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Achado Usado: Volkswagen Variant II tinha peças de Passat e alma de Brasilia

Autoesporte | Globo [Unofficial] March 21, 2026
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Em tempos em que os sonhos das famílias brasileiras eram as peruas, a Volkswagen Variant — lançada em 1969 — precisava de uma substituta diante da Chevrolet Caravan e Ford Belina. A resposta foi a segunda geração, lançada em 1977, como modelo 1978. Autoesporte encontrou uma Volkswagen Variant II 1.6 1978 na cor bege. Ela encontra-se completamente original e com a merecida placa preta e certificado de originalidade. Está à venda pela GGS Veículos Antigos, de Mogi das Cruzes (SP). “Adquirimos esta raridade de uma loja por ser um dos raros sobreviventes e últimos projetos dos aircooled [com motor refrigerados a ar] da marca no país”, explica o proprietário da loja, Mauricio Silva, que ainda tem outras preciosidades. Um Fusca 1300L de 1981, um Gol de 1986 e uma Parati de 1990 são alguns clássicos à venda pela empresa. + Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte. Variant II 78 Bege GGS Veículos Antigos Voltando ao ‘Variantão’, como ficou popularmente conhecido, Silva conta que o exemplar foi de um senhor de Campinas (SP) que o guardou por muitos anos, vindo a vendê-lo para um outro entusiasta de Itaquaquecetuba (SP). Meio apagada, mas resistente ao tempo, a Variant II passou por um polimento para reacender o brilho, além de uma minuciosa revisão na parte mecânica. O velho motor traseiro 1600 arrefecido a ar de 67 cv (brutos) "acordou" depois de décadas de hibernação. Toda a espera valeu a pena, pois o roncoi do revigorante boxer da perua soava como um muito obrigado pela vida. E assim, juntos, permaneceram inseparáveis por alguns anos até a clássica perua parar nas mãos de Maurício. Variant II 78 Bege - Motor GGS Veículos Antigos Veja Também Kia Besta era a rival muito mais refinada (e cara) que a Kombi; relembre Volkswagen Gol GTI é anunciado por R$ 520 mil e tem preço de Porsche e BMW Achado usado: Honda Prelude foi esportivo inovador e vai voltar ao Brasil À venda por R$ 36.500, o último projeto da Volks com motor refrigerado a ar é uma viagem de volta à década de 1970. Acomodar-se nos macios bancos com as forrações originais e sentir o cheiro do acabamento interno é algo indescritível. O painel é bem construído, com painel sem trincas ou marcas do tempo. Bem ao centro, há o rádio original Volkswagen que ainda funciona como um relógio suíço. A cabine é bem arejada, por conta da extensa área envidraçada da perua. Os bancos, iguais aos do Passat, são confortáveis e acomodam bem os ocupantes de trás, graças aos 2.495 mm de distância entre-eixos. Variant II 78 Bege - Interior GGS Veículos Antigos Suspensão e espaço eram pontos fortes O conforto é inigualável por conta da suspensão que trouxe o moderno sistema do tipo independente, McPherson, com raio negativo de rolagem na dianteira, igual ao do Passat. Na traseira, apesar de manter as barras de torção, a arquitetura foi melhorada com o uso de braços semiarrastados, que trouxeram um melhor equilíbrio no conforto e dirigibilidade. Outra familiaridade com o Passat era o recurso do duplo circuito de freio (diagonal) — a disco na dianteira e a tambor na traseira — e pneus radiais (175 SR 14) de série. Entre outros itens de segurança inovadores para o mercado nacional, estava o limpador de vidro traseiro com desembaçador. Variant II 78 Bege - Traseira GGS Veículos Antigos Com todos estes predicados, a revista Autoesporte não poupava elogios durante os primeiros testes de 1977. O jornalista Paulo Celso Facin comentou que, com sensíveis melhorias na suspensão, estabilidade e visibilidade, “a nova Variant provou ser um utilitário bem mais seguro e econômico”. As médias de consumo ficaram em torno de 13 km/l na estrada. Facin elogiou também o conforto da perua ao trafegar por estradas de terra, cujo comportamento “foi muito bom, com a suspensão trabalhando corretamente”. Variant II 78 Bege - Frente Fotos: GGS VEÍCULOS ANTIGOS Espaço era o que não faltava também à Variant II. Com dois porta-malas, ela comportava até 667 litros de bagagem, sendo que só no traseiro, com os bancos rebatidos, o volume chegava a bons 1.240 l. O acabamento interno era primoroso, ainda que padecesse de alguns problemas crônicos, como trincas no painel por conta da exposição ao sol. Fora a tonalidade preta do painel, forros de porta e bancos, o cliente poderia escolher pelo interior monocromático marrom, bege ou azul, variando conforme a combinação da pintura externa. O interior trazia bancos altos com encosto de cabeça integrado e painel com mostradores quadrados. Mais espaçosa, ágil e confortável que a sua antecessora, a Variant II foi um projeto bem construído pelo time da engenharia brasileira, mas que chegou tarde ao mercado nacional. No entanto, uma série de fatores, incluindo o menor espaço e maior preço entre as concorrentes, além do motor a ar ultrapassado, obrigou a Volkswagen a tirá-la de linha em 1981. De acordo com a fabricante, foram pouco mais de 293 mil unidades vendidas. Variant II 78 Bege - Painel Fotos: GGS VEÍCULOS ANTIGOS No ano seguinte, era lançada a Parati, um projeto mais promissor, baseado no Gol, que resistiu firme até 2012, sendo a última perua produzida pela Volkswagen em solo nacional. A Volkswagen do Brasil possui em seu acervo ‘Garagem VW’ um belo exemplar de Variant II 1980, sendo um dos primeiros veículos guardados junto aos outros exemplares históricos da marca, dentro da fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital. Mais Lidas

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