{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreidp26fqrnuv7jdzt23dxubyncgubookjejawu5zg7dhiae6hyduqe",
    "uri": "at://did:plc:4tuge3k3comfj4nfvqnwkemn/app.bsky.feed.post/3mm7ejxiltf22"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreidvdv33cizahegdgsyqsfkkjneoe3yzsby3wlufj6oibb3vvbun5e"
    },
    "mimeType": "image/png",
    "size": 666845
  },
  "path": "/user/SeverinGeo/diary/408691",
  "publishedAt": "2026-05-18T16:20:43.000Z",
  "site": "https://www.openstreetmap.org",
  "tags": [
    "esses relatórios da GSM Association",
    "África",
    "América Latina",
    "mapa mundial que mostra um índice de conectividade móvel",
    "esta página da web",
    "publicou recentemente o resultado de uma pesquisa"
  ],
  "textContent": "### Resumo\n\nProblema nº 1 logo na primeira utilização dos aplicativos Android de navegação #openstreetmap offline, como OsmAnd, Comaps e Organic Maps: o tamanho do mapa a ser baixado. Em muitos lugares, é o país inteiro ou nada. E isso frequentemente representa mais de 100 MB, com casos que ultrapassam os 500 ou 600 MB. Por que isso acontece?\n\n### Experiência pessoal: o surgimento do smartphone no Sul Global\n\nDurante o verão de 2013, coordenei com outras pessoas um projeto HOT de cartografia OSM no norte e nordeste do Haiti. Naquela época, a ferramenta indispensável para a coleta de dados em campo eram os pequenos dispositivos Garmin da série Etrex, robustos e de baixo consumo de energia, mas que exigiam uma fase de edição bastante longa no computador. Eu já tinha meu primeiro smartphone Android há alguns meses e, pelo que me lembro, o OSMtracker já existia, o Vespucci talvez também (mas só o descobri mais tarde) e o OsmAnd estava em seus primórdios. No entanto, o ecossistema de aplicativos ainda não estava maduro o suficiente para substituir o eTrex. No final da missão, vi alguns participantes haitianos começarem a adquirir seus primeiros smartphones.\n\nAlguns meses depois, naquele mesmo ano, durante outra missão de mapeamento na Mongólia, tive uma reunião com representantes do Banco Asiático de Desenvolvimento, a quem tentei convencer de todos os benefícios do OpenStreetMap. Em determinado momento, usei como argumento o surgimento desses aplicativos móveis do OSM, que em breve permitiriam a qualquer pessoa acessar os dados do OSM e contribuir para eles com facilidade, considerando que os smartphones logo estariam nas mãos de todos. Não tive a sensação de estar fazendo suposições infundadas: o celular já estava em toda parte, parecia bastante lógico que os smartphones Android, cujos modelos mais baratos começavam a chegar, também fossem fazer sucesso e aumentassem a contribuição e o uso do OSM.\n\nTalvez meus interlocutores estivessem familiarizados apenas com iPhones, que eram bem mais caros? De qualquer forma, naquele dia eles praticamente riram na minha cara, respondendo que não, isso não iria acontecer nos próximos anos. Na hora, eu me tornei, aos olhos deles, um geek distante da realidade e o OSM, um projeto de sonhadores ingênuos.\n\n### O smartphone, principal meio de acesso ao OSM\n\nDesde então, o GSM não morreu; sua rede ainda é amplamente utilizada e seus aparelhos continuam sendo predominantes em algumas regiões rurais do mundo, especialmente no Sul Global. No entanto, os smartphones estão muito presentes, como mostram esses relatórios da GSM Association na África, Ásia e América Latina, ou este mapa mundial que mostra um índice de conectividade móvel.\n\nÉ certo que essas estatísticas parecem basear-se na parcela da população que possui conexão à internet, e é difícil estimar a parcela da população que possui um smartphone, sabendo-se que alguns telefones simples são capazes de se conectar à web ou que, em alguns países (a Costa do Marfim, por exemplo), é comum assinar planos com duas operadoras para aproveitar suas respectivas vantagens. No entanto, o smartphone é, muito à frente do computador, o dispositivo pelo qual a maioria da população mundial acessa a Internet. E, portanto, o OpenStreetMap. Desde 2013, o número de aplicativos baseados em Android aumentou e suas funcionalidades se desenvolveram, tanto no que diz respeito à edição de dados quanto ao seu uso, para atividades de navegação ou pesquisa. No entanto, elas continuam inadequadas para certos contextos e usos, especialmente no Sul Global. Como este post já está muito longo, vou abordar hoje apenas uma dessas deficiências.\n\n### Primeira deficiência atual dos aplicativos Android de navegação offline: arquivos de mapas muito grandes, especialmente para os países do Sul Global\n\nMuitas vezes notei, durante workshops de treinamento dedicados ao uso de aplicativos como o OsmAnd ou o Organic Maps/Comaps, o quanto o mapa a ser baixado podia, às vezes, ser um arquivo grande, com mais de 100 MB, e cobrindo o país inteiro, sem poder se limitar à área administrativa do local do treinamento.\n\nIsso é duplamente limitante em países onde a internet pode ser lenta, instável e, muitas vezes, significativamente mais cara do que no Norte, sem conexão ilimitada. Ter que pagar uma quantia nada desprezível em relação ao custo de vida para baixar, às vezes após várias tentativas, um mapa do qual se vai usar apenas 10% da área não é necessariamente motivador.\n\n#### A abordagem estatística\n\nResolvi verificar isso analisando todos os mapas disponíveis. O OsmAnd disponibiliza esta página da web, que contém todos os mapas disponíveis, seus tamanhos e datas de atualização, mas não encontrei nada semelhante para o Organic Maps/Comaps. As estatísticas a seguir limitam-se, portanto, ao OsmAnd e datam do mês passado (um pouco de procrastinação para escrever este post), mas os resultados provavelmente seriam semelhantes para o Organic Maps/Comaps, para os quais, aliás, forneço alguns exemplos.\n\nOs resultados são apresentados por continente. Por level_0, refiro-me aos países para os quais existe apenas um mapa de todo o território nacional (nível denominado admin0); por level_1, aqueles que também dispõem de mapas de acordo com a primeira divisão administrativa (admin1); e por level_2, os países que possuem no OsmAnd um segundo nível de divisão administrativa (admin2).\n\nEscolhi arbitrariamente 100 MB como limite a partir do qual um mapa pode ser considerado um arquivo grande para download. As estatísticas são agrupadas por continente, com o número de países cujo tamanho do mapa a ser baixado é superior a 100 MB, para cada uma das categorias (níveis 0, 1 e 2). Para os países que possuem os níveis 1 e 2, é utilizado o valor médio do tamanho dos mapas.\n\nA última coluna apresenta as informações de cada país em ordem decrescente de tamanho de arquivo, incluindo aqueles que têm a sorte de ficar abaixo do limite de 100 MB. Eles estão destacados em verde para facilitar a identificação. Os demais países aparecem em laranja, com tamanhos entre 100 e 200 MB, e em vermelho para aqueles com mais de 200 MB.\n\n### Os resultados\n\nNotamos a grande desigualdade entre os países de cada continente, com alguns ultrapassando 400 MB:\n\n  * Portugal, Romênia, Grécia, Hungria, Irlanda, Eslováquia e Bélgica na Europa\n  * Nova Zelândia na Oceania\n  * Colômbia, Peru, Bolívia na América do Sul\n  * Nigéria, Madagascar e Quênia na África\n  * Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan e Nepal na Ásia\n  * na América Central, o agrupamento de todos os países caribenhos não constitui um país em si e deve ser considerado, antes, como uma opção de download adicional. A superfície reduzida desses países faz com que nenhum deles tenha ainda um mapa sem divisão administrativa com mais de 100 MB,\n\n\n\nObserva-se também que apenas a Europa conta com doze países com nível 1 ou mesmo 2, mas mesmo assim com mapas de tamanho médio superior a 100 MB. Isso provavelmente está relacionado à densidade dos dados OSM na Europa. Em outros lugares, apenas países imensos como a Austrália, a Rússia e o Brasil ultrapassam os 100 MB, apesar de terem nível 1.\n\nPara todos os outros, ter que baixar um mapa com mais de 100 MB significa ter que baixar o mapa de um país inteiro. Esse é o caso de 27 países africanos e 22 países asiáticos. Na Nigéria, o maior país da África em população (e o sexto do mundo), usar o OsmAnd implica ter que baixar um mapa com mais de 600 MB, o que faz dele o país menos bem atendido pelo aplicativo. A título de informação, a situação é apenas um pouco melhor no CoMaps, onde há a opção entre Nigéria – Norte (217 MB) e Nigéria – Sul (479 MB). Na Tailândia, são mais de 500 MB para o OsmAnd e três mapas no CoMaps (o maior deles com 182 MB).\n\nNo entanto, três outros grandes países africanos estão bem servidos no OsmAnd com um nível 1 que permite reduzir drasticamente o tamanho dos mapas: a RDC, por exemplo, com uma média de 16 MB (e um máximo de 77 MB), a Tanzânia com cerca de 55 MB e a África do Sul com pouco menos de 100 MB. O mesmo ocorre na Ásia com a China, o Japão, a Índia, a Indonésia (embora algumas províncias ainda tenham mais de 200 MB) e as Filipinas, onde é possível baixar mapas de tamanho razoável.\n\n#### Por que isso?\n\nComo explicar tal desigualdade de tratamento? Por que não oferecer sistematicamente um primeiro nível de divisão para todos os países cujo mapa completo ultrapasse 100 MB — ou, como vimos, muito mais —, em vez de apenas alguns? Será isso apenas resultado da falta de demanda por parte desses países mal atendidos em termos de mapas de tamanho razoável?\n\nO OsmAnd publicou recentemente o resultado de uma pesquisa junto à sua comunidade de usuários, distribuídos em 5 idiomas, sem que se soubesse seu país de origem. O problema do tamanho dos mapas não aparece na pesquisa, mas talvez isso se deva justamente ao fato de que isso limita o número de usuários nesses países? Seria interessante saber o número de usuários dos mapas do aplicativo para cada país, ou pelo menos o número de downloads de cada mapa.\n\nSeja como for, esse problema do tamanho dos mapas em certos territórios constitui o principal obstáculo à adoção dessas aplicações de navegação nessas regiões e uma limitação para aqueles que, mesmo assim, decidiram utilizá-las.\n\nTraduzido com DeepL - versão gratuita",
  "title": "Limitações atuais dos aplicativos OpenStreetMap para smartphones – primeiro post"
}