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  "textContent": "\nInclassificável é o adjetivo que acompanha Ney Matogrosso desde os Secos & Molhados, e é também a bússola de \"Eu Prefiro Ser\", exposição que o Solar, antigo Solar dos Abacaxis, abre neste sábado (20.06), no Centro do Rio, em torno dos 85 anos do cantor, completados em agosto. Em vez de organizar a vida do artista numa linha do tempo, a mostra faz o contrário: parte da recusa dele a caber em qualquer caixa e transforma essa recusa em método. \"Não é uma exposição cronológica ou biográfica. Nos últimos anos, tivemos livros, documentários, filmes, até enredos de escola de samba que já cumpriram essa missão\", afirma Bernardo Mosqueira, diretor artístico do Solar e um dos curadores, ao lado de Matheus Morani e Pablo León de la Barra, por meio de nota. O que a mostra propõe, diz ele, é \"uma imersão experimental nesses mais de 50 anos de criação, pensando sobretudo no impacto dele na nossa sociedade e na cultura visual brasileira\". o Secos e Molhados\", de Miriam Inez da Silva Joao Liberato/ Divulgação O impacto aparece mais como ressonância, como o que sobra de Ney na obra de quem veio depois. São mais de 40 artistas brasileiros e internacionais, e o que os aproxima não é a época, mas a mesma vontade de escapar das classificações. Nomes históricos como José Leonilson, Feliciano Centurión, Hudinilson Jr., Tunga, Keith Haring e Madalena Schwartz dividem espaço com uma geração mais recente — Tadáskía, Rafa Bqueer, UÝRA, Manauara Clandestina, Rodolpho Parigi. Gente que, como ele, lida com transformação, desejo, dissidência e a possibilidade de inventar a própria forma de existir. Os trabalhos comissionados levam essa recusa ao pé da letra. O coletivo assume vivid astro focus sobrepõe várias fases de Ney numa só instalação, um palimpsesto onde nenhuma versão do artista anula a anterior. E há um fio que escapa do humano: THIX o cerca de tamanduá-bandeira e pássaros, enquanto Laura Lima monta um Ninho Comunal para abrigar aves no próprio espaço expositivo e, com o Instituto Vida Livre, assina uma escultura para o sítio onde Ney solta animais. Homem Ave, de Rafael Saarx Miriam Inez da Silva/Divulgação Tudo isso integra um eixo curatorial que o Solar dedica à liberdade entre 2025 e 2026, e que lê a obra de Ney pela beleza da estranheza, pelo queerness e pela atitude punk e glam. Não é leitura forçada. Ao longo de cinco décadas, ele driblou todas as etiquetas que tentaram lhe colar, questionando normas de gênero, de sexualidade e de comportamento, e expandindo o que um corpo pode dizer em cima de um palco. A vontade de fazer a mostra é antiga. Mosqueira a alimenta desde 2015, e o Solar trabalha no projeto desde 2017 - a ideia inicial era marcar os 80 anos, mas a data caiu na pandemia. \"Foi incrível conversar com os artistas das mais diversas regiões e gerações e descobrir que cada um deles tinha uma memória fundamental e definitiva sobre como foram impactados pela obra do Ney\", conta o curador. É essa rede de marcas deixadas em outras pessoas que a exposição decide mostrar, no lugar da biografia que todo mundo já conhece. Serviço Ney Matogrosso: Eu Prefiro Ser Solar – Mercado Central, Rua do Senado, 48, Centro, Rio de Janeiro De 20 de junho a 17 de outubro de 2026 Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!",
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