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Nomad dobra investimento em marketing e entra na Copa do Mundo

Valor Econômico [Unofficial] June 24, 2026
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Focando principalmente na aquisição de clientes em seus primeiros anos, a fintech Nomad tem ampliado seus investimentos em construção de marca desde 2024. Agora, a empresa dobrou o orçamento de marketing na comparação com o ano anterior e passou a buscar um posicionamento que vai além da oferta de conta global e investimentos no exterior, associando a marca ao universo de viagens, gastronomia e conteúdo. Em ano de Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México até 19 de julho, o evento também teve destaque na estratégia. A companhia colocou no ar uma série de iniciativas em parceria com a Visa sob o conceito "O cartão amarelo que o mundo todo aceita". Segundo a empresa, os países-sede do torneio já representam cerca de 20% do volume transacionado na plataforma. Em Miami, empresa montou uma operação especial. As ações incluem um lounge temporário no Dolphin Mall, com atendimento aos clientes, distribuição de brindes e espaço para produção de conteúdo, além de uma campanha de mídia exterior (com um ônibus envelopado circulando por regiões de grande fluxo turístico, como Bayside e a FIFA Fan Fest. Os clientes da fintech também podem receber cashback de 2% a cada US$ 100 gastos com o cartão de débito Nomad Visa em estabelecimentos selecionados das cidades-sede da competição. No Brasil, a estratégia inclui o Lounge Torcida Amarela, espaço que receberá cerca de 5 mil clientes e convidados em São Paulo durante os jogos da seleção brasileira, com transmissão das partidas, ativações de marcas, experiências gastronômicas e festas após os jogos. Neste ano, a segunda grande campanha institucional da companhia, busca transformar a Nomad em uma espécie de guia para brasileiros que viajam ao exterior. A iniciativa gira em torno do "Nomad Guide", plataforma que reúne mais de 650 recomendações em 32 cidades ao redor do mundo, incluindo bares, restaurantes, atrações turísticas e locais de compras. As sugestões foram selecionadas por meio de uma curadoria 100% humana, formada por especialistas, brasileiros que vivem no exterior e criadores de conteúdo. Criado pela agência Gut, o projeto foi lançado em maio com anúncios em português espalhados por pontos de grande circulação em 12 cidades do exterior, entre elas Roma, Amsterdã e Tóquio. Agora, a marca está com novas ativações nas três cidades-sede com jogos do Brasil na Copa. Nesta semana, a iniciativa ganhou um novo desdobramento por meio de uma parceria com o Spotify, que transformou parte do conteúdo em audioguias. "Todas as marcas desse setor falam do pré-viagem, de câmbio, imposto e economia. Só que o momento mais importante da viagem é o durante. Não adianta ter uma economia grande antes de embarcar se você tiver problemas durante a experiência", afirma a diretora de marketing da Nomad, Thaís Souza Nicolau, ao Valor. Segundo a executiva, o objetivo da campanha é fortalecer a conexão dos clientes com a marca por meio de recomendações e experiências que vão além dos serviços financeiros. Em três dias após o lançamento, o Nomad Guide registrou mais de 10 mil acessos. No primeiro mês, a plataforma teve mais 45 mil acessos e os filmes da campanha ultrapassaram 15 milhões de visualizações. O aplicativo da Nomad também apresentou aumento de 15% nos downloads nas primeiras semanas da ação. Criada em 2020, a Nomad concentrou seus três primeiros anos de operação no crescimento da base de clientes por meio de recomendações de amigos e familiares e de influenciadores de viagem. Com a expansão da oferta de produtos, especialmente na área de investimentos internacionais, a companhia passou a direcionar parte dos recursos para ações de construção de marca. "Chegou um momento em que só aquisição não seria suficiente. Precisávamos trabalhar conhecimento de marca, credibilidade e reputação", disse Nicolau. Um dos primeiros movimentos nessa direção foi a inauguração da sala VIP da empresa no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 2023. Hoje, o espaço recebe cerca de 13 mil visitantes por mês. A partir de 2024, já sob a liderança de Nicolau, a empresa estruturou uma estratégia mais robusta de branding e lançou sua primeira grande campanha institucional, estrelada pelo ator Will Smith. Segundo a executiva, a escolha do ator teve menos relação com a celebridade em si e mais com a mensagem que a empresa pretendia transmitir. "A Nomad oferece uma conta bancária nos Estados Unidos e queríamos uma figura extremamente conhecida para representar essa conexão global", disse a executiva. "Queríamos transmitir solidez e credibilidade, porque não é qualquer marca que tem condições de contratar o Will Smith", acrescenta. A campanha ficou no ar entre julho de 2024 e março de 2025. Segundo a companhia, a ação contribuiu para reduzir em 23% o custo de aquisição de clientes na comparação entre o primeiro e o quarto trimestre de 2024. Também gerou incremento de 7% nas contas abertas para viagens e de 31% nas contas abertas para investimentos. Com o dobro do orçamento em marketing, de acordo com Nicolau, a principal diferença entre a estratégia de 2025 e a deste ano está na diversificação dos investimentos. "No ano passado, a campanha com Will Smith foi a principal âncora do calendário. Neste ano, com um orçamento maior, conseguimos investir em várias frentes ao mesmo tempo", afirma. Além da Copa do Mundo e do Nomad Guide, a empresa ampliou sua presença em projetos de conteúdo e entretenimento. Entre eles está o programa "Entre Américas", produzido em parceria com a Globo e exibido no GNT, em que a apresentadora Mari Weickert percorreu cidades-sede da Copa apresentando atrações, bares e restaurantes. A companhia também se tornou patrocinadora master da edição de 2026 do MasterChef Brasil, reforçando sua associação ao universo da gastronomia. A Nomad atingiu o breakeven, ponto em que receitas e despesas se equilibram, em 2025. Atualmente, a empresa possui cerca de 3,8 milhões de clientes e espera encerrar 2026 com 5 milhões de usuários. A empresa não divulga detalhes do balanço, mas afirma ter alcançado receita anualizada de R$ 760 milhões. Segundo o diretor-executivo, Lucas Vargas, a margem bruta fechou 2025 em 55% e atualmente supera 60%. A fintech também administra cerca de R$ 8 bilhões em ativos de clientes.

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