivou a fazer a Kátia foi o assunto do filme”, conta. A trama é inspirada na história da produtora Iafa Britz. Segundo ela, havia uma vontade antiga de falar sobre alcoolismo em cena, especialmente a partir de uma personagem que, à primeira vista, parece ter a vida sob controle. Ao aproximar a câmera, surgem frustrações, cobranças internas e um colapso que não nasce do acaso, mas de pressões acumuladas. O papel também trouxe à tona memórias pessoais. A atriz lembra de um período delicado da mãe, que passou por anos de fragilidade emocional ligada ao álcool. “Foi nessa mulher, na lembrança dela alcoolizada e na dificuldade de sentir as dores do fim do casamento, que busquei a autoridade emocional para lidar com a Kátia com honestidade e verdade”, explica. Entre o peso do papel e a segurança adquirida com o tempo, Carol reconhece a maturidade como aliada. Aos 47 anos, ela é categórica: “Eu não trocaria a mulher que eu sou hoje pela mulher que eu era aos 20 nem aos 30. Gosto muito da pessoa que estou me tornando”, afirma. Confira a entrevista abaixo: O que te motivou a aceitar o desafio de viver a protagonista Kátia? O que me motivou a fazer a Kátia foi o assunto do filme. Foi a primeira coisa que me acendeu, uma necessidade de falar sobre o alcoolismo. É uma mulher com muitas camadas interessantes, aparentemente com uma vida com mil motivos para estar sob controle: família, casa, marido, filhos, pais, profissão. Quando a gente põe uma lupa e olha mais de perto, vê que ela está à beira de um ataque de nervos, cheia de frustrações e expectativas que ela mesma tem com a vida dela. Acho isso tudo muito interessante e o alcoolismo é um assunto que, de fato, eu tinha muita vontade de abordar num trabalho. Sua personagem é uma mãe dedicada que enfrenta um bloqueio criativo, um casamento em crise e a sobrecarga de cuidar da família. Como foi o processo de preparação para dar vida a uma personagem em um limite emocional tão intenso? O processo de preparação foi feito em três pilares. O primeiro foi o meu encontro com as diretoras e com a Iafa, a idealizadora do projeto, que é uma grande inspiração — tem bastante coisa do roteiro baseada na história dela. Esse encontro foi muito importante para entendermos de que maneira abordaríamos o alcoolismo e como essa mulher seria retratada. Vimos vários filmes juntos para ter uma \"caixa de memórias\" acessível e fresca. Depois, tive um trabalho com a preparadora corporal para encaixar essas emoções e pensamentos no meu corpo, entender como eu faria essa mulher. Como eu ia olhar para a bebida, como ia engolir... para que as atitudes dela não estivessem presas à forma de uma mulher que bebe, mas ancoradas nos desejos mais profundos. Colocar tudo isso no corpo foi muito importante para me dar segurança. Em terceiro lugar, as idas ao AA foram definitivas para que eu tivesse um espectro amplo das pessoas que vão se tratar, dos diferentes momentos, desde quem está chegando até quem já está lá há muitos anos. Entender essa rede de apoio, como ela funciona, acolhe e como as pessoas se comportam foi definitivo para dar voz e corpo a essa mulher. O filme aborda alcoolismo, saúde mental e a sobrecarga feminina. Você, como mulher e mãe, em algum momento se identificou com os dilemas da Kátia? Me identifico em muitos momentos. Arrisco dizer que é muito difícil que alguém não se identifique em nenhum ponto. A Kátia é uma personagem que tem muitos pontos possíveis de identificação. Se a mulher não está sobrecarregada, pode estar em crise no casamento; se não está em crise no casamento, pode estar com dois filhos adolescentes sem saber como lidar; se está tudo bem com os filhos e o casamento, pode estar tendo uma crise criativa no trabalho. Se está tudo bem no trabalho, pode estar precisando de uma válvula de escape por se sentir pressionada. Claro que me identifico, e acho difícil que alguém não se identifique com algum desses dilemas. Carol Dieckmann em cena Mariana Vianna O alcoolismo tem uma dimensão pessoal para você, já que sua mãe enfrentou a dependência por 10 anos. Interpretar essa personagem trouxe à tona memórias desse período? Você se apoiou em alguma experiência pessoal para compor o papel? Minha mãe não tinha dependência do álcool. Ela bebeu durante alguns anos por uma questão emocional, uma fragilidade, ela se anestesiou. Depois, entendemos que ela não tinha a dependência da substância, nem da bebida, nem do cigarro. Gosto de pontuar isso porque a pessoa que tem a dependência enfrenta um outro nível de dificuldade, e temos que falar disso com muito respeito e clareza. Óbvio que a minha mãe, nos anos em que bebeu, ficou muito vulnerável. Várias vezes a encontramos totalmente anestesiada, enfrentando os problemas de quem exagera numa substância que altera o estado de consciência. Foi nessa mulher, na lembrança dela alcoolizada e na dificuldade de sentir as dores do fim do casamento, que busquei a autoridade emocional para lidar com a Kátia com honestidade e verdade. Recorri a muitas imagens e memórias durante o processo. Não é a história da minha mãe, mas o olhar, a dor e muitas memórias eu trouxe dessa vivência. No filme, a maternidade aparece como lugar de afeto, mas também de cansaço e exaustão. Como você enxerga esse equilíbrio entre cuidar dos filhos e cuidar de si mesma? Essa coisa do cansaço e da exaustão da maternidade é muito difícil. Hoje estamos falando mais sobre isso, porque durante muito tempo a mulher se culpou e não falou, mas a grande verdade é que a maternidade exaure mesmo. Quando não temos uma exaustão física — por questão de privilégios e ajudas — temos uma exaustão emocional. Criar filhos para o mundo, as preocupações, tudo isso é muito pesado. É impossível ter filhos e não sentir esse peso em algum momento. Ainda assim, na minha opinião, é a melhor coisa do mundo. Carol Dieckmann Reprodução/Instagram Amo ser mãe e amo a maternidade, com todos os pontos positivos e negativos. Estamos evoluindo nesse entendimento, como sociedade, de que tudo bem se sentir cansada. É normal, aceitável. Não deixamos de ser mães nem de amar nossos filhos por, em alguns momentos, nos sentirmos cansadas. A partir do momento em que você tem um filho, nunca mais dorme igual; a vida e as preocupações tomam uma proporção muito maior. Você comentou recentemente que está vivendo a chamada “síndrome do ninho vazio”. Davi mora fora e José também seguiu o próprio caminho. Como está sendo esse momento para você? É mais difícil pela saudade ou também traz um sentimento de leveza e liberdade, do tipo: “missão cumprida” e até uma redescoberta pessoal? Essa coisa do ninho vazio, com o Davi morando fora e o José passando esse período fora, é muito difícil. Tem a sensação de missão cumprida, óbvio. Fico feliz de eles terem escolhido seguir os próprios sonhos e se sentirem seguros para isso. Quando um filho escolhe cedo ir atrás de um sonho, estudar fora, ele também corta um laço muito confortável, então para eles também é difícil. Ver um filho fazendo esse movimento dá uma sensação muito boa de vê-los capazes de alçar seus voos. Tem um lado muito bonito, mas isso não diminui a dor do filho sair de casa, da dinâmica da vida mudando, daquela casa cheia ter mudado. Junto com essas dores, vêm outras alegrias. Estou sofrendo, passando por esse ninho vazio, mas ao mesmo tempo muito tranquila de que virão outros prazeres. Está se abrindo um espaço de tempo na minha vida que vou preencher com outras coisas. Quando falamos sobre saúde mental, o que a sua trajetória pessoal e profissional te ensinou sobre respeitar os próprios limites? Já viveu alguma situação de estafa? Como conseguiu atravessar esse momento? A trajetória de fato me ensinou. Tive momentos em que fiquei mais cansada, acho que todo mundo passa por isso. Este trabalho especificamente talvez tenha sido um dos que mais drenou a minha energia. Tinha um fator emocional e o tamanho do trabalho: estou em todas as cenas, foram 50 dias direto de filmagem. Tive que ter uma disponibilidade e colocar uma energia muito grande. Foi um dos trabalhos que mais me deixou cansada, mas, ao mesmo tempo, está me deixando muito feliz. Olho para trás e sei que estava cansada, mas sinto muito prazer de ter feito. Quando fazemos o que gostamos, às vezes pesamos a mão e nos entregamos mais, mas também tem a parte do prazer e do orgulho. Como você avalia sua trajetória como atriz ao longo de mais de 30 anos e o que considera mais marcante nesse caminho? Não gosto muito de avaliar a minha própria trajetória porque vivo muito o presente. Acho que o presente é sempre a coisa mais legal que temos para viver. Vivi o meu caminho muito nesse estado, achando sempre que o que estamos fazendo agora é a coisa mais importante e onde devemos empregar nossa energia. Não penso muito sobre o passado. Claro que ele foi me dando cada vez mais segurança, mas, ao mesmo tempo, todas as vezes que começo um trabalho, me sinto muito insegura, tenho medo, pânico, ansiedades, como se estivesse sempre recomeçando. Embora a trajetória pudesse me dar tranquilidade, ainda me sinto insegura e gosto de me sentir assim. Cada novo trabalho é um novo começo. Carol Dieckmann Reprodução/Instagram Como você encara o processo de envelhecimento e a chegada da maturidade? Não gosto muito de avaliar a minha própria trajetória porque vivo muito o presente. Acho que o presente é sempre a coisa mais legal que temos para viver. Vivi o meu caminho muito nesse estado, achando sempre que o que estamos fazendo agora é a coisa mais importante e onde devemos empregar nossa energia.Não penso muito sobre o passado. Claro que ele foi me dando cada vez mais segurança, mas, ao mesmo tempo, todas as vezes que começo um trabalho, me sinto muito insegura, tenho medo, pânico, ansiedades, como se estivesse sempre recomeçando. Embora a trajetória pudesse me dar tranquilidade, ainda me sinto insegura e gosto de me sentir assim. Cada novo trabalho é um novo começo. Gosto muito da pessoa que estou me tornando e tento não dar tanta atenção para as coisas que estou perdendo e que não estão na minha mão. A gente tenta se manter curioso, com uma elasticidade, mobilidade. Mas a grande verdade é que não sabemos até quanto. Eu procuro dar atenção e botar a minha energia nas coisas que estou ganhando e não nas coisas que estou perdendo. Muitas vezes as pessoas dizem coisas como ‘nem parece que você tem 47 anos’, querendo elogiar. Isso te incomoda? Como você enxerga esse tipo de comentário e a maneira como a sociedade ainda julga o corpo feminino? Eu sei que não é a coisa mais legal a se dizer, que não é o jeito “certo” de elogiar uma mulher. Mas eu procuro olhar isso com generosidade, acho que a pessoa que fala está de fato querendo elogiar. E eu prefiro olhar para a intenção dela do que apontar o dedo e ficar dizendo que está sendo etarista, seu discurso está errado e isso e aquilo. Pra que? Cada um tem um tempo de amadurecer e eu procuro não ficar apontando o dedo e nem julgando. Revistas Newsletter",
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