Aos 79 anos, ator Danny Glover revela diagnóstico de Alzheimer: "Ainda há trabalho a fazer"
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July 1, 2026
Aos 79 anos, o ator e diretor Danny Glover abriu as portas de sua histórica casa em São Francisco para falar publicamente, pela primeira vez, sobre sua rotina com a doença de Alzheimer. Em entrevista à revista PEOPLE, o astro de Máquina Mortífera e A Cor Púrpura alternou entre momentos de profunda lucidez, reflexões poéticas e pensamentos fragmentados, revelando como ele e sua família têm lidado com o diagnóstico recebido em 2023. "Ainda não consigo assimilar tudo", desabafou o ator sobre a doença. "Há momentos que você continua lembrando e que comprovam que você consegue se lembrar das coisas. E há momentos que jamais esquecerei." Os primeiros sinais e a redescoberta do diagnóstico A percepção de que algo estava mudando começou em 2022, ano em que Glover recebeu o Prêmio Humanitário Jean Hersholt no Oscar. Sua única filha, Mandisa, de 50 anos, começou a notar lapsos de memória no pai, que até então era conhecido por lembrar-se de detalhes minuciosos de décadas passadas. Ela percebeu que histórias frequentemente contadas sobre os avós, antes ricas em detalhes, agora vinham incompletas, com partes importantes faltando nos relatos cotidianos. Diante desses sinais, o diagnóstico recebido em 2023 foi assimilado em conjunto por toda a família, incluindo a filha e o irmão mais novo do ator, Marty, de 67 anos. Hoje, ao decidir revelar publicamente sua condição, o propósito de Glover é transformar sua própria vulnerabilidade em apoio, compartilhando sua jornada para ajudar e acolher outras pessoas que enfrentam a mesma realidade com a doença. Uma trajetória inesquecível no cinema e no ativismo A carreira de Danny Glover moldou a história do cinema e abriu portas fundamentais para uma geração de atores negros em Hollywood. Sua jornada é marcada por grandes sucessos de bilheteria e crítica, incluindo atuações memoráveis em Um Lugar no Coração (1984), o clássico A Cor Púrpura (1985), o fenômeno global Máquina Mortífera (1987) ao lado de Mel Gibson, além de produções marcantes como Anjos em Campo (1994) e o drama Amada (1998). Para o ator, que completará 80 anos no próximo dia 22 de julho, a arte nunca esteve separada de seu propósito social e de sua veia cidadã, uma filosofia que ele resume ao refletir que começou a atuar justamente por ser um cidadão consciente e encontrar na atuação a sua própria voz. Essa paixão se reflete em suas lembranças mais vívidas, que envolvem diretamente o ativismo político. Entre os momentos mais marcantes de sua vida estão a profunda amizade com o líder sul-africano Nelson Mandela — a quem teve a honra de interpretar em um filme para a televisão em 1987 — e as conexões genuínas com amigos de longa data, como o ator Delroy Lindo. Danny Glover Getty Images Rede de apoio e a vida prática O cotidiano do ator agora é acompanhado de perto por uma rede de apoio formada por cuidadores, pela filha e pelo irmão. Marty, que mora com Glover e foi salvo por ele no passado ao ser resgatado do mundo das drogas e levado para trabalhar no cinema, confessa o impacto emocional da demência: "Você vê a deterioração e é difícil, porque você não quer ver ninguém passando por isso." Atualmente, os momentos de maior lucidez de Glover acontecem pela manhã, quando ele se dedica à leitura e a programas jornalísticos como o Democracy Now!. Embora o processo seja doloroso e represente uma mudança drástica na rotina, a família segue focada em buscar as melhores opções de tratamento médico para garantir sua qualidade de vida. Para Danny Glover, o foco continua no presente e no afeto que o cerca: "Não sinto que seja o fim da minha vida. Ainda tenho minha filha, tenho amigos. Só quero dizer que a vida continua."
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