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"textContent": "\nO ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta terça-feira que as negociações iniciadas no começo deste ano com os Estados Unidos, adversário histórico da ilha, estão paralisadas. A declaração reduz as esperanças de um fim às sanções americanas que vêm sufocando a combalida economia cubana. O chanceler disse a jornalistas que as sanções americanas estão \"causando mortes\" em Cuba, enquanto a economia da ilha entra em colapso e a escassez severa de alimentos, combustíveis, medicamentos e eletricidade torna a vida quase insuportável para cerca de 9 milhões de habitantes. \"As conversas entre Cuba e os EUA não registram nenhum progresso\", disse Rodríguez em entrevista coletiva em Havana. \"A postura das delegações do governo dos Estados Unidos, em geral respeitosa, tem sido acompanhada de ameaças constantes contra Cuba, da aplicação de medidas coercitivas e de declarações ofensivas sobre a independência de nosso país.\" \"Apesar disso, Cuba continua aberta ao diálogo e à solução pacífica das divergências, com base no respeito mútuo e na não interferência em seus assuntos internos”, prosseguiu. O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as declarações do chanceler. Os Estados Unidos classificam o governo cubano como uma ameaça à segurança nacional e afirmam que as sanções são necessárias para forçar uma mudança de governo na ilha, objetivo histórico da política americana em relação a Cuba. Cuba, localizada a cerca de 145 quilômetros de Florida Keys, sustenta há muito tempo que não representa uma ameaça aos Estados Unidos. Especialistas das Nações Unidas já classificaram como \"ilegal\" o bloqueio ao fornecimento de combustíveis imposto pelos EUA em janeiro, afirmando que a medida viola os direitos humanos de todos os cubanos. Moradores sentam-se na porta de casa durante um apagão em Havana Velha, Cuba, na sexta-feira, 19 de junho de 2026 AP/Ramon Espinosa Debate na ONU Rodríguez também afirmou que o Departamento de Estado está \"pressionando e intimidando\" países-membros das Nações Unidas para adiar um debate previsto sobre o bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha governada pelos comunistas. O debate, marcado para 7 de julho, normalmente antecede uma votação da Assembleia Geral da ONU, sem caráter vinculante, na qual os países-membros pedem aos Estados Unidos que ponham fim às sanções contra Cuba. A ONU já votou 31 vezes, inclusive em novembro de 2025, pela suspensão do embargo comercial imposto pelos Estados Unidos há décadas. Historicamente, essas votações registram apoio quase unânime, com apenas Estados Unidos e Israel votando contra. Neste ano, porém, a votação ganha relevância especial para Cuba depois que o governo Trump impôs, em janeiro, um bloqueio ao fornecimento de combustíveis e novas sanções, medidas que provocaram uma fuga de investimentos estrangeiros e o colapso quase total do turismo. \"Não estamos interessados\" No início deste mês, o Parlamento cubano aprovou um amplo pacote de reformas econômicas que, se implementado, representará a maior mudança no modelo socialista do país desde a Revolução de 1959, liderada por Fidel Castro, e um importante passo em direção a uma economia de mercado. Rodríguez, porém, afirmou que essas reformas não têm relação com as ameaças ou sanções impostas pelos Estados Unidos. \"As reformas aprovadas são uma questão de soberania\", disse o chanceler. \"Não ouvimos e tampouco estamos interessados na opinião dos Estados Unidos.\"",
"title": "Chanceler de Cuba diz que negociações com EUA não sinalizam ‘nenhum progresso’"
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