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  "textContent": "\nAs áreas verdes deixaram de ser um mero complemento nos empreendimentos de alto padrão para assumir o papel de protagonistas: antes usadas de forma discreta na entrada dos edifícios, hoje, elas ocupam o centro das atenções e servem, cada vez mais, como ponto de partida para a concepção dos projetos residenciais. Esse movimento ganhou força durante a pandemia, quando o confinamento evidenciou a necessidade de contato com a natureza. A busca por bem-estar, equilíbrio e qualidade de vida impulsionou a chamada arquitetura biofílica, tendência que se consolidou no mercado imobiliário e continua evoluindo para patamares mais sofisticados. Um exemplo dessa nova fase é o Samanea, futuro empreendimento da Idea!Zarvos em Pinheiros, assinado por Greg Bousquet, da AO Architects Office. A proposta leva a integração com a natureza a um novo nível: o projeto prevê uma grande estufa verde no acesso ao edifício, transformando a chegada dos moradores em uma experiência imersiva. “Deixar um legado verde para a cidade tem sido uma preocupação constante da empresa. Neste projeto, por exemplo, começamos pelo paisagismo”, afirma Otávio Zarvos, sócio-fundador da Idea! Zarvos. Segundo ele, a ideia foi criar um caminho verde, com vegetação densa e cerca de 40 metros de extensão, que permitirá ao morador se desconectar do caos urbano até acessar seu apartamento. “A proposta foi criar essa sensação de estufa, onde as pessoas possam se resvalar na vegetação e se isolar da visão dos prédios vizinhos e sentir descompressão”, afirma. O conceito é do paisagista Rodrigo Oliveira, que pretende combinar espécies nativas da flora brasileira com outras exóticas, mas bem adaptadas. “Será um jardim naturalista, sem muita linearidade, para criar a percepção de que ele já estava ali antes mesmo de o prédio ser construído”, conta. Oliveira reconhece o crescente interesse de empresas e pessoas pelo paisagismo, citando o aumento expressivo da demanda de trabalho em seu escritório. “Acho positivo porque, no final, todos saem ganhando: quem vai morar, o incorporador, a fauna local e o próprio bairro”, afirma. Nesse recuo criado no prédio, parte das áreas comuns ficará mimetizada com a vegetação, como a sala de pilates e a brinquedoteca. O Samanea, com 96 apartamentos e fachada em tons de verde, deverá ser lançado oficialmente em agosto. O VGV é de R$ 529 milhões. No bairro do Paraíso, um bosque preservado de 800 metros quadrados será uma das principais atrações do Maam, da incorporadora R.Yazbek. O ambiente com 80 árvores catalogadas foi criado pelo Estúdio Campana — um dos mais conceituados do design mundial — para o antigo dono do terreno, onde funcionou uma agência de publicidade. “A decisão do incorporador em preservar o jardim foi uma oportunidade de trabalhar a paisagem do ponto de vista não só ambiental, mas também artístico”, diz André Graziano, sócio do estúdio Licuri Paisagismo, responsável por cuidar do bosque e demais áreas verdes do empreendimento. Com projeto de arquitetura da Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados, o Maam terá 106 apartamentos de três e quatro suítes. O VGV é estimado em R$ 600 milhões. Um bosque preservado de 800 metros quadrados, criado pelo Estúdio Campana, será uma das principais atrações do Maam R.YAZBEK / DIVULGAÇÃO Edifício-árvore Em Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina, o Fischer Group lançou o Auris Residenze, denominado o primeiro edifício-árvore do Brasil. O projeto é do escritório italiano de arquitetura Archea Associati, com paisagismo do brasileiro Ricardo Cardim. “A biofilia é um dos três pilares fundamentais que orientam nossos projetos, ao lado da arte e do design”, afirma Thomas Barichello Fischer, COO do grupo, acrescentando que o objetivo foi desenvolver um produto que entregasse performance ambiental, bem-estar e um novo olhar sobre a moradia. “Algo exclusivo, disruptivo e com conceito global”, define. O Torre Auris Residenze, em Balneário Camboriú (SC), terá jardineiras na fachada, criando um véu de plantas. No detalhe, a vista da varanda a 131 metros de altura FISCHER GROUP / DIVULGAÇÃO A fachada de concreto pigmentado em tom de terracota e brises que mudam de cor ao longo do tempo receberá dezenas de jardineiras com plantas, que criarão uma capa vegetal ao redor da torre de 131 metros de altura. Além de contribuir para trazer de volta a fauna original da região e refrescar os ambientes internos, esse imenso jardim vertical terá outra função, segundo Fischer: dar mais privacidade aos apartamentos, impedindo a visão de quem está do lado de fora. Localizado no centro-sul de Balneário Camboriú, o Auris Residenze terá apenas 26 apartamentos de 187 metros quadrados e três suítes. Os preços das unidades variam de R$ 4,7 milhões a R$ 6 milhões — cerca de 30% já foi vendido. A entrega está prevista para 2029.",
  "title": "A natureza inspira nova geração de\nprojetos residenciais"
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