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  "textContent": "\nO Japão destinará até 1 trilhão de ienes (US$ 6,16 bilhões) a um grupo de nove empresas, incluindo a gigante de telecomunicações SoftBank Corp., para desenvolver um modelo nacional de inteligência artificial (IA), informou o governo nesta terça-feira, buscando estabelecer soberania tecnológica no contexto da disputa entre Estados Unidos e China. O modelo nacional de inteligência artificial será desenvolvido pela Noetra — consórcio liderado por SoftBank, Honda, NEC e Sony— e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (Niaist), um grupo de pesquisa vinculado ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria. O projeto foi selecionado nesta terça-feira para receber apoio governamental por cinco anos, a partir do ano fiscal de 2026, com 387,3 bilhões de ienes já no primeiro ano. O apoio será ampliado no ano fiscal de 2027 e nos anos seguintes, dependendo dos resultados, com o valor total estimado em 1 trilhão de ienes. O número de empresas que investem na Noetra deverá aumentar para 44 já em meados de julho, sendo 28 empresas dos setores automotivo, eletrônico e de manufatura, e 16 empresas de outros setores, como finanças, logística e informação e comunicação. O objetivo é incorporar dados e insights do mundo real de diversas áreas ao desenvolvimento de inteligência artificial. O projeto visa construir um modelo fundamental e lançar um serviço até 2027. Até 2031, os modelos desenvolvidos serão capazes de lidar com múltiplos tipos de informação simultaneamente, incluindo áudio e vídeo, e compreender propriedades espaciais e físicas. Esses modelos abertos, cuja tecnologia é disponibilizada ao público, destinam-se ao uso em uma ampla gama de áreas no Japão. Tóquio apoiará integralmente o desenvolvimento como infraestrutura pública para a era da inteligência artificial. O governo administrará os direitos do modelo fundamental para garantir que as empresas da cadeia de suprimentos da manufatura tenham amplo acesso. Também subsidiará os custos de desenvolvimento da infraestrutura computacional para executar a inteligência artificial. O modelo básico, com previsão de conclusão para 2027, terá como objetivo um desempenho comparável ao de grandes modelos globais, como a série Qwen do Alibaba Group, segundo fontes. No entanto, seu tamanho provavelmente será semelhante ao alcançado pelo Qwen e sistemas similares anteriormente a 2025. Empresas americanas como a OpenAI e a Anthropic impulsionaram o campo da inteligência artificial com investimentos maciços desde o início da década de 2020. Seus modelos de ponta, utilizados em ciberdefesa e outras áreas, estão aproximadamente em sua quarta geração. Nesse campo de inteligência artificial de vanguarda, onde recursos financeiros e infraestrutura computacional são cruciais, está cada vez mais difícil para as empresas japonesas acompanharem o ritmo. A Noetra concentrará seu desenvolvimento em inteligência artificial física — máquinas e robôs controlados por inteligência artificial — utilizando dados reais de operação e inspeção de equipamentos, acumulados por empresas japonesas, para aprimorar o desempenho. O Japão também planeja investir 10,5 trilhões de ienes no setor de inteligência artificial física até o ano fiscal de 2040 por meio de parcerias público-privadas. O governo japonês revisou sua estratégia para robótica com inteligência artificial na terça-feira, estabelecendo a meta de introduzir 10 milhões de robôs autônomos equipados com inteligência artificial até 2040. Com o problema da escassez de mão de obra no setor manufatureiro do Japão, o governo espera economizar trabalhadores e aumentar a produtividade utilizando inteligência artificial física. \"Vamos construir e fortalecer uma base de dados para inteligência artificial física e robótica que aproveite os pontos fortes do Japão\", disse Ryosei Akazawa, ministro da Economia, Comércio e Indústria, em uma entrevista coletiva na terça-feira. Em meados de junho, o governo dos Estados Unidos ordenou que a Anthropic suspendesse o acesso de estrangeiros ao seu modelo de inteligência artificial Claude Mythos 5, destacando os riscos de depender dos Estados Unidos para uma tecnologia estratégica tão importante para a segurança econômica. A China também pretende promover as indústrias de inteligência artificial por meio de iniciativas estatais, fornecendo recursos financeiros e treinamento de pessoal. O país é forte em inteligência artificial física devido à concentração de suas bases de manufatura automotiva e de outros setores, e se destaca como líder mundial em patentes de inteligência artificial física. Um estudo sugeriu que, em 2024, 40% dos estudantes de robótica do mundo estavam matriculados em universidades chinesas. Espera-se que a inteligência artificial física se torne onipresente na sociedade até a década de 2030, permeando até mesmo os níveis mais básicos da indústria. A falha em estabelecer soberania tecnológica significaria confiar a operação dessa infraestrutura a outros países, presumivelmente levando a um declínio do poder nacional. A inteligência artificial física precisa ser usada não apenas internamente, mas também em aplicações expandidas por meio de exportações e colaborações com outros países para aumentar sua competitividade. \"O desafio reside em como digitalizar o conhecimento tácito encontrado nas fábricas japonesas e usá-lo para treinar inteligência artificial\", disse Miho Tanabe, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa Daiwa.",
  "title": "Japão investe US$ 6,2 bi em modelo próprio de IA para evitar depender de EUA e China"
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