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Indústria extrativa e derivados de petróleo puxam recuo da produção em maio

Valor Econômico [Unofficial] July 3, 2026
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A queda da produção em maio foi puxada pelo recuo da indústria extrativa e pelo setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, segmentos que, naquele mês, interromperam uma sequência de cinco resultados positivos. Apesar da perda de força, a indústria extrativa deve manter o crescimento ao longo do ano, de acordo com os economistas. A indústria de transformação, em contrapartida, teve um resultado considerado positivo em maio, mas deve seguir perdendo fôlego gradualmente no ano. A produção industrial recuou 0,2% em maio ante abril, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta sexta-feira (3) pelo IBGE. O resultado ficou abaixo da mediana das 20 projeções recebidas pelo VALOR DATA, que indicavam alta de 0,3%. Apesar disso, o dado permaneceu dentro do intervalo das estimativas, que iam de queda de 0,2% a crescimento de 2,1%. Segundo o IBGE, os segmentos de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%), além das indústrias extrativas (-2,6%) foram os principais responsáveis pelo recuo da produção industrial brasileira em maio. Em ambos os casos, o resultado interrompeu uma sequência de cinco meses consecutivos de expansão. Rodrigo Nishida, da 4Intelligence, também avalia que o resultado de maio refletiu o desempenho mais fraco desses segmentos, que vinham sustentando o crescimento da atividade nos últimos meses. Segundo ele, houve uma queda na extração de minério de ferro que acabou pesando sobre o resultado do mês. “É algo que não dá muito para antecipar. É uma parte grande da indústria e fica um pouco no escuro, dessa vez teve uma surpresa negativa desse lado”, afirmou. Na comparação com mesmo mês em 2025, a produção industrial subiu 0,2% em maio. A expectativa mediana do mercado era de alta de 1,3% do indicador, conforme levantamento do VALOR DATA. O intervalo das projeções variava entre crescimento de 0,2% e 3,3%. A Buysidebrazil avaliou que o resultado dos derivados de petróleo e da indústria extrativa indica uma normalização parcial após um desempenho robusto. Para Stéfano Pacini, economista do FGV Ibre, a queda dos setores é natural após tantos meses de crescimento. “Isso, de certa forma, é uma compensação por essa base de comparação mais alta”, diz. A Buysidebrazil também afirma que a composição do resultado, no entanto, não foi totalmente negativa, já que 16 dos 25 ramos industriais registraram crescimento na comparação mensal, com destaque para produtos farmacêuticos (+13,1%), veículos automotores (+4,1%) e produtos químicos (+3,1%). Dentre os resultados, Pacini destaca o resultado do setor de veículos automotores como positivo. Frente a maio de 2025, o aumento no setor foi de 7,3%. Já no acumulado de janeiro a maio de 2026, o setor acelerou 3,2%. “Quando a gente olha os bens duráveis, o setor de veículos automotores é um setor que, no final do ano passado, já teve uma melhora. Mesmo em uma situação de política monetária restritiva, é um setor que vem crescendo”, disse. Como surpresa negativa, Nishida aponta uma queda na produção de alimentos (-1,3%). Para ele, pode ter influenciado um desempenho abaixo do esperado no processamento de carnes, além da desaceleração na produção de açúcar, embora ressalte que, neste último caso, um resultado mais moderado já era esperado. A atividade da indústria da transformação, que representa em torno de 90% do total da indústria nacional, mostrou expansão de 0,1% em maio ante abril. Foi o resultado mais fraco desde a queda de 2,5% em dezembro ante novembro. Para André Macedo, gerente da pesquisa, o resultado ainda é positivo, considerando um quadro de restrição de política monetária. Mesmo abaixo do esperado, os resultados de maio não sinalizam uma inflexão brusca da atividade, de acordo com Heliezer Jacob, economista do C6 Bank. “Apesar da queda no mês, a indústria extrativa segue sendo o principal motor da produção industrial brasileira. Na outra ponta, a indústria de transformação, que costuma sentir mais os efeitos dos juros elevados, está praticamente estável”, diz Jacob. Para o economista, esse cenário deve persistir nos próximos meses, por conta de uma diminuição dos investimentos provocada pela alta da Selic. Expectativas para 2026 A Buysidebrazil destaca que a produção industrial registra alta de 1,4% no acumulado do ano, sustentada principalmente pelas atividades ligadas à mineração e ao petróleo, o que mantém a expectativa de recuperação da indústria em 2026. “Ainda assim, o crescimento permanece concentrado em poucos setores e ainda não se disseminou para as indústrias mais sensíveis à política monetária, especialmente diante da persistente fraqueza dos bens de capital. Por isso, nossa expectativa de um ciclo mais limitado de afrouxamento monetário neste ano continua compatível com um ritmo mais moderado de crescimento da indústria ao longo de 2026”, afirmou. Jacob afirma que há uma perspectiva de perda gradual da tração da indústria nos próximos meses, influenciada, sobretudo, pela indústria da transformação. O economista afirma ainda que a extrativa também deve perder parte do impulso visto no último ano. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também afirma que a indústria de transformação será o principal ponto de atenção nos próximos meses. “O avanço de maio foi modesto e insuficiente para caracterizar uma recuperação consistente para o ano. Mais sensível ao custo do crédito e à demanda doméstica, o setor [indústria da transformação] deve encerrar 2026 em estabilidade, enquanto a indústria extrativa deve apresentar forte expansão no ano”, afirma a federação. Guerra, sanções dos EUA, eleições e taxa das blusinhas No cenário externo, a Fiesp avalia que o cessar-fogo na guerra no Oriente Médio reduziu as tensões na região, embora a duração da trégua ainda seja incerta. A entidade também ressalta que sanções e novas tarifas impostas pelos Estados Unidos podem ampliar os riscos para o setor, com impacto negativo sobre as exportações da indústria de transformação. No cenário doméstico, a Fiesp destaca que o nível ainda elevado da taxa de juros, a pressão dos custos, o alto endividamento e a inadimplência das famílias continuam limitando as decisões de consumo e investimento. Em um ambiente de crédito mais caro e prazos mais curtos, esses fatores também tendem a restringir o desempenho da indústria de transformação neste ano. Em contrapartida, a federação destaca que os estímulos governamentais e os investimentos públicos de Estados e municípios atuam como fatores de sustentação da atividade. Jacob destaca que incentivos à concessão de crédito, por exemplo, vão ajudar a amparar a economia nos próximos trimestres. Nishida também cita a perspectiva de menor demanda externa por bens industriais, a redução do número de dias úteis e o aumento da concorrência de produtos importados como fatores que podem impactar o setor. “A gente tem menos dias úteis esse ano, que é algo que acaba influenciando também a transformação. Além de ter um efeito da Copa do Mundo, que é algo mais difícil de estimar também, e um impacto de eleições também. A gente tem uma questão também de relação com setores externos, uma preocupação agora com o fim da tarifa das blusinhas, que é algo que tem um potencial também para afetar segmentos ali mais suscetíveis, né? A concorrência internacional”, afirmou.

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