{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreign37xuinnfloedkqj3hhnbgoqehftejtodswbe5jf66kciyedq2u",
"uri": "at://did:plc:6zlrep2djswlizvycgdf2lox/app.bsky.feed.post/3motlrv3s2gp2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreiecibru53pnknii6yvfrvos4aikuimcydniuedrcbd7ddandubw6a"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 2311389
},
"path": "/mundo/noticia/2026/06/21/espriella-vence-eleio-apertada-na-colmbia-e-amplia-guinada-regional-direita.ghtml",
"publishedAt": "2026-06-21T22:51:24.000Z",
"site": "https://valor.globo.com",
"tags": [
"valor"
],
"textContent": "\nO candidato autodeclarado antissistema Abelardo De La Espriela venceu neste domingo o segundo turno da eleição presidencial da Colômbia, consolidando uma guinada regional à direita em meio ao crescente descontentamento com a insegurança e com a economia. Apoiado pelo presidente americano, Donald Trump, o advogado de 47 anos, sem experiência política, derrotou o senador esquerdista Iván Cepeda em uma das disputas mais apertadas e polarizadas da história recente do país. Com 99,65% das urnas apuradas, Espriella obteve 49,65% dos votos, uma vantagem de menos de um ponto percentual sobre o adversário, que tinha 48,7%, segundo a contagem rápida dos votos divulgadas pelas autoridades eleitorais, que divulgarão o resultado definitivo do pleito nos próximos dias. A posse para um mandato de quatro anos está marcada para 7 de agosto. A vitória de Espriella representa uma ruptura com a agenda de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Enquanto Cepeda defendia a continuidade do projeto político do atual governo e a manutenção das negociações com grupos armados, o presidente eleito prometeu abandonar o diálogo e enfrentar a violência com a “força das armas”. Como já havia feito no primeiro turno, Petro contestou os resultados divulgados pela autoridade eleitoral, dizendo que apenas o resultado final poderá definir o novo líder do país. \"Não se pode proclamar ninguém presidente. É a apuração oficial que determina quem é o presidente”, disse ele sobre a contagem rápida em uma postagem no X. Obederecei aos juízes. Peço tranquilidade à população. A realidade nos mostra um país dividido ao meio e uma ingerência estrangeira que nos tira a liberdade.” Apelidado de “El Tigre”, Espriella fez da segurança pública o eixo central de sua campanha, aproveitando-se do descontentamento dos colombianos. Ele prometeu construir “megaprisões” inspiradas nas políticas do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, reduzir impostos, enxugar o tamanho do Estado em 40 e incentivar a exploração de petróleo, inclusive por meio do “fracking”. Ao mesmo tempo, afirmou que preservará medidas populares implementadas por Petro, como o reajuste de 23% do salário mínimo. A eleição ocorreu uma década após a assinatura do histórico acordo de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas em um contexto de recrudescimento da violência. A disputa entre grupos armados, como o Clã do Golfo e o Exército de Libertação Nacional (ELN), pelo controle das receitas do narcotráfico e da mineração ilegal impulsionou os índices de criminalidade. As autoridades registraram 14.780 homicídios no ano passado, o maior número desde 2015, enquanto os casos de extorsão mais do que dobraram em relação a uma década atrás. Espriella retratou Petro e Cepeda — filho de um líder comunista assassinado — como aliados de criminosos, embora o governo Petro afirme ter apreendido mais cocaína do que qualquer outro governo na história. O senador rejeitou as acusações, dizendo não haver qualquer prova que as sustente. Cepeda, por sua vez, criticou a atuação de Espriella como advogado de pessoas ligadas a grupos paramilitares de direita e a casos de corrupção, entre eles Alex Saab, que responde a acusações nos EUA por supostamente lavar dinheiro para o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele afirma que suas relações profissionais não implicam cumplicidade nem envolvimento em crimes. O triunfo de Espriella também reforça a guinada à direita na América do Sul. Nos últimos anos, Argentina, Chile e Equador elegeram presidentes de direita, enquanto a Bolívia encerrou duas décadas de governos de esquerda ao levar ao poder o direitista Rodrigo Paz, de centro-direita. No Peru, a conservadora Keiko Fujimori está próxima de conquistar a Presidência após três derrotas em segundos turnos (mais informações abaixo). A maioria das eleições nesses países foi marcada por preocupações semelhantes: o aumento da criminalidade, o desgaste dos incumbentes e a percepção de fragilidade econômica. Na Colômbia, esses fatores abriram espaço para um candidato sem experiência política, que se apresentou como alternativa ao establishment e prometeu restaurar a ordem em um país profundamente dividido. Apesar do discurso de ruptura, Espriella assumirá o governo diante de desafios significativos. Além de uma elevada dívida pública, terá de negociar com um Congresso fragmentado, cenário que pode limitar a implementação de suas propostas mais ambiciosas e testar sua capacidade de transformar o discurso de campanha em resultados concretos. Em tempos de Copa do Mundo, o uso da camisa da seleção colombiano por Espriella virou questão de Justiça. Um tribunal chegou a barrar que o candidato o símbolo nacional, mas depois a decisão foi revertida. Antes da votação, o agora presidente eleito, acompanhado da família — todos com o uniforme da seleção —, recorreu a termos futebolísticos para descrever a eleição. “A Colômbia disputa sua partida mais importante”, disse ele em um vídeo nas redes sociais. “Com a ajuda de Deus e o apoio de milhões de colombianos, vamos vencer esta batalha democrática.”",
"title": "Espriella vence eleição apertada na Colômbia e amplia guinada regional à direita"
}