Fiat Tempra revolucionou os sedãs médios e foi carro mais moderno do Brasil
Autoesporte | Globo [Unofficial]
March 28, 2026
Faltando ainda três meses para a apresentação oficial ao público, que ocorrerá na inauguração do Salão Nacional do Transporte (Brasil Transpo), em 18 de outubro de 1991, a Fiat promoveu o primeiro contato com o novo modelo Tempra para a imprensa especializada – trata-se de uma estratégia comum no Exterior, mas ainda novidade por aqui. Um modelo de pré-série, ainda sem alguns detalhes de posição de logotipos e acabamento definitivo, serviu para uma avaliação inicial, uma anteprima, como chamam os italianos. Modelo pré-série não contava com os emblemas na tampa do porta-malas Autoesporte/Acervo MIAU Apesar da fábrica mineira ter cogitado até de um concurso público, além das trabalhosas pesquisas habituais, para escolha do nome do novo carro, acabou por se render mesmo ao Tempra. Uma boa opção por ser uma palavra curta, que significa têmpera na Itália, já popularizada pela mídia nacional desde o seu lançamento na Europa, em fevereiro de 1990. Considerado o automóvel mais moderno do País, está alinhado com o que existe de melhor no Primeiro Mundo, à exceção de alguns equipamentos eletrônicos como o ABS (sistema antibloqueio de freios). Defasado em apenas 18 meses em relação ao início da comercialização no Exterior, mantém a tradição da Fiat iniciada pelo Uno, que chego ao Brasil 17 meses depois. + Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte. Como na Europa, o Tempra brasileiro terá duas versões de acabamento – intermediária e de luxo, sem possibilidade de uma básica. Uma série mais sofisticada está nos planos da empresa, em produção limitada, para quem desejar certa exclusividade. No início haverá apenas a carroceria de quatro portas, mas a Fiat admite que virá também um duas portas, ideal para se enquadrar na futura versão esportiva com tudo o que se tem direito: do cabeçote de 16 válvulas ao turbocompressor. A estratégia de marketing será diferenciada e inspirada não apenas no que se faz hoje na Europa, mas também nos Estados Unidos, o mercado mais competitivo do mundo. Haverá novidades na assistência técnica, que a fábrica ainda considera Segredo, O posicionamento no mercado não se limitará a um combate direto contra o Monza e o Santana. A Fiat quer criar uma diferenciação por oferecer um automóvel inteiramente novo, de para-choque a para-choque, algo que não aconteceu nem em relação ao próprio Uno (mecânica igual à do 147) e mesmo considerando o Kadett (eixos, câmbio e motor do Monza). Painel com aplique em madeira procurava trazer refinamento ao modelo Autoesporte/Acervo MIAU Na realidade, motor e câmbio do Tempra, apesar de inéditos no Brasil, equipam o Fiat Regata desde 1988, na Argentina. Trata-se de um conjunto moderno, em especial o câmbio, igual ao produzido hoje na Itália, que virá completo do país vizinho. Em troca, os argentinos receberão, a partir de janeiro, o Tempra brasileiro para substituir o Regata. Apesar das dimensões externas compactas – 4,35 metros de comprimento –, o formato acentuadamente em cunha do novo automóvel com um volume traseiro bastante alto mostra a aparência de um carro maior. O coeficiente de forma (Cx) é o mais baixo no Brasil: em torno de 0,31. Tempra levou a Fiat para concorrer em um novo segmento, o de sedãs médios Autoesporte/Acervo MIAU A versão original, sem espelho do lado direito, pneus mais estreitos, vão livre um pouco menor e parte inferior do monobloco mais lisa (sem catalisador e com proteções antiturbulência) tem Cx de apenas 0,28, um dos melhores do mundo em sedãs de grande série, porém irrealizável nas condições brasileiras. O acesso pelas portas, que se abrem em ângulo de 80 graus, é um dos pontos altos do carro. A posição de guiar é muito boa. O silêncio do conjunto motor-câmbio atinge novos padrões entre os automóveis nacionais. O Tempra cedido a Autoesporte para uma avaliação preliminar, na pista de prova de Betim e para uma sessão de fotos externas, estava lastreado com peso máximo porque a intenção era avaliar o conjunto e não o desempenho de unidade de pré-série. Portas do Tempra se abrem em ângulo de 80 graus Autoesporte/Acervo MIAU Os engates do câmbio são precisos, em padrão bem acima dos outros Fiat brasileiros. A direção hidráulica (opcional em 100% por questão mercadológica) pareceu um pouco mais sensível que o desejável. O motor de duplo comando de válvulas terá catalisador desde o início – diminuição de cerca de 3% na potência –, e vai permitir acelerações e retomadas equivalentes à do Monza 2.0 EFI (injeção monoponto) e um pouco inferiores ao Santana 2.0 com catalisador. A Fiat informa potência de 99 cv e torque de 17 mkgf (padrão DIN) para um peso em ordem de marcha em torno dos 1.080 kg. A velocidade máxima real será de 180 km/h, graças à aerodinâmica superior em relação aos dois concorrentes diretos. Motor 8 válvulas carburado equipava o Tempra; as versões injetadas viriam logo depois Autoesporte/Acervo MIAU O conjunto de suspensões dianteira (baseada na do Lancia Delta) e traseira (originada na do Fiat Croma/Lancia Thema) é mais robusto que o original. Ou seja, o Tempra brasileiro está dimensionado para resistir não somente à péssima pavimentação de nossas ruas e estradas, mas pronto para receber uma motorização que permitirá uma velocidade de 200 km/h ou um pouco mais. Por isso, o sistema de freio ficou superdimensionado, com pistões de 54 mm de diâmetro nas pinças dianteiras e tambores traseiros de 228 mm de diâmetro. Será possível escolher entre duas medidas de pneus: 185/65 14 para quem deseja mais conforto ou 195/60 14 para os apreciadores da condução esportiva. A Fiat irá oferecer um sistema de som completo, com antena curta e flexível de teto, o que nenhum de seus modelos no Brasil já teve. Não existirá, no entanto, o computador de bordo hoje disponível em sua linha. Um recurso inédito é o apoio de braço entre os bancos dianteiros, um conforto há anos incorporado em vários modelos fabricados no exterior. Frente em cunha e traseira alta impressionaram os que viram o Tempra pela primeira vez Autoesporte/Acervo MIAU O Tempra consumiu investimento de US$ 350 milhões, desde 1988, incluindo um aumento na capacidade de produção nominal da fábrica em Betim, MG, de 240.000 para 270.000 unidades ao ano, o que deve consolidar a Fiat como a segunda marca em produção e a terceira em vendas internas, à frente da Ford e encostada na GM. Afinal, terá uma gama completa e a mais atualizada em relação ao que se fabrica hoje na Europa. Texto publicado originalmente em Autoesporte n° 315, de agosto de 1991 Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? 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