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Catar diz que não haverá reunião de alto nível entre EUA e Irã

Valor Econômico [Unofficial] June 30, 2026
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O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, afirmou nesta terça-feira que não haverá uma reunião de alto nível entre os Estados Unidos e o Irã no país. Segundo ele, os enviados do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, estarão em Doha apenas para se reunir com mediadores cataris e discutir as negociações entre Washington e Teerã. Na segunda-feira, o Irã já havia informado que nenhuma reunião havia sido agendada, apesar de Trump ter afirmado em publicação nas redes sociais que um encontro com o país persa seria realizado na terça-feira em Doha sem dar mais detalhes. "O Irã solicitou uma reunião. Ela acontecerá amanhã, em Doha", escreveu Trump em uma publicação em letras maiúsculas na plataforma Truth Social. De acordo com declaração de segunda-feira do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, porém, a viagem da delegação técnica da República Islâmica ao Catar “não tem relação” com a visita dos americanos e que não há conversas agendadas entre os dois lados. “Não teremos nenhuma reunião de negociação, em nenhum nível, com a parte americana nos próximos dias”, disse Baghaei. No último fim de semana, ataques com mísseis de ambos os lados colocaram à prova o cessar-fogo provisório para encerrar a guerra que já dura quatro meses. A nova troca de hostilidades entre os países teve início após os EUA acusarem o Irã de atingir pelo menos dois navios comerciais com mísseis ou drones. Em resposta, forças americanas bombardearam instalações militares iranianas. O Irã, por sua vez, lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e no Barein na madrugada deste domingo. Washington e Teerã se deram pelo menos 60 dias para implementar o memorando de entendimento de 14 pontos assinado em 17 de junho com o objetivo de prorrogar o cessar-fogo de abril, discutir o programa nuclear iraniano e negociar uma trégua permanente. Mas o progresso tem sido lento, com cada lado acusando o outro de violar os termos acordados. Depois que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, ponto de passagem que antes transportava cerca de um quinto do comércio global de petróleo e de gás natural liquefeito, ficou praticamente paralisado. O fechamento da via navegável elevou os preços do petróleo para mais de US$100 o barril, impulsionando a inflação global e pressionando Trump antes das eleições de meio de mandato que determinarão o controle do Congresso dos EUA, onde alguns de seus pares republicanos criticaram o presidente por travar uma guerra sem a autorização dos parlamentares. O Irã tem buscado obter vantagem ao exercer seu controle sobre o estreito compartilhado com o vizinho Omã, afirmando que planeja cobrar taxas dos navios que utilizam a hidrovia e impedir a passagem de embarcações que se desviem das rotas definidas. Em entrevista à TV estatal, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, disse que o Irã quer elaborar um acordo com Omã, que faz fronteira com o lado sul da via marítima vital, para supervisionar os navios que passam por Ormuz. Mas o Irã seguirá adiante com seus próprios planos “se, por qualquer razão, Omã não tiver interesse em fazê-lo”, disse. “Advertimos os omanenses de que outros países não têm o direito de interferir nesse assunto”, afirmou Gharibabadi. Uma embarcação no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, Irã, 30 de junho de 2026 Amirhosein Khorgooi/ISNA/via WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Outro ponto de atrito é o fato de que Israel não se juntou às negociações de paz entre os EUA e o Irã e se distanciou do acordo. As tensões entre Washington e Teerã complicaram os esforços para pôr fim aos combates no Líbano, onde o presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado do Hezbollah apoiado pelo Irã, colocou em dúvida um acordo separado, mediado pelos EUA, entre o Líbano e Israel com o objetivo de interromper o conflito. Witkoff e o secretário de Estado, Marco Rubio, deram detalhes sobre as conversas com o Irã aos membros do Congresso por telefone na segunda-feira. O senador republicano Steve Daines disse aos repórteres que eles mantiveram suas declarações ao mínimo, mas, mesmo assim, considerou a conversa “construtiva”. O líder da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer, no entanto, considerou a reunião “insuficiente e desprovida de detalhes”. “Depois de arrastar os EUA para uma guerra onerosa, o governo Trump ainda não consegue citar uma única coisa que os norte-americanos tenham ganho em troca. Em vez disso, o secretário Rubio me confirmou que o Irã arrecadará bilhões em receitas do petróleo, mantendo ao mesmo tempo uma influência perigosa sobre o Estreito de Ormuz”, disse Schumer. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na segunda-feira que estava trabalhando com Omã para amenizar as tensões e que cooperaria com parceiros para remover as minas do Estreito de Ormuz. Mas Gharibabadi respondeu com uma postagem no X afirmando que a remoção das minas deveria ser realizada exclusivamente pelo Irã, de acordo com o plano de 14 pontos. Ele advertiu a França para não complicar a situação, que já é delicada. Ainda na coletiva desta terça-feira, Ansari acrescentou que o Catar não transferiu para Teerã os US$ 6 bilhões em recursos iranianos congelado, em uma aparente resposta a uma declaração do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que afirmou na segunda-feira que US$6 bilhões dos US$12 bilhões em ativos congelados no Catar seriam liberados e devolvidos ao Irã, segundo informou a mídia estatal iraniana. Pezeshkian descreveu o memorando, que inclui isenções dos EUA para sanções aos setores de petróleo e petroquímico do Irã, como “uma grande vitória para o povo iraniano”.

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