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  "textContent": "\nA Cadillac está oficialmente de volta ao Brasil, depois de décadas esquecida por aqui. Bom momento para destacar uma pérola guardada no acervo do Museu da Imprensa Automotiva (Miau) que envolve a marca e um dos maiores nomes do futebol brasileiro e mundial: Telê Santana. O registro está em um exemplar da revista Vida na GM, publicação editada pela própria General Motors, edição número 20, de abril de 1952. Mas, antes, cabe uma contextualização. A Cadillac, no Brasil dourado dos anos 1950, era o puro símbolo da riqueza; se um sujeito tinha um carro da marca na garagem, invariavelmente era milionário — como um proprietário de um Rolls-Royce Cullinan hoje em dia. Além disso, vale muito lembrar que, na época, jogador de futebol não ganhava fortunas como atualmente. Bem longe disso: era uma profissão que pagava pouco, apesar de gerar certa fama e prestígio (curioso é que, neste 2026, se virmos um Cullinan na rua, inapelavelmente vamos pensar que o dono é um futebolista; as coisas mudam). Voltando à história, era comecinho de 1952 e estava em disputa a final do Campeonato Carioca entre Fluminense e Bangu. O centroavante do Flu e artilheiro do torneio, com nada menos de 23 gols, Carlyle, se machucou e ficou de fora do jogo decisivo. Entrou em seu lugar um jovem chamado Telê, com apenas 20 anos e recém-promovido da base do clube. Manchete do Jornal dos Sports destacou o feito de Telê, herói da final do Campeonato Carioca Reprodução/Acervo Miau e Divulgação SPFC O rapaz, mineiro de Itabirito, reconhecidamente tímido e humilde, alimentava o sonho de, um dia, andar de Cadillac. E quem tinha um? Benício Ferreira Filho, dirigente de futebol do Fluminense e (adivinhe só?) empresário muito bem-sucedido, dono da Prolar S.A., importante financeira e construtora sediada no Rio de Janeiro. Durante a concentração para o jogo, no domingo, 20 de janeiro de 1952, Telê perguntou ao dirigente se poderia dar uma volta no Cadillac do patrão caso o time fosse campeão. O cartola viu ali uma ótima chance de motivar o então desconhecido jogador e respondeu que sim! Não se sabe ao certo o quanto a promessa incentivou Telê, mas o fato é que ele marcou os dois gols da partida, um aos 18 minutos do primeiro tempo e o outro aos 31 minutos da segunda etapa. Apito final e, com o placar de 2 a 0, o Fluminense festejou o título. Já na manhã do dia seguinte, segunda-feira, 21 de janeiro de 1952, o dirigente do tricolor carioca mandou o carro, com motorista e tudo, para a casa de Telê, com o recado de que o Cadillac estava à sua inteira disposição por 24 horas. Com ele o jogador foi até a Igreja da Penha e pagou sua promessa de subir a escadaria caso fosse campeão. O Cadillac 1951 era o mais puro símbolo de luxo e ostentação da época Reprodução/Acervo Miau e Divulgação SPFC Foi o “passeio da vitória”, como chamou a revista da GM, destacando que “os torcedores e simpatizantes do Fluminense F.C. também partilharam da alegria do jovem futebolista, e era de ver a satisfação estampada em seus rostos quando vislumbravam Telê, com ar nababesco, refestelado no assento traseiro do carro que lhe fôra cedido merecidamente. Foi o seu dia mais feliz, e isso êle fêz questão de frisar aos repórteres” (ah, a poética língua portuguesa de antigamente). Quis a história que o passeio de Telê no Cadillac e os dois gols marcados na final caíssem no esquecimento. Alguns anos depois, porém, Telê assumiu o sobrenome Santana e, como técnico, tornou-se um dos nomes mais vitoriosos do esporte. Foi duas vezes campeão brasileiro, com o Atlético Mineiro em 1971 e com o São Paulo em 1991, e bicampeão da Libertadores e do Mundial Interclubes, em 1992 e 1993, pelo clube paulista. Foi ainda o técnico da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986. Telê Santana foi eleito o maior técnico do futebol brasileiro por outros treinadores. O então jogador fez pose ao volante, mas só rodou no carro com motorista Reprodução/Acervo Miau e Divulgação SPFC Com tamanha carreira, você deve achar que, em algum momento, ele finalmente comprou seu Cadillac: na verdade, não. Telê era totalmente contra arroubos consumistas, inclusive costumava dar bronca nos jogadores que tinham esses impulsos quando o futebol começou a pagar muito bem aos atletas. Por isso, erroneamente, era frequentemente chamado de pão-duro. Telê Santana morreu em 2006, aos 74 anos. Em 2022, 16 anos depois, uma pesquisa do site Globo Esporte o elegeu como o “maior técnico da história do futebol brasileiro”. Mais de cem treinadores, em atividade ou aposentados, votaram. É um título bonito, sem dúvida, mas poderiam ter dito de outra forma — assim, por exemplo: Telê, o Cadillac da beira do gramado! Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital. Mais Lidas",
  "title": "Telê Santana passeou de Cadillac após vencer aposta contra presidente do Flu"
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