No dia de São João, queremos saber: você conhece as origens das roupas juninas?
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June 24, 2026
Nesta quarta-feira, 24 de junho, data em que se celebra São João Batista, milhões de brasileiros se reúnem em arraiais por todo o país. Mas as origens das roupas de São João vêm de longe do Brasil. A quadrilha nasceu na França como uma dança da aristocracia europeia e chegou ao país em 1808, com a corte portuguesa. Os participantes usavam sapatos de salto plataforma e perucas inspirados na moda da época, bem diferentes dos vestidos de chita e chapéus de palha que hoje simbolizam a festa. Com o tempo, a dança deixou os salões da elite e se espalhou pelo interior do Brasil, onde ganhou novas influências e se misturou às culturas popular, indígena e africana. Foi nesse processo que as roupas passaram a refletir o cotidiano do campo, com vestidos rodados, lenços, sandálias de couro e chapéus usados pelos trabalhadores rurais. A quadrilha nasceu na França como uma dança da aristocracia europeia e chegou ao país em 1808, com a corte portuguesa. Os participantes usavam sapatos de salto plataforma e perucas inspirados na moda da época, bem diferentes dos vestidos de chita e chapéus de palha que hoje simbolizam a festa. Getty Images Os vestidos estampados de chita, adornados com rendas, babados, laços nos cabelos e os remendos aplicados às calças surgiram justamente como uma representação da vida no interior. A estética, hoje tão associada ao São João, foi sendo consolidada ao longo do século XX e acabou se tornando um dos principais símbolos das festas juninas brasileiras. Nas últimas décadas, especialmente no Nordeste, as roupas juninas passaram por uma transformação. Impulsionadas pelos concursos de quadrilha e pelas grandes festas de cidades como Campina Grande e Caruaru, as produções ganharam uma dimensão mais teatral e sofisticada. Tecidos e silhuetas tradicionais da celebração deram lugar a bordados elaborados, pedrarias, plumas, saias volumosas e um novo leque de possibilidades. Nas últimas décadas, especialmente no Nordeste, as roupas juninas passaram por uma transformação. Impulsionadas pelos concursos de quadrilha e pelas grandes festas de cidades como Campina Grande e Caruaru, as produções ganharam uma dimensão mais teatral e sofisticada. Getty Images Revistas Newsletter Hoje, tradição e reinvenção convivem lado a lado. Enquanto algumas festas preservam a estética tradicional da celebração, outras apostam em interpretações mais exuberantes, inspirando, inclusive, figurinos de nomes como Juliette e criações dos estilistas Ronaldo Fraga, Rebeca Nepomuceno e Marc Andrade para as passarelas e figurinos temáticos de celebridades. Juliette Freire @gabrielgardinni Eu lembro muito dos vestidos rodados, das estampas florais, das fitas no cabelo e daquela animação toda para dançar quadrilha. Tenho uma memória muito forte das roupas de chita e da minha avó, que era crocheteira e fazia as fitas que eu usava. Hoje eu gosto de brincar mais com a moda, mas percebo que sempre volto para as minhas raízes. O São João, para mim, tem muito de memória afetiva, família e pertencimento. Ronaldo Fraga, estilista Getty Images Desde a infância, as bandeirolas de São João me fascinam. Especificamente as que eram feitas de papel de seda. Inclusive, viraram decoração no meu casamento. Na coleção Disneylândia, que falava sobre a América Latina, eu as levei para a passarela, depois de ter conhecido também as versões mexicanas dessas bandeiras. Marc Andrade Divulgação O São João sempre foi muito presente para mim, desde as idas aos grandes festejos de Caruaru e Campina Grande. Lembro de voltar dessas viagens cheio de ideias e vontade de criar peças com xadrez, brilho e volumes exuberantes, inspiradas nas competições de quadrilhas estilizadas, que eram incríveis, repletas de performances, personagens e figurinos marcantes. Rebeca Nepomuceno, estilista Divulgação O São João sempre foi uma época muito especial para mim. Além da memória afetiva, é um momento em que o mercado inteiro ganha vida, com costureiras trabalhando em suas casas e ateliês para criar vestidos juninos cheios de detalhes e volumes. Esse cuidado artesanal, o tempo dedicado e a valorização do fazer manual seguem guiando tudo o que crio.
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