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Teste: Chevrolet Onix Track Day é o mais potente da história e exige braço

Autoesporte | Globo [Unofficial] March 22, 2026
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Pressiono o botão de ignição no painel depenado, onde a parte principal da instrumentação foi colocada sobre uma chapa de aço. O motor 1.2 turbo desperta com um rugido alto — um som metálico e estridente, cortesia da remoção do sistema de escape e dos cilindros ímpares. Estou na pista oval do Campo de Provas da Cruz Alta, um dos maiores da América Latina, para acelerar o Chevrolet Onix Track Day. Confira o vídeo abaixo: A chuva não deu trégua em Indaiatuba (SP). O céu encoberto castigou o asfalto da pista por várias horas — mesmo assim, o Onix Track Day arranca impetuosamente para a volta de reconhecimento. Onde estão os pontos de frenagem? Em quantos “rpm” o motor corta o giro? Teria alguns instantes para sanar as dúvidas enquanto pilotava um dos carros mais legais que você, leitor, jamais terá a oportunidade de dirigir (infelizmente). Isso porque o Onix Track Day nasceu como um "projetinho" do departamento de engenharia para as comemorações dos 100 anos da GM do Brasil. Tanto que, na singela placa de alumínio que cumpre a função de painel, há um adesivo que faz alusão às celebrações. Chevrolet Onix Track Day celebra os 100 anos da GM no Brasil Cauê Lira/Autoesporte Sob o capô, no lugar do motor 1.0 que equipa todo santo Onix que sai da fábrica de Gravataí (RS), está o 1.2 turbo de três cilindros, de 133 cv e 21 kgfm, que era usado em Tracker e Montana, sem injeção direta de combustível. Já o câmbio manual de seis marchas — com engates curtos, macios e precisos — só foi oferecido na picape em sua versão de entrada. Motor: 1.2, três cilindros, turbo, flex, injeção multiponto Câmbio: manual, seis marchas Potência estimada: 150 cv Torque: não divulgado 0 a 100 km/h: 7 segundos Motor 1.2 turbo do Onix Track Day chega a 150 cv com soluções simples de engenharia Renato Durães/Autoesporte Este processo é conhecido no mundo do tuning como "swap". Serve tanto para a substituição do motor quanto do câmbio — ou, no caso do Onix Track Day, dos dois. Nas oficinas de preparação, é normal ver donos de Corsa instalando o motor 1.8 da antiga Montana para extrair mais potência. Desde o início do ano passado, este mesmo motor é oferecido na Montana e no Tracker com sistema de injeção direta. A potência subiu para 141 cv, enquanto o torque foi para 22,9 kgfm. Tais mudanças foram significativas para melhorar a aceleração de ambos, como você pode conferir nesta reportagem. Tanto os números de desempenho quanto os resultados de consumo melhoraram. Mas a escolha da Até o câmbio manual de seis marchas está exposto no Onix Track Day Cauê Lira/Autoesporte É claro que este motor está “fuçado” — como dizem nas ruas — para melhorar a diversão ao volante. A GM abriu os sistemas de indução e escape, removeu o catalisador e atualizou o sistema de injeção para enriquecer a mistura ar-combustível. Ou seja, aumentar a proporção de combustível em relação à de ar. Dessa forma, estima-se que o Onix Track Day tenha algo em torno de 150 cv de potência. Luz de injeção acesa e controle de estabilidade desligado são o "charme" do painel analógico Cauê Lira/Autoesporte Portanto, é a mesma potência de quando conheci o Onix Track Day pela primeira vez, no Salão do Automóvel de 2014. Naquela época, ainda estagiário e trabalhando para outra revista, me deparei com um conceito baseado na primeira geração, com motor 1.8 do Cruze (então, outro "swap"). Este protótipo nunca viu a luz do dia, mas inspirou a versão Effect que surgiu anos depois. Primeiro Chevrolet Onix Track Day foi criado em 2014, com base na primeira geração do hatch Divulgação Uma curiosidade revelada pelo pessoal da engenharia é que houve inversão das cores. Em 2014, a carroceria era amarela com detalhes na cor preta. Na nova versão, o tom escuro predomina. A homenagem não é por acaso. + Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte. O botão vermelho serve para desligar o carro em emergências Cauê Lira/Autoesporte O Onix Track Day é ágil e leve na pista. Isso se deve à redução de peso por conta da remoção de carpete, revestimentos plásticos, banco traseiro, painel e qualquer outro componente desnecessário num carro de corrida (como os airbags frontais, o que torna este carro impossível de homologar). A porta do Onix Track Day também foi depenada Cauê Lira/Autoesporte Até o mecanismo que aciona o limpador traseiro saiu de cena. Já a alça de teto, o famoso "PQP", se tornou o puxador da porta, enquanto a maçaneta saiu de cena e deu lugar a um fio de aço. Então, além da preparação de motor, câmbio e suspensão, o Onix Track Day está mais leve. SUVs de entrada viram febre no Brasil e três novos modelos chegam em 2026 Celta Spider e Uno Cabrio fizeram história nos anos 2000 sem chegar às ruas Chevrolet Onix Activ vai voltar após 7 anos para ser rival do VW Tera Banco traseiro foi removido, assim como as forrações do assoalho Cauê Lira/Autoesporte Seu peso estimado é de 950 kg — 150 kg a menos do que a versão RS. Havia margem para reduzir outros 200 kg se os vidros fossem de policarbonato e o banco do passageiro fosse removido. Logo, sua relação peso-potência proporciona uma condução muito acertada para quem curte acelerar na pista. As rodas do Onix Track Day incorporam um visual bem popular no mundo do 'tuning' Cauê Lira/Autoesporte Quanto à suspensão, os amortecedores são os mesmos do Onix que pode estar na sua garagem, mas com um acerto mais rígido para amenizar a rolagem da carroceria. Ao perder peso, a suspensão subiu — então, a GM precisou rebaixá-la em 10 cm para reequilibrá-lo. Versão Track Day se inspirou na RS. Até a "gravatinha" da Chevrolet foi pintada de preto Cauê Lira/Autoesporte Os freios são os mesmos da versão de fábrica, com discos ventilados na dianteira e tambores na traseira. A GM só instalou rodas esportivas com aberturas maiores, que melhoram a refrigeração. Embora os pneus sejam os mesmos da versão de fábrica, a tala da roda cresceu de 6,5’’ para 7’’. Segundo a GM, o zero a 100 km/h acontece em 7 segundos Cauê Lira/Autoesporte Na longa reta da pista oval, engato a sexta marcha e vejo o velocímetro digital atingir 200 km/h. Os freios dão conta de reduzir a velocidade antes de iniciar a curva que pouco exige esforço dos amortecedores. À minha frente, o vidro embaçado dificulta a visibilidade, mas há um sistema de refrigeração por dutos expostos que puxa o ar de fora para ventilar o para-brisa. Também notei que, por economia de peso, há somente um limpador de para-brisa dianteiro, e não dois. A chuva que não deu trégua atrapalhou o teste instrumentado. Por isso, não foi possível coletar os resultados de aceleração, retomada e frenagem do Onix Track Day no padrão Autoesporte. Segundo a GM, seu de 0 a 100 km/h acontece em 7 segundos. Onix Track Day é bem barulhento. Sem as forrações acústicas, o motor 1.2 turbo flex grita bastante Cauê Lira/Autoesporte Piso fundo no acelerador ao iniciar a retomada e percebo que o Onix Track Day “corta” o giro a partir de 6.000 rpm — logo, a faixa de 5.800 rpm é a melhor para trocar de marcha. O volante, mais direto e reativo que o do Onix convencional, transmite a interação entre pneus e o asfalto com muita precisão. Finalizo o percurso com um sorriso no rosto e vontade de montar um “projetinho” de track day. E o mais legal é que a GM se inspirou bastante nas customizações que rolam no mundo do tuning com Corsa, Celta, Kadett e tantos outros carros que marcaram época. Que bela maneira de comemorar o seu centenário. É uma pena que os legítimos esportivos de bolso estejam quase extintos. Pontos positivos: aceleração, estabilidade em curvas e acerto de direção Pontos negativos: este hatch não estar na minha garagem ou sequer poder ser vendido Chevrolet Onix Track Day - Ficha técnica Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital. Mais Lidas

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