Jeniffer Nascimento: "A Dita é uma grande resposta para muita gente que dizia que eu era uma artista sem foco"
Glamour | Home [Unofficial]
February 18, 2026
Quando Êta Mundo Melhor começou, Dita já deixava claro que não seria apenas mais uma protagonista. Agora, com a novela a caminho do desfecho, a personagem se consolida como um marco na trajetória de Jeniffer Nascimento. A atriz chega à reta final vivendo um momento que ela própria define como “de colheita”, depois de anos de dedicação silenciosa, testes, negativas e muita persistência até ocupar, pela primeira vez, o centro de uma trama. "A Dita é uma grande resposta para muita gente que me dizia que eu era uma artista sem foco", dispara. Escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson, a trama permitiu que Jeniffer ampliasse mais do que já vinha construindo ao longo da carreira. “Ela me deu grandes oportunidades de poder mostrar toda a minha versatilidade enquanto artista, não só como atriz, mas também como cantora”, conta. Criada na Cohab 1, periferia de São Paulo, Jeniffer está no meio artístico desde os oito anos e aprendeu cedo que o caminho não seria simples. Houve portas fechadas, testes recusados e golpes que quase desviaram a rota. “Essas profissões que mexem com os sonhos da gente têm muitas pessoas que se aproveitam disso”, lembra. Apesar dos obstáculos, o propósito continuou claro. “Eu sempre tive muita certeza dentro do meu coração de que eu conseguiria realizar os meus objetivos.” Enquanto a novela se despede do público, a atriz começa a desenhar os próximos caminhos. Em maio, estreia na próxima novela do horário nobre, Quem Ama Cuida, encarando um papel distante da heroína que protagonizou. "Minha primeira novela das 21h. Estou muito empolgada porque é o papel bem diferente da Dita." Acompanhe a entrevista abaixo! Você vive sua primeira protagonista em Êta Mundo Melhor. O que esse papel representa para você, depois de tantos anos de estrada? Para mim é um momento muito feliz, um momento de colheita. São muitos anos dedicados a essa profissão, esperando um dia ter esta oportunidade de ser protagonista. Eu costumo dizer que agora entendo porque demorou tanto, porque tinha que ser com a essa personagem maravilhosa, que foi escrita brilhantemente pelo Walcyr Carrasco e pelo Mauro Wilson. A Dita é uma personagem que eu sou muito feliz de interpretar, porque ela me deu grandes oportunidades de poder mostrar toda a minha versatilidade enquanto artista, não só como atriz, mas também como cantora. Jeniffer Nascimento Caio Oviedo A novela entra agora na reta final. Como você avalia a trajetória da Dita ao longo da trama e o que mais te orgulha dessa personagem? Para mim, a Dita tem uma trajetória de heroína. Apesar dela ser uma protagonista, acho que ela não foi mocinha, mas sim uma heroína. É uma personagem que não abaixou a cabeça em nenhum momento, que não abriu mão dos seus princípios e dos seus valores. Ela não deixou de sentir as coisas, mas sempre seguiu em frente diante dos desafios. Então, acho que isso é o que mais me orgulho dessa personagem e acho que essa resiliência dela e esse otimismo - que é meio um jeito Candinho de ser. É o que inspira tantas pessoas. Você veio da Cohab 1, na periferia de São Paulo, e está no meio artístico desde os 8 anos. Em algum momento imaginou que chegaria a ser protagonista de uma novela? Eu sempre tive uma certeza muito grande dentro de mim de que esse era um sonho possível. Eu nunca soube direito como, mas sempre me dediquei e trabalhei muito duro pra isso. Quando era ainda muito pequena comecei a estudar teatro e ir nas agências lá na Cohab. Ninguém conhecia alguém que sobrevivesse da arte dessa maneira. Então, eu e meus pais, a gente realmente foi desbravando esse caminho, sabendo das boas oportunidades e também sofrendo alguns golpes - porque, infelizmente, essas profissões que mexem com os sonhos da gente, tem muitas pessoas que se aproveitam disso. Mas eu sempre tive muita certeza dentro do meu coração, de que eu conseguiria realizar os meus objetivos e continuo tendo. Porque a mini Jeni sempre sonhou muito alto. Quais foram os maiores desafios que você precisou enfrentar para se manter na carreira e continuar acreditando na arte como caminho? Acho que os maiores desafios para eu me manter na carreira foi sempre ter muito discernimento para lidar com os ‘nãos’. Em algum momento da minha carreira, também comecei a entender que alguns lugares não tinham sido feitos para pessoas como eu, então eu precisaria abrir essa porta e muitas vezes ser a primeira. Muitas vezes eu tentava mandar testes para musicais e não podia fazer porque diziam que eu não era o perfil - teve um musical específico que aconteceu isso, em Mamma Mia. Disseram que eu não tinha perfil da Grécia, mas meses depois eles precisavam de uma atriz que pegasse o espetáculo, de dois personagens diferentes, em uma semana. Aí eu me tornei qualificada para ocupar esse espaço. Então, acho que essa questão do ‘perfil’ do início foi um grande desafio, mas, graças a Deus, a gente está começando a viver um momento que isso está sendo olhado com mais cuidado. Você se sente realizada ou ainda existem sonhos que aquela menina da periferia guarda? Eu me sinto muito realizada pelos sonhos que eu já conquistei, mas eu costumo dizer que sonhar é meu combustível. Eu sou movida a sonhos, então sempre tenho novos sonhos e sempre sonhei muito alto. Protagonizar uma novela era um grande sonho, trabalhar na TV também, e agora eu continuo em busca dos meus sonhos. Almejo ter uma carreira internacional, trabalhar em outros países, seja com música ou com atuação, e sigo trabalhando para isso. Jeniffer Nascimento Caio Oviedo Além da atuação, a música sempre esteve presente na sua trajetória, inclusive dentro da novela. O que significa cantar em cena e unir essas duas paixões? Para mim a Dita é uma grande realização profissional, porque ela junta minhas duas paixões, que é cantar e atuar. Todo mundo sempre pergunta o que eu prefiro, e eu não tenho um preferido porque acho que através dos dois eu toco as pessoas e conto histórias de diferentes maneiras. Para mim, a Dita é uma grande resposta para muita gente que me dizia que eu era uma artista sem foco, que precisava escolher ser uma coisa ou outra. Eu penso que, muito pelo contrário, o artista é plural e que a gente tem que explorar todas as nossas expressões de arte. Então, a Dita é uma grande resposta para isso. Com o fim de Êta Mundo Melhor se aproximando, existem planos para um álbum ou novos projetos? Agora vou ter um período de férias e vou me preparar para a próxima novela das 21h, Quem Ama Cuida. Minha primeira novela das 21h. Estou muito empolgada porque é uma personagem bem diferente da Dita. Como você equilibra a rotina de gravações com a criação da sua filha Lara? Eu consigo equilibrar a rotina de gravações e criação da Lara graças à minha super rede de apoio, que são meus pais. Estou morando no Rio enquanto eu gravo a novela e meus pais vieram pra cá comigo. E eles me ajudam muito, então eu sou muito privilegiada nesse quesito, porque se está com pai e mãe, está com Deus, né? Com certeza estou muito mais tranquila do que se eu tivesse que contratar uma profissional para ficar com a minha filha enquanto estou trabalhando. A Lara já te reconheceu na TV ou entende que aquela mulher na novela é a mãe dela? A Lara já me reconhece na TV, ela já fala o nome da minha personagem. Às vezes para dormir ela pede para os meus pais para colocar no YouTube algum clipe meu, alguma música minha cantando. A gente brinca que eu pari uma fã. Ela gosta muito de ouvir as minhas músicas. Quando passa a novela eu não estou em casa, ela chora. Eu lembro que uma das primeiras vezes que ela me viu na TV, ela pediu colo para TV. A música já faz parte do dia a dia de vocês? A música, com certeza, faz parte do nosso dia a dia. A Lara ouve muita música, canto muito pra ela. Ela também faz aula de música e já é super musical - canta várias músicas, essas clássicas de criança. E ela não só canta, como sabe qual intérprete quer ouvir. Então, ela bota e fala: ‘Mãe, quero ouvir a borboletinha da Galinha Pintadinha, agora do Bob Zoom’ (risos). Ela é impressionante. Jeniffer Nascimento Caio Oviedo Você e o Jean Amorim se separaram há cerca de um ano. Como está hoje essa relação e a parceria na criação da Lara? Graças a Deus, eu e o Jean temos uma boa relação. Acho que também não teria como ser diferente, sendo tantos anos de história. No momento, a gente mora em cidades diferentes, porque o Jean tem trabalhado mais em São Paulo, mas sempre que possível, umas duas vezes no mês, ele vem pra cá pra ficar com a Lara, ou quando eu vou para São Paulo, ele sempre está com ela também. Ela é apaixonada pelo pai. Sou muito feliz de poder ver minha filha realizada, tendo os dois presentes na vida dela. Com tantas responsabilidades, o autocuidado entra como prioridade ou ainda é um desafio na sua rotina? E o que faz para manter o corpo e a mente no lugar? Dar conta de tudo sempre vai ser um desafio, mas mesmo com a correria eu tento manter na minha rotina o exercício físico, minha terapia em dia, que é importantíssimo. Acho que tudo caminha junto: corpo, mente, espírito - também cuido muito da minha espiritualidade. Tento manter tudo em equilíbrio, porque acho que essa é a grande chave para a gente dar conta dos desafios sem se perder no meio do caminho. É o que eu tenho feito. Revistas Newsletter
Discussion in the ATmosphere